sábado, 19 de junho de 2010

Origens do cordel em mostra

Parceria entre Brasil e França viabiliza exposição que segue em cartaz até terça sobre as origens do cordel

Juazeiro do Norte. Um passeio pelo mundo do cordel. Uma inspiração originalmente nordestina com raiz francesa, num intenso intercâmbio entre o mundo medieval europeu e os sertões do Novo Mundo. A exposição "Traga a França para os meus versos e leve meus versos para a França" estará em cartaz no Sesc deste município até a próxima terça-feira. Nas prateleiras, uma forma didática para o público entender a trajetória do cordel, que veio se aliar à xilogravura somente no Nordeste brasileiro.

A forma didática como é feita a exposição permite conhecer qual é a origem do nome cordel, o maquinário utilizado para imprimir os folhetos e quando o cordel passou a ser levado para as feiras populares, pendurado em barbantes para a venda. Quadros de xilógrafos famosos, a importância da mulher no mundo dos versos populares e a própria história e seu momento mais importante também são abordados na mostra.

Mostra itinerante

Tudo isso pode ser visto de forma didática no espaço de exposição. De forma simples, como simples são os versos da poesia popular. A elaboração técnica e todo o processo de produção, desde a criação do mote, para seguir contando em rimas a história. O despertar para o público em geral, e também o envolvimento de grandes pesquisadores, a exemplo de Raymond Cantel, um dos maiores pesquisadores do cordel, chamado simplesmente de Raimundo por Patativa do Assaré, também são lembrados na mostra. O destaque para Cantel vem justamente da sua luta para o resgate e fortalecimento do cordel.

E Juazeiro, por ser um berço tradicional da poesia popular no Ceará, com a Lira Nordestina e seus inúmeros poetas, é a porta de entrada no Estado da exposição, segundo o coordenador da exposição Clóvis Arruda. O evento está sendo realizado por meio do Sesc, em parceria com Fonds Raymond Cantel e Universidade de Poitiers (instituições francesas), através do Ministério da Cultura brasileiro. No Ceará, a mostra deve passar por Juazeiro do Norte e Fortaleza. Além da exposição, serão promovidas oficinas, apresentações de música, exibição de filmes e manifestações relacionadas à literatura de cordel.

"Essa exposição oferece uma ocasião especial para apresentar ao público brasileiro os diferentes aspectos das relações intensas de diálogo, intercâmbio e enriquecimento recíproco entre poetas e gravadores com a Europa", destaca Dane de Jade, gerente de Cultura do Sesc e curadora da exposição. A expografia é de Clóvis Arruda e trilha sonora foi composta por Patrícia Palumbo (Rádio Eldorado).

França e Brasil

De acordo com Clóvis Arruda, o projeto nasceu em 2005, durante as comemorações do Ano do Brasil na França, com o trabalho Vida ou Verso, de São Paulo. O trabalho se configurou como uma oportunidade de participação também dos poetas caririenses, como Stênio Diniz, que lançou na noite de abertura da exposição, no dia 26 de maio, um folheto contando suas "Aventuras em Paris". Foram quatro exposições realizadas na França nesse período.

Uma das características dessa mostra de trabalho, conforme Clóvis, é a adaptação aos espaços, permitindo uma melhor interação e compreensão do público. "A mesma linguagem que apresentamos na França trouxemos para o Brasil", diz ele, ao acrescentar que é a mesma forma que se apresenta o cordel, mas trazendo para uma linha mais didática, educacional, para uma criança entrar e entender o que é um cordel e uma xilogravura e todo o processo de criação, além de sua história. São dois anos com esse formato menor e mais adaptado a mostras itinerantes.

MAIS INFORMAÇÕES
Coordenação da Exposição(Clóvis Arruda)
(11) 3676.0038
E-mail: terra@vista.com.br

Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste  - Regional - 19.06.2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Festa do Pau da Bandeira de Barbalha - 2010

Este ano não pude ir a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. No entanto, apresento aqui algumas imagens da Festa feitas pelo fotógrafo Wilo Araújo. A Festa aconteceu no dia 30 de maio. Belíssimas fotos Wilo. Parabéns!




quarta-feira, 2 de junho de 2010

Barbalha se torna vitrine de manifestações folclóricas


Nota: Andei meio sumido aqui do Blog em razão do tempo. Mas, estou de volta para postar matérias, textos e informações sobre nosso maravilhoso mundo Cariri.

Durante 13 dias, a cidade de Barbalha está cheia de atrativos para quem quer reverenciar Santo Antônio

Barbalha. A Festa de Santo Antônio foi aberta no domingo, mas a tradicional programação durante os 13 dias de festa continua sendo realizada. Um dos principais atrativos são os grupos folclóricos. São cerca de 50, entre os quais penitentes, vaqueiros, maneiro pau, bandas cabaçais e reisados. Eles desfilam pelas ruas centrais da cidade. As imagens coloridas dos grupos enchem as ruas. A cidade se transforma numa vitrine das manifestações culturais da região do Cariri.

A imagem de Santo Antônio visita diversas ruas da cidade. Na Igreja Matriz é rezada a trezena, uma espécie de novena, que, diferentemente, da novena rezada em nove dias em homenagem ao santo (por ser o dia 13 o seu dia de festejo) é rezada em 13 dias. A trezena iniciada em Portugal foi levada pelos portugueses para outros países e antigas colônias. Ao lado da igreja, foram instaladas quermesses. É o ponto de encontro da tradicional família de Barbalha.

É a festa do reencontro, da confraternização e do aperto de mãos entre conterrâneos que estavam morando fora. A Prefeitura montou palcos em quatro pontos estratégicos da cidade com o objetivo de promover shows com artistas regionais. No palco Marco Zero, a programação foi aberta, ainda no domingo, com Dorgival Dantas, Cheiro Nordestino Fernandinho e Banda Casa de Reboco. Na Praça da Estação, já se apresentaram Ítalo e Reno, Flávio Leandro e Maninho e Banda. No Largo do Rosário, Caninana do Forró Joãozinho do Exu Luiz Fidelis. A maior movimentação ocorre no Parque da Cidade, um espaço reservado para eventos. A programação abriu com Nando Cordel, Chico Pessoa e Os Águias. Estão confirmados shows com Louro Santos e Victor Santos, Forró Moleca Atrevido, Yegor Gomes, Forró Tapera, Arreio de Ouro, Banda Encantus, Índio e Sua Tribo, Diassis Martins, Forró Caboclo, Chicabana, Forró de Taipa e Leonardo.

Uma figura que já virou destaque na cidade foi a empresária Socorro Luna. Solteirona "juramentada", como diria Odorico Paraguaçu, personagem da novela "O Bem Amado", ela transformou sua casa, na Rua do Vídeo, Centro, no polo de divulgação dos poderes milagrosos de Santo Antônio, conhecido como "Santo Casamenteiro". Ali, são vendidos kits com simpatias para casamento. A renda é destinada à paróquia.

É uma forma de alimentar a crendice de que a moça solteira que pega no pau da bandeira casa em menos de um ano. Em nome dessas lendas, são vendidos chás e kits milagres feitos com a casca do pau. Este ano é um jatobá, espécie considerada como medicinal. Socorro que, segundo afirma nunca casou porque não quis, mas sempre conseguiu pretendentes, graças a Santo Antônio, mandou estampar em frente à sua casa a frase: "Socorro Luna, a solteirona mais famosa do Brasil".

É verdade, a solteirona já foi entrevistada nos programas Jô Soares e Mais Você, da Rede Globo. Este ano, sua casa foi transformada num ponto de visitação. Ela diz que ser solteirona bem sucedida é um privilégio. Não faltam pretendentes.

Além de vender os kits feitos da casca do pau, Socorro mantém sob seu controle uma rede de devotos e devotas de Santo Antônio que conseguiram "desencalhar", ou estão com o casamento marcado. É o caso de Camila Soares que tocou na árvore da festa do ano passado. Este ano, ela voltou com o noivo, Alan Luna, com o casamento acertado para o próximo mês.

A origem da fama de Santo Antônio como santo casamenteiro, segundo o padre Renato Simoneto, vigário de Barbalha, deve-se ao fato de que ele era um excelente conciliador de casais. Segundo a lenda, essa fama do Santo remonta talvez a um episódio em que uma senhora, que fora reduzida à miséria, decidiu prostituir a própria filha para sair da pobreza.

A moça então recorreu à ajuda de Santo Antônio. Rezou com todo o fervor diante da imagem dele quando, de repente, caiu das mãos da estátua um bilhete que a moça pegou nas mãos. O bilhete era dirigido a um próspero comerciante da cidade e dizia: "Senhor N..., queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto for o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio".

A jovem teve fé e levou o bilhete à loja do comerciante que pesou o papel, colocando o bilhete num prato da balança e uma moedinha de prata em outro. Mas, para surpresa, o bilhete pesava mais do que a moedinha de prata, e o comerciante, sem entender o que se passava, começou a colocar mais e mais moedas no prato da balança até conseguir equilibrar os dois pratos da balança com a soma de 40 escudos. A história correu pela cidade e a moça passou a ser procurada por rapazes bons e honestos que lhe propunham casamento. Ela escolheu um bom moço, casou-se e foi feliz. Daí em diante as mulheres que querem casar recorrem a Santo Antônio para pedir ajuda.

Enquete Integração

Roberto Maguila
Ex-jogador de futebol
Essa festa não tem dono. É do nosso povo, que derrama seu suor para conduzir o pau. É um momento muito importante

José Ricardo Bezerra
Carregador
Aqui só entra que tem força e coragem de se sujar, de se misturar com a gente. É tudo muito bom

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Cultura de Barbalha
Rua Pinto Madeira, 149, Centro
(88) 3532.1708/ (88) 2101.1919

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste