Parceria entre Brasil e França viabiliza exposição que segue em cartaz até terça sobre as origens do cordel
Juazeiro do Norte. Um passeio pelo mundo do cordel. Uma inspiração originalmente nordestina com raiz francesa, num intenso intercâmbio entre o mundo medieval europeu e os sertões do Novo Mundo. A exposição "Traga a França para os meus versos e leve meus versos para a França" estará em cartaz no Sesc deste município até a próxima terça-feira. Nas prateleiras, uma forma didática para o público entender a trajetória do cordel, que veio se aliar à xilogravura somente no Nordeste brasileiro.
A forma didática como é feita a exposição permite conhecer qual é a origem do nome cordel, o maquinário utilizado para imprimir os folhetos e quando o cordel passou a ser levado para as feiras populares, pendurado em barbantes para a venda. Quadros de xilógrafos famosos, a importância da mulher no mundo dos versos populares e a própria história e seu momento mais importante também são abordados na mostra.
Mostra itinerante
Tudo isso pode ser visto de forma didática no espaço de exposição. De forma simples, como simples são os versos da poesia popular. A elaboração técnica e todo o processo de produção, desde a criação do mote, para seguir contando em rimas a história. O despertar para o público em geral, e também o envolvimento de grandes pesquisadores, a exemplo de Raymond Cantel, um dos maiores pesquisadores do cordel, chamado simplesmente de Raimundo por Patativa do Assaré, também são lembrados na mostra. O destaque para Cantel vem justamente da sua luta para o resgate e fortalecimento do cordel.
E Juazeiro, por ser um berço tradicional da poesia popular no Ceará, com a Lira Nordestina e seus inúmeros poetas, é a porta de entrada no Estado da exposição, segundo o coordenador da exposição Clóvis Arruda. O evento está sendo realizado por meio do Sesc, em parceria com Fonds Raymond Cantel e Universidade de Poitiers (instituições francesas), através do Ministério da Cultura brasileiro. No Ceará, a mostra deve passar por Juazeiro do Norte e Fortaleza. Além da exposição, serão promovidas oficinas, apresentações de música, exibição de filmes e manifestações relacionadas à literatura de cordel.
"Essa exposição oferece uma ocasião especial para apresentar ao público brasileiro os diferentes aspectos das relações intensas de diálogo, intercâmbio e enriquecimento recíproco entre poetas e gravadores com a Europa", destaca Dane de Jade, gerente de Cultura do Sesc e curadora da exposição. A expografia é de Clóvis Arruda e trilha sonora foi composta por Patrícia Palumbo (Rádio Eldorado).
França e Brasil
De acordo com Clóvis Arruda, o projeto nasceu em 2005, durante as comemorações do Ano do Brasil na França, com o trabalho Vida ou Verso, de São Paulo. O trabalho se configurou como uma oportunidade de participação também dos poetas caririenses, como Stênio Diniz, que lançou na noite de abertura da exposição, no dia 26 de maio, um folheto contando suas "Aventuras em Paris". Foram quatro exposições realizadas na França nesse período.
Uma das características dessa mostra de trabalho, conforme Clóvis, é a adaptação aos espaços, permitindo uma melhor interação e compreensão do público. "A mesma linguagem que apresentamos na França trouxemos para o Brasil", diz ele, ao acrescentar que é a mesma forma que se apresenta o cordel, mas trazendo para uma linha mais didática, educacional, para uma criança entrar e entender o que é um cordel e uma xilogravura e todo o processo de criação, além de sua história. São dois anos com esse formato menor e mais adaptado a mostras itinerantes.
MAIS INFORMAÇÕES
Coordenação da Exposição(Clóvis Arruda)
(11) 3676.0038
E-mail: terra@vista.com.br
Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste - Regional - 19.06.2010





