domingo, 14 de agosto de 2011

34º FESTIVAL FOLCLÓRICO DO CARIRI



PROGRAMAÇÃO – 15 A 22 DE AGOSTO 2011

DIA 15 AGOSTO DE 2011 – SEGUNDA FEIRA
HORA APRESENTAÇÕES:19h:00min
21h:00min - ABERTURA OFICIAL
- BANDA CABAÇAL IRMÃOS ANICETE (Mestre Raimundo)
- REISADO ADULTO (Mestre Aldenir )
- COCO FEMININO ADULTO BATATEIRA (Mestra Edite Dias)

DIA 16 DE AGOSTO DE 2011 – TERÇA FEIRA
HORA APRESENTAÇÕES: 19h:00min
- COCO INFANTIL DA BATATEIRA ( Mestra Edite )
- REISADO DO MESTRE DEDA
- ABOIADORES: XEXÉU, LUIZ BISPO
- POETAS

DIA 17 DE AGOSTO DE 2011 – QUARTA FEIRA
HORA APRESENTAÇÕES: 19h:00min
- GRUPO RAIZES DO COCO DO MURITI ( Mestra Lucinha )
- EMBOLADORES –FLAVIANO, ANTONIO E GERALDO
- REISADO DA BELA VISTA E SERRARIA ( Mestre Carreiro)
- ACADEMIA DE CORDELISTA DO CRATO

DIA 18 DE AGOSTO DE 2011 – QUINTA FEIRA
HORA APRESENTAÇÕES: 19h:00min
- REISADO SÍTIO SÃO VICENTE (Mestre Galego)
-TRANQUILINO RIPUXADO
- GRUPO CINTURA FINA ( Mestra Zulene )
- VIOLEIROS MOACIR E JÚLIO CARNEIRO
- MAMULENGO CASSIMIRO COCO (Mestre Toni Brito)

DIA 19 DE AGOSTO DE 2011 – SEXTA FEIRA
HORA APRESENTAÇÕES: 19h:00min
- VIOLEIROS PEDRO, JOÃO E CHICO BANDEIRA
- REISADO INFANTIL V. LÔBO (Mestre Aldeni )
- REISADO DO SÍTIO CRUZEIRO ( Mestre Severino )
- ACADEMIA DE CORDELISTAS DO CRATO
- FORRÓ PÉ DE SERRA FERREIRINHA DO ACORDEON

DIA 20 DE AGOSTO DE 2011 – SÁBADO
HORA APRESENTAÇÕES: 19h:00min
- MANEIRO PAU INFANTIL ( Mestra Zulene Gaudino
- REISADO FEMININO VILA LÔBO ( Mestre Aldeni )
- ACADEMIA DE CORDELISTA DO CRATO
- FORRÓ PE DE SERRA XÔTA DO EXÚ

DIA 21 DE AGOSTO DE 2011 – DOMINGO
HORA APRESENTAÇÕES: 19h:00min
- REISADO INFANTIL DEDÉ DE LUNA ( Mestra Mazé)
- COCO DO SÍTIO QUEBRA ( Mestra Maria da Santa )
- MANEIRO PAU BAXIO DAS PALMEIRAS ( Mestre Chiquinho )
- FORRÓ PÉ DE SERRA TRIO FLOR DE PEQUI

DIA 22 DE AGOSTO DE 2011 – SEGUNDA FEIRA
HORA APRESENTAÇÕES: 14h:30min às 20h:30min
- CONCENTRAÇÃO DE TODOS OS GRUPOS NO CENTRO CULTURA DO ARARIPE.
- ENTREGA DO TROFÉU MESTRE DEDÉ DE LUNA
- CORTEJO ATÉ A PRAÇA DA SÉ PARA A ABERTURA DA FESTA DA PADROEIRA.

CATULLO TELES
PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MESTRE ELÓI

sábado, 2 de abril de 2011

Retomando as atividades do blog

Amigos e amigas frequentadores deste blog, após um bom tempo sem dar atenção a este espaço, estou voltando a postar textos, matérias de jornais e fotos no maravilhosomundocariri. Conto com a participação de todos. Obrigado pela atenção.

SANTO ANTÔNIO: Corte do pau da bandeira poderá ser embargado

Cortar árvore nativa só se tiver reflorestamento. É isto que exige Termo de Ajustamento de Conduta firmado em Barbalha

Barbalha. A Prefeitura deste Município não cumpriu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que foi assinado em 2008, entre o Ministério Público Federal, Prefeitura e órgãos ambientais, disciplinando a retirada de árvore da Área de Proteção Ambiental. É o que denuncia o engenheiro ambientalista do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICM-Bio), Pedro Augusto Carlos Monteiro, advertindo que, se não forem cumpridos os compromissos assumidos, mais uma vez, o transporte do pau será embargado, como aconteceu em 2008.

Monteiro afirma que nem mesmo o projeto de reflorestamento da área de onde é retirada a madeira foi feito. Ele argumenta que, por ocasião do corte da árvore, que servirá de mastro para a bandeira de Santo Antônio, dezenas de pessoas acompanham o ritual, o que tem causado um impacto ambiental significativo na área. O ambientalista do ICM-Bio sugere que, ao invés de uma planta nativa, seja utilizado um eucalipto, a exemplo do que ocorreu com a festa de São José, em Missão Velha.

Os carregadores do pau não querem nem ouvir falar na troca da árvore. Eles argumentam que tem de ser uma espécie vegetal do sopé da serra para cumprir a tradição de mais de 100 anos, conforme reforça o "capitão do pau", Rildo Teles. Novamente, ele foi escolhido para a função, e será reconduzido ao comando dos carregadores.

O secretário de Cultura e Turismo de Barbalha, Dorivan Amaro, garante que a Prefeitura está promovendo o plantio de mudas no sopé da Serra do Araripe. Ainda hoje ele vai levar a advertência do ICM-Bio ao conhecimento do prefeito de Barbalha, José Leite, para que sejam tomadas as providências. O tema da festa este ano será inspirado na Campanha da Fraternidade 2011: "Com Santo Antônio, vocacionados e convidados a defender a vida no planeta".

O corte do pau da bandeira está marcado para o dia 13 de maio, quando os católicos comemoram a aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos, na cidade portuguesa.

Bênção do vigário
A tradicional festa de Santo Antônio, padroeiro da cidade de Barbalha, acontece todos os anos no mês de junho. A tradição consiste em cortar um tronco com cerca de 20 metros e duas toneladas, na abertura da festa. A árvore recebe a bênção do vigário ainda na Serra do Araripe, e depois é levada até a sede da igreja, nos ombros dos devotos, reunindo milhares de pessoas. São 6km de caminhada carregando o tronco. Uma carroça leva a "cachaça do vigário" para os fiéis. No fim do percurso, o tronco é fincado em frente à Igreja Matriz e transformado em mastro para a bandeira de Santo Antônio.

São duas semanas de rezas, leilões, trezenas e festas populares. O Parque da Cidade, um espaço destinado à apresentação de bandas, se transforma num verdadeiro arraial com a instalação de barracas para a venda de comidas e bebidas, palcos e quermesse.

Nesta última semana, foram intensificados os preparativos com reuniões para discutir a programação.

Este ano, a comissão organizadora está sendo assessorada pela empresa Via de Comunicação, que pretende dar mais destaque aos grupos folclóricos.

No último dia 24, no Cine-Teatro Neroly Filgueira, o secretário de Turismo, Dorivan Amaro, e o diretor do Departamento de Patrimônio, Theófilo Ebert, reuniram-se com diversos segmentos da sociedade para apresentar o andamento do processo de tombamento da Festa do Pau da Bandeira como bem imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A conclusão do processo, segundo Dorivan, poderá ocorrer ainda este ano. Houve impasse na apresentação do projeto que indicou dois títulos: Festa do Pau da Bandeira e Festa dos Carregadores do Pau da Bandeira. O Iphan aguarda definição do nome.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter
Foto: KELLY FREITAS
Fonte: Diário do Nordeste/Regional/02.04.2011

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estátua do Padre Cícero será tombada e reformada

A estátua do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, depois de 40 anos de sua inauguração, finalmente vai receber cuidados especiais. O monumento, além de ter a estrutura restaurada, será tombado como patrimônio nacional. O projeto - iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ceará (Iphan–CE) - pretende preservar um dos maiores símbolos de religiosidade nordestina.

A restauração, que ainda não tem previsão para iniciar, custará cerca de R$ 150 mil, de acordo com o superintendente do Iphan Ceará, Clodoveu de Arruda. Ele informou que a verba já está garantida e o processo de licitação deve iniciar em breve. Paralelo à restauração, serão realizados estudos dos aspectos históricos, sociológicos, culturais e arquitetônicos do monumento para que seja tombado. O grupo de trabalho já começou inclusive a se reunir.

Para contemplar todo o projeto, que inclui ainda obras no entorno, Clodoveu informou que está sendo firmada uma parceria com o Governo do Estado. “A verba que já conseguimos (R$ 150 mil) é exclusivamente para a restauração da estátua”, explicou. Segundo ele, o governador Cid Gomes já se manifestou sinalizando apoio à reforma e ao tombamento. (Gabriela Meneses)

SAIBA MAIS
Com 27 metros de altura, o monumento jamais passou por uma restauração, recebendo apenas pequenos reparos.

A estátua, apesar da pintura desgastada e de pequenas rachaduras, não apresenta risco para visitantes.
No ano passado, a estátua estava sem a ponta dos dedos da mão direita . O problema foi resolvido com reparos emergenciais.

Em agosto, o Iphan iniciará o estudo dos lugares sagrados de Juazeiro. A ideia é identificar quais os pontos considerados sagrados pela tradição católica. A identificação permitirá a preservação da memória.

Fonte: O POVO

sábado, 19 de junho de 2010

Origens do cordel em mostra

Parceria entre Brasil e França viabiliza exposição que segue em cartaz até terça sobre as origens do cordel

Juazeiro do Norte. Um passeio pelo mundo do cordel. Uma inspiração originalmente nordestina com raiz francesa, num intenso intercâmbio entre o mundo medieval europeu e os sertões do Novo Mundo. A exposição "Traga a França para os meus versos e leve meus versos para a França" estará em cartaz no Sesc deste município até a próxima terça-feira. Nas prateleiras, uma forma didática para o público entender a trajetória do cordel, que veio se aliar à xilogravura somente no Nordeste brasileiro.

A forma didática como é feita a exposição permite conhecer qual é a origem do nome cordel, o maquinário utilizado para imprimir os folhetos e quando o cordel passou a ser levado para as feiras populares, pendurado em barbantes para a venda. Quadros de xilógrafos famosos, a importância da mulher no mundo dos versos populares e a própria história e seu momento mais importante também são abordados na mostra.

Mostra itinerante

Tudo isso pode ser visto de forma didática no espaço de exposição. De forma simples, como simples são os versos da poesia popular. A elaboração técnica e todo o processo de produção, desde a criação do mote, para seguir contando em rimas a história. O despertar para o público em geral, e também o envolvimento de grandes pesquisadores, a exemplo de Raymond Cantel, um dos maiores pesquisadores do cordel, chamado simplesmente de Raimundo por Patativa do Assaré, também são lembrados na mostra. O destaque para Cantel vem justamente da sua luta para o resgate e fortalecimento do cordel.

E Juazeiro, por ser um berço tradicional da poesia popular no Ceará, com a Lira Nordestina e seus inúmeros poetas, é a porta de entrada no Estado da exposição, segundo o coordenador da exposição Clóvis Arruda. O evento está sendo realizado por meio do Sesc, em parceria com Fonds Raymond Cantel e Universidade de Poitiers (instituições francesas), através do Ministério da Cultura brasileiro. No Ceará, a mostra deve passar por Juazeiro do Norte e Fortaleza. Além da exposição, serão promovidas oficinas, apresentações de música, exibição de filmes e manifestações relacionadas à literatura de cordel.

"Essa exposição oferece uma ocasião especial para apresentar ao público brasileiro os diferentes aspectos das relações intensas de diálogo, intercâmbio e enriquecimento recíproco entre poetas e gravadores com a Europa", destaca Dane de Jade, gerente de Cultura do Sesc e curadora da exposição. A expografia é de Clóvis Arruda e trilha sonora foi composta por Patrícia Palumbo (Rádio Eldorado).

França e Brasil

De acordo com Clóvis Arruda, o projeto nasceu em 2005, durante as comemorações do Ano do Brasil na França, com o trabalho Vida ou Verso, de São Paulo. O trabalho se configurou como uma oportunidade de participação também dos poetas caririenses, como Stênio Diniz, que lançou na noite de abertura da exposição, no dia 26 de maio, um folheto contando suas "Aventuras em Paris". Foram quatro exposições realizadas na França nesse período.

Uma das características dessa mostra de trabalho, conforme Clóvis, é a adaptação aos espaços, permitindo uma melhor interação e compreensão do público. "A mesma linguagem que apresentamos na França trouxemos para o Brasil", diz ele, ao acrescentar que é a mesma forma que se apresenta o cordel, mas trazendo para uma linha mais didática, educacional, para uma criança entrar e entender o que é um cordel e uma xilogravura e todo o processo de criação, além de sua história. São dois anos com esse formato menor e mais adaptado a mostras itinerantes.

MAIS INFORMAÇÕES
Coordenação da Exposição(Clóvis Arruda)
(11) 3676.0038
E-mail: terra@vista.com.br

Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste  - Regional - 19.06.2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Festa do Pau da Bandeira de Barbalha - 2010

Este ano não pude ir a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha. No entanto, apresento aqui algumas imagens da Festa feitas pelo fotógrafo Wilo Araújo. A Festa aconteceu no dia 30 de maio. Belíssimas fotos Wilo. Parabéns!




quarta-feira, 2 de junho de 2010

Barbalha se torna vitrine de manifestações folclóricas


Nota: Andei meio sumido aqui do Blog em razão do tempo. Mas, estou de volta para postar matérias, textos e informações sobre nosso maravilhoso mundo Cariri.

Durante 13 dias, a cidade de Barbalha está cheia de atrativos para quem quer reverenciar Santo Antônio

Barbalha. A Festa de Santo Antônio foi aberta no domingo, mas a tradicional programação durante os 13 dias de festa continua sendo realizada. Um dos principais atrativos são os grupos folclóricos. São cerca de 50, entre os quais penitentes, vaqueiros, maneiro pau, bandas cabaçais e reisados. Eles desfilam pelas ruas centrais da cidade. As imagens coloridas dos grupos enchem as ruas. A cidade se transforma numa vitrine das manifestações culturais da região do Cariri.

A imagem de Santo Antônio visita diversas ruas da cidade. Na Igreja Matriz é rezada a trezena, uma espécie de novena, que, diferentemente, da novena rezada em nove dias em homenagem ao santo (por ser o dia 13 o seu dia de festejo) é rezada em 13 dias. A trezena iniciada em Portugal foi levada pelos portugueses para outros países e antigas colônias. Ao lado da igreja, foram instaladas quermesses. É o ponto de encontro da tradicional família de Barbalha.

É a festa do reencontro, da confraternização e do aperto de mãos entre conterrâneos que estavam morando fora. A Prefeitura montou palcos em quatro pontos estratégicos da cidade com o objetivo de promover shows com artistas regionais. No palco Marco Zero, a programação foi aberta, ainda no domingo, com Dorgival Dantas, Cheiro Nordestino Fernandinho e Banda Casa de Reboco. Na Praça da Estação, já se apresentaram Ítalo e Reno, Flávio Leandro e Maninho e Banda. No Largo do Rosário, Caninana do Forró Joãozinho do Exu Luiz Fidelis. A maior movimentação ocorre no Parque da Cidade, um espaço reservado para eventos. A programação abriu com Nando Cordel, Chico Pessoa e Os Águias. Estão confirmados shows com Louro Santos e Victor Santos, Forró Moleca Atrevido, Yegor Gomes, Forró Tapera, Arreio de Ouro, Banda Encantus, Índio e Sua Tribo, Diassis Martins, Forró Caboclo, Chicabana, Forró de Taipa e Leonardo.

Uma figura que já virou destaque na cidade foi a empresária Socorro Luna. Solteirona "juramentada", como diria Odorico Paraguaçu, personagem da novela "O Bem Amado", ela transformou sua casa, na Rua do Vídeo, Centro, no polo de divulgação dos poderes milagrosos de Santo Antônio, conhecido como "Santo Casamenteiro". Ali, são vendidos kits com simpatias para casamento. A renda é destinada à paróquia.

É uma forma de alimentar a crendice de que a moça solteira que pega no pau da bandeira casa em menos de um ano. Em nome dessas lendas, são vendidos chás e kits milagres feitos com a casca do pau. Este ano é um jatobá, espécie considerada como medicinal. Socorro que, segundo afirma nunca casou porque não quis, mas sempre conseguiu pretendentes, graças a Santo Antônio, mandou estampar em frente à sua casa a frase: "Socorro Luna, a solteirona mais famosa do Brasil".

É verdade, a solteirona já foi entrevistada nos programas Jô Soares e Mais Você, da Rede Globo. Este ano, sua casa foi transformada num ponto de visitação. Ela diz que ser solteirona bem sucedida é um privilégio. Não faltam pretendentes.

Além de vender os kits feitos da casca do pau, Socorro mantém sob seu controle uma rede de devotos e devotas de Santo Antônio que conseguiram "desencalhar", ou estão com o casamento marcado. É o caso de Camila Soares que tocou na árvore da festa do ano passado. Este ano, ela voltou com o noivo, Alan Luna, com o casamento acertado para o próximo mês.

A origem da fama de Santo Antônio como santo casamenteiro, segundo o padre Renato Simoneto, vigário de Barbalha, deve-se ao fato de que ele era um excelente conciliador de casais. Segundo a lenda, essa fama do Santo remonta talvez a um episódio em que uma senhora, que fora reduzida à miséria, decidiu prostituir a própria filha para sair da pobreza.

A moça então recorreu à ajuda de Santo Antônio. Rezou com todo o fervor diante da imagem dele quando, de repente, caiu das mãos da estátua um bilhete que a moça pegou nas mãos. O bilhete era dirigido a um próspero comerciante da cidade e dizia: "Senhor N..., queira obsequiar esta jovem que lhe entrega este bilhete com tantas moedas de prata quanto for o peso do mesmo papel. Deus o guarde! Assinado: Antônio".

A jovem teve fé e levou o bilhete à loja do comerciante que pesou o papel, colocando o bilhete num prato da balança e uma moedinha de prata em outro. Mas, para surpresa, o bilhete pesava mais do que a moedinha de prata, e o comerciante, sem entender o que se passava, começou a colocar mais e mais moedas no prato da balança até conseguir equilibrar os dois pratos da balança com a soma de 40 escudos. A história correu pela cidade e a moça passou a ser procurada por rapazes bons e honestos que lhe propunham casamento. Ela escolheu um bom moço, casou-se e foi feliz. Daí em diante as mulheres que querem casar recorrem a Santo Antônio para pedir ajuda.

Enquete Integração

Roberto Maguila
Ex-jogador de futebol
Essa festa não tem dono. É do nosso povo, que derrama seu suor para conduzir o pau. É um momento muito importante

José Ricardo Bezerra
Carregador
Aqui só entra que tem força e coragem de se sujar, de se misturar com a gente. É tudo muito bom

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Cultura de Barbalha
Rua Pinto Madeira, 149, Centro
(88) 3532.1708/ (88) 2101.1919

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Homenagem a Nossa Senhora de Fátima

Ave Maria no morro
Composição: (Herivelto Marins)

Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura
Lá no morro
Barracão é bangalô

Lá não existe
Felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Tem alvorada, tem passarada
Alvorecer
Sinfonia de pardais
Anunciando o anoitecer

E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria
E o morro inteiro no fim do dia
Reza uma prece ave Maria

Ave Maria
Ave
E quando o morro escurece
Elevo a Deus uma prece
Ave Maria.

Ritual antecede corte do pau da bandeira

O corte foi de um jatobá com 137 centímetros de
diâmetro e mais de 20 metros de comprimento

A festa do Padroeiro de Barbalha, Santo Antônio, será aberta, oficialmente, no próximo dia 30 de maio

Barbalha. Cortado ontem o pau da bandeira da Festa de Santo Antônio de Barbalha. É um jatobá com 137 centímetros de diâmetro e mais de 20 metros de comprimento. A árvore, considerada mística pelos índios, foi retirada do Sítio Flores, a 10 quilômetros de Barbalha, no sopé da Serra do Araripe, ao lado de duas nascentes de água perene. A festa será aberta oficialmente no dia 30 com o carregamento do pau até a Igreja Matriz, onde ele será erguido com a bandeira de Santo Antônio, padroeiro da cidade.

O corte do pau da bandeira foi antecedido de um ritual. Os cortadores da árvore, tendo a frente o "Capitão do pau", Rildo Teles, foram abençoados pelo padre Renato Simoneto, vigário de Barbalha. Em seguida, o grupo seguiu de caminhão para o local do corte. Antes da derrubada do jatobá, os cortadores, de mãos dadas, rezam um Pai Nosso em torno da árvore. O primeiro corte é dado pelo capitão do pau, que comanda a movimentação dos carregadores.

Tradicionalmente, o corte do pau era feito no domingo, 15 dias antes da abertura da festa. Um Termo de Ajuste de Conduta (TEC), assinado pela Prefeitura e órgãos ambientais, orientou que o corte do pau seja feito no meio da semana com o objetivo de evitar a presença de curiosos que, segundo os ambientalistas, degradam a área de onde é retirado o pau. Mesmo assim, cerca 200 pessoas acompanharam a derrubada da árvore. Este ano, pela primeira vez, o curso de Geografia da Universidade Regional do Cariri (Urca) promove um estudo sobre a trilogia "fé, ambiente e cultura popular". O objetivo é promover uma interação entre estes valores que fazem parte da Festa de Santo Antônio. Sobre o reflorestamento, a Prefeitura diz estar cumprindo a sua parte.

No ano passado, foram plantadas 200 mudas de plantas nativas no sopé da Serra do Araripe. "Este ano, serão plantadas mais 200 mudas", garante o secretário de Cultura do Município, Dorivan Amaro. Depois de cortado, o pau foi puxado com um trator para o Sítio Roncador, a 3km do Sítio Flores. Ali, na chamada "cama do pau", na casa grande da fazenda, o jatobá é colocado para secar até o dia do carregamento, ou seja, domingo, dia 30.

Dali, a árvore será conduzida nos ombros dos devotos de Santo Antônio até a Igreja Matriz, onde será fincado, sob os aplausos da multidão.

Mudas

"No ano passado, foram plantadas 200 mudas de plantas. Este ano, serão mais 200 mudas"
Dorivan Amaro
Secretário de Cultura do Município de Barbalha

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Barbalha
Praça Princesa Isabel, Centro
(88) 2101.1919, ramal 223
(88) 9978.4735

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Manto na Ordem Santa Cruz - Penitentes – Igreja Rural Laica - Por Luiz Domingos de Luna*


É incrível ver a história humana solver no espaço tempo como uma estrela a emitir a sua luz na infinitude do cosmo, porém, se ela existe ou não é uma abstração e objeto de estudo dos cientistas astrônomos, pois é interesse da ciência.

Quando o assunto é norteado para a atuação da Ordem Santa Cruz – Penitentes – Santa Igreja de Roma, tudo vira um imbróglio generalizado. Os escritores e abnegados do assunto, via de regra, usam uma linguagem laica para explicar o sagrado, e o sagrado na sua constância atemporal, com justa razão, guarda no cofre do mundo espiritual os mistérios de fé, na constância da linha inalterada da alma humana em projeção de fé em expansão.

A matéria a vagar, um fragmento ao martírio, como semente de fé para os que professam um ponto de referência, uma luz, um ponto de segurança neste espaço tempo dissolvido em momentos, dúvidas para uns, mistérios para outros, certeza, incertezas um manto a cobrir todo o aparato existencial como um carrossel giratório sem um eixo lógico. Parece que a tônica do tema, o alimento do debate é sempre a dúvida, a certeza parecer ser o que menos importa, até parece que o grande objetivo é a criação de versões.

Não há seriedade no aprofundamento dos assuntos pertinentes ao estudo da Ordem Santa Cruz por quê? Ora, o estado brasileiro é laico, porém nada impede um estudo feito ou direcionado para um setor religioso, com a finalidade do engrandecimento da epistemologia genética da humanidade para o bem.

Qualquer cova perdida no matagal da ignorância laica é motivo para parar o processo, ou mesmo, o estudo a que se pretende, por quê? Existe uma dívida, um débito material, um débito espiritual uma guerra entre o mundo material e o mundo espiritual.
Dá para conciliar um estudo sério com um ponto de partida entre estes dois mundos, ou a natureza humana precisa desta cisão para existir.

Até quando temos que conviver com este manto.

É um manto Laico?
-Não sei
É um manto Religioso?
-Não sei
Se soubesse diria ?
-Com certeza não
Mas é assim que a coisa funciona

*Professor - Aurora - Ceará

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Barbalha: Jatobá será pau da bandeira do padroeiro Santo Antônio

JATOBÁ é uma planta nativa do cerrado, encontrada,
facilidade, no pé da serra do Cariri. Para a festa,
o pau vai medir mais de 22 metros de comprimento

O corte da árvore, para a festa do padroeiro de Barbalha, Santo Antônio, será realizado no próximo dia 15

Crato. Um jatobá, árvore considerada mística pelos índios, foi escolhida como pau da bandeira da festa de Santo Antônio, padroeiro de Barbalha. A indicação foi feita no último dia 25 por uma comissão de carregadores do pau, tendo a frente o "capitão do pau", Rildo Teles. O corte da árvore, marcado para o próximo dia 15, depende de autorização do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICM-Bio) e Área de Proteção Ambiental do Araripe (APA). O pau, de acordo com Rildo, mede mais de 22 metros de comprimento e pesa mais de duas toneladas.

O representante das duas instituições ambientais, William Brito, disse que, a princípio, não há nenhum problema. "Não é esta a primeira vez que o jatobá é utilizado como mastro da bandeira de Santo Antonio. Mas nós vamos lá de hoje para amanhã, com a finalidade de analisar o impacto ambiental causado pela retirada da árvore", garantiu o chefe da Apa Araripe. Desde 2008 que a retirada do pau é acompanhada pelo Ministério Público e órgãos ambientais com o objetivo de reduzir a degradação do ecossistema. Este ano, a comissão apontou três árvores: um jatobá, uma rama branca e um jacarandá, localizadas nos sítios São Joaquim e Flores, no pé da Serra do Araripe. O técnico ambiental do ICM-Bio, Pedro Augusto, adverte que, até o momento, não foi cumprido o Termo de Ajuste de Conduta (TEC) assinado em 2008 entre a Prefeitura e o Ministério Público, obrigando o poder executivo a reflorestar a área devastada. "Este é o segundo ano que o pau é cortado sem o cumprimento do acordo", diz Augusto. Rildo Teles informou que, em 2009, foram plantadas mudas de jatobá, angico e pau d´arco no pé da serra. Esclareceu que o compromisso dele é com a retirada do pau de dentro da mata. "Estamos tomando todas as providências para não danificar a área", garantiu.

Depois de cortada, a árvore é colocada no sol para secar. O carregamento do pau da bandeira ocorre no dia 30 com a presença, segundo estimativa da coordenação da festa, de mais de 300 mil pessoas. O ritual começa ao meio-dia com os carregadores, de mãos dadas, rezando o Pai Nosso, na chamada "cama do pau", local onde a árvore foi colocada para secar.

Este ano o corte e o carregamento do pau da bandeira de Barbalha serão acompanhados por técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que incluiu a festa no programa de pesquisa, tendo em vista o tombamento do evento como patrimônio imemorial da cultura popular.

Além da festa, o Iphan incluiu outros equipamentos da cultura popular no seu programa de preservação.

Compromisso

"Não é cumprido o Termo de Ajuste e Conduta (TEC) que foi assinado em 2008"
Pedro Augusto
Técnico ambiental do ICM-Bio

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura de Barbalha
Rua Princesa Izabel, 187
(88) 3532.0090/ (88) 3532.0187
(88) 3532.3022

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 20 de abril de 2010

Imagens da Missa do Padre Cícero

Hoje, dia 20, foi celebrada a tradicional missa das 6h em memória do Padre Cícero Romão Baptista. Uma multidão de fiéis e devotos se fez presente à celebração presidida por Dom Fernando Panico e concelebrada por diversos sacedortes. Na sua homilia, Dom Fernando leu o artigo do Dom Odilo Scherer, Cardeal -Arcebispo de São Paulo, publicado no Estado de São Paulo, dia 11/04/2010, sobre os últimos acontecimentos eclesiásticos envolvendo casos de pedofilia praticados por sacerdotes. Vou publicar o texto de Dom Odilo no próximo post. Agora, algumas imagens da tradicional missa, em frente à Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Devotos e romeiros assistem a Santa Missa

Dona Magnólia, minha santa mãe

Cafezinho antes do inicio da Santa Missa

Maria da Paz, minha esposa, a mais nova romeira do Pe. Cícero

Prof. Zé Carlos, Secretário de Turismo e Romarias


Pro. Cunha, o Cientista Romeiro

Dom Fernando Panico, o Bispo Romeiro

Devota lendo suas orações

Terços e Rosários

Devoto rezando o rosário

Beato/Penitente pregando para o povo

Fotos: Maria da Paz e Océlio Teixeira

domingo, 18 de abril de 2010

Beatas protagonizam milagres

Pesquisa revela papel de outras beatas, reunidas em torno de Apostolado fundado por Padre Cícero


Fortaleza. Um padre, uma beata e uma hóstia transmutada em sangue. Tanto na "história oficial" como nas narrativas populares, estes são os protagonistas do fenômeno que transformou uma pequena comunidade em um espaço sagrado e alçou o padre local à categoria de santo, mesmo à margem da Igreja Católica. Mas ao se debruçar no processo episcopal que investigou o chamado "milagre de Juazeiro", encontram-se não apenas os relatos de Maria de Araújo, como também a descrição de "fenômenos extraordinários" experimentados por outras beatas que faziam parte do Apostolado do Sagrado Coração, fundado pelo Padre Cícero um ano antes do episódio da hóstia.

As experiências místicas dessas mulheres e a construção, a partir de seus relatos, de Juazeiro como um lugar sagrado são o tema da dissertação da historiadora Edianne dos Santos Nobre, mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Intitulado "O Teatro de Deus: a construção do espaço sagrado de Juazeiro a partir de narrativas femininas (Ceará, 1889-1898)", o trabalho ressalta a participação dessas mulheres no meio social e religioso, bem como o silêncio imposto pela Diocese do Crato ao darem testemunho de suas vivências místicas.

Sagrado feminino

Ao cruzar informações do processo episcopal que investigou o suposto milagre da hóstia e da correspondência dos vários personagens envolvidos no caso, Edianne Nobre percebeu um envolvimento maior e bem mais relevante de outras beatas do que até então se conhecia. Em seus depoimentos, as mulheres descreviam viagens ao Purgatório, Céu e Inferno, aparecimento de hóstias ensanguentadas, estigmas de crucificação em seus corpos, sangramento de crucifixos de metal maciço, relatos de visões, profecias, êxtases e comunhões espirituais.

Juazeirense, foi durante a pesquisa que a historiadora se deparou com relatos até então ausentes do que se sabia sobre o milagre. "Na memória local e na historiografia não havia lugar para as beatas, a não ser para considerá-las fanáticas e histéricas, isto quando apareciam de alguma forma. A beata Maria de Araújo era praticamente a única no cenário e mesmo assim apresentada, ora como coadjuvante do evento, ora como embusteira. Parti do pressuposto de que os milagres que foram narrados no processo episcopal pelas beatas são os eventos fundadores de um dos maiores espaços devocionais do Brasil".

Novas personagens

Na investigação, a historiadora localizou o nome de oito beatas que assumiram ter experiências místicas: Ângela Merícia do Nascimento, Antonia Maria da Conceição, Anna Leopoldina Aguiar de Melo, Jahel Wanderley Cabral, Maria das Dores da Conceição de Jesus, Maria Joanna de Jesus, Maria Leopoldina Ferreira da Soledade e Rachel Sisnando de Lima.

Muitas dessas mulheres viviam em casas de caridade, criadas pelo Padre Ibiapina para abrigar órfãs, viúvas e outras mulheres que não tivessem o amparo masculino. "No final do século XIX, os espaços de atuação social eram bastante limitados para as mulheres. Minha hipótese é que elas se reuniam em torno do Apostolado do Sagrado Coração, criado em 1888 e que congregava mulheres leigas no povoado de Juazeiro do Norte", aponta.

A historiadora explica que, naquele período, havia um esforço da Igreja Católica em promover a romanização dos espaços religiosos, afastando os fiéis de práticas devocionais populares. Instituições como o Apostolado do Sagrado Coração faziam parte das práticas de controle da atividade pastoral. Mas apesar de sua formação romanizada, Padre Cícero defenderá a ocorrência do fenômeno místico, pagando um alto preço.

Ironicamente, a primeira manifestação mística ocorreu após uma vigília do Apostolado do Sagrado Coração, realizada na Igreja de Nossa Senhora das Dores na madrugada da primeira Sexta-Feira da Quaresma de 1889. Foi quando, após receber a comunhão do Padre Cícero, a beata Maria de Araújo foi tomada por uma "veemente dor, unida ao mesmo tempo a uma grande consolação da alma". "O interessante é que a hóstia se transformava em sangue mesmo quando o Padre Cícero não ministrava a comunhão, e isso se repetiu por dois anos". Já em 1889, iniciam-se as primeiras romarias à Juazeiro, porém "o objeto de culto não era o Padre Cícero ou as beatas, e sim o sangue precioso".

Devoção

"Inicialmente, o objeto de culto não era o Padre Cícero ou as beatas, e sim o sangue precioso"
(Edianne dos Santos Nobre, Historiadora)

Repórtagem de Karoline Viana
Fotos: Acervo UNIFOR
Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ibiapina: o homem

Padre José Antonio de Maria Ibiapina, assim assinava aquele que o povo chamava de mestre Ibiapina, o maior missionário do Nordeste. Cujo centenário se celebrou em 1983. Hoje em dia ele está quase totalmente esquecido, mesmo no Nordeste, salvo em algumas comunidades rurais muito tradicionais em que se mantêm algumas devoções recomendadas por ele ou nas imediações de Santa Fé, perto de Arara, na Paraíba, onde foi sepultado. Cada ano em Santa Fé no dia 19 de fevereiro uma piedosa romaria reúne os últimos os últimos devotos do Padre Mestre.

Nada mais injusto do que o esquecimento em que caiu o grande missionário do sertão do Nordeste. Se tivesse tido continuadores, a face da igreja no Nordeste e no Brasil teria podido ser diferente. Mas a circunstância histórica não lhe foi favorável. Depois do Vaticano I, no Brasil a igreja entrou nos rumos da romanização e do ultramontanismo. Os bispos pediram a ajuda de religiosos europeus formados na mais estrita observância do Ultramontanismo. A Herança pastoral autóctona foi abandonada. Em torno à figura do maior e dos mais originais dos missionários do Nordeste, criou-se um silêncio de quase reprovação.

Ibiapina nasceu em 1806 numa fazenda perto de Sobral, no Ceará. O Seu pai era escrivão o público. Seu pai teve parte ativa na revolução de 1824, conhecida como confederação do Equador, e foi fuzilado. O Seu irmão mais velho. Pela mesma razão. Foi preso na ilha de Fernando de Noronha onde morreu misteriosamente. Estudou dois anos no seminário de Olinda de 1823 a 1825. Mas não se entrosou e saiu. Entrou na faculdade de direito recém fundada e formou-se aos 26 anos, assumindo imediatamente a cadeira de direito natural na escola de direito.

No ano seguinte, aos 27 anos, ele é juiz de direito e chefe da polícia em Quixeramobim. Aos 28 é eleito deputado federal na constituinte de 1834. (...) Em 1855, dois anos depois da ordenação, deixa o Recife definitivamente para buscar a sua vocação no sertão. Deixa a igreja instalada da capital pernambucana que a ninguém para buscar o povo de Deus perdido nesse interior interessa. Então começa a sua vida missionária. Os últimos 28 anos de sua vida vão fazer uma extraordinária carreira de missionário.

De 1860 a 1876 foram os anos da vida itinerante. A partir de 1876, Ibiapina, paralisado, instala-se em Santa Fé, continuando a dirigir asa suas fundações à distância. Aí morre em 1883.
É mestre de Ordem, Ordem Santa Cruz, - Penitentes - Forania do Aurora no Estado do Ceará, aos 28 dias do mês de março, 2009.

Transcrição: Luiz Domingos de Luna*
Fonte: Instruções espirituais do Padre Ibiapina/ José Comblin {organizador} – São Paulo: Ed. Paulinas, 1984.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma homenagem ao Santo mais querido do Nordeste

Em 24 de março de 1844, nascia na cidade de Crato, Cícero Romão Baptista. Portanto, há 166 anos chegou a este mundo o filho mais ilustre da Princesa do Cariri, o Cearense do Século XX. Cícero desde pequeno apresentou o desejo de ser padre. Fez voto de castidade aos 12 anos, influenciado pela vida de São Francisco de Sales. Entrou para o Semimário em 1865. Em 1870 foi ordenado e, a partir 11 de abril de 1872, passou a residir na vila de Tabuleiro Grande, que depois passou a ser chamada de Joaseiro e hoje a grande Juazeiro do Norte, uma das principais cidades do nordeste brasileiro.

Em Joaseiro Padre Cícero se tornou conselheiro e protetor dos mais pobres e humildes, desenvolvendo um tipo de apostolado diferente da maioria do clero daquela época. A decisão de ir morar em Joaseiro e de servir às pessoas carentes tem como base o sonho que Cícero teve, quando esteve naquele povoado, no natal do ano anterior. Nesse sonho, ele viu Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: - E você, Padre Cícero, tome conta deles! Cícero procurou ao longo de toda a sua vida cumprir o pedido, ou melhor, a ordem a ele dada pelo próprio Filho de Deus.

Neste dia, portanto, uma singela homenagem a este homem, santo e polêmico, que é capaz de atrair, anualmente, milhares e milhares de romeiros a Juazeiro do Norte. Viva nosso Padim Ciço! Viva Juazeiro! Viva o Crato! Viva o Cariri!

terça-feira, 23 de março de 2010

Colheita do pequi é encerrada com festa

Com programação diversificada, municípios se reuniram na
Serra do Araripe para a festa da colheita do pequi

Jardim. Missa, pega de boi e 48 horas de forró. Com esta programação, foi encerrada a colheita de pequi, em cima da Serra do Araripe. O evento, que reuniu catadores de pequis dos municípios de Jardim, Barbalha, Porteiras e Missão Velha, foi realizado, no "Rancho dos Pequizeiros", na margem da estrada que liga a cidade de Jardim à Barbalha, ao lado da Floresta Nacional do Araripe.

O organizador da festa - que durou dois dias -, Pequim Roriz, definiu o evento como um encontro de confraternização do Cariri e, principalmente, um momento de alegria para os pequizeiros que, depois de três meses, vivendo em acampamentos, em cima da serra, terminam o trabalho num clima de religiosidade e confraternização. A festa é uma reunião social.

Devido a pouca quantidade de pequi, o fruto já não é visto com em fartura, só misturado com a comida.

A instalação dos catadores em cima da serra começa no mês de janeiro. Ali, se reúnem mais de dez famílias, que passam três meses morando em barracos cobertos de plástico. A cata do pequi, que é vendido na beira da estrada, é a única fonte de renda destas famílias. Eles terminam a safra de barriga cheia, porque não falta baião-de-dois com pequi na alimentação, e ainda sobra um pouco de dinheiro no bolso, resultante da comercialização.

Este ano, a safra foi menor do que a do ano passado. O líder sindical, João Antônio Bernardino, que faz parte da Associação dos Catadores de Pequis, diz que a falta de chuvas prejudicou a colheita. Ele calcula que houve uma redução de 30%. O preço do cento de pequi variou de R$ 1,00 a R$ 10,00. O valor acompanha a oferta. No começo e no fim da safra do pequi, o preço sobe.

O mesmo ocorre com o óleo de pequi, que é feito da amêndoa do fruto. Bernardino, que já esteve na Europa divulgando o óleo de pequi, levado por uma Organização Não Governamental, diz que, este ano, não há perspectiva de exportação do óleo. O preço do litro, portanto, está em torno de R$ 15,00.

Uma das atrações este ano, além dos shows com Flávio Leandro, "Forró Direito", "Nordestinos do Forró" e os "Três do Cariri", que tocaram durante os dois dias, foi a "pega de boi", um esporte que vem se tornando popular no Cariri por ser o resgate das festas de apartação que deram início às vaquejadas. Na pega do boi, o animal é solto dentro da mata para ser derrubado, encaretado pelo vaqueiro que, vestido com gibão e perneira, leva o boi como prêmio.

Tradição

Nas fazendas de antigamente e também em cima da Serra do Araripe, o gado era criado solto em capoeiras e caatingas. A cada temporada ou fim de estação, os fazendeiros organizavam o que eles chamavam de "pega de boi". Uma festa onde se reuniam todos os vaqueiros da região para pegar o gado que vivia solto e que seria marcado a ferro, castrado e conduzido para áreas onde os pastos existissem em maior abundância.

Essa tarefa era difícil. Os animais viviam em áreas de mato fechado, cheias de espinhos e, também, galhos secos. O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem.

A festa do "Rancho dos Pequizeiros", que antes era restrita apenas aos catadores de pequis, se tornou um evento regional, com a participação de representações das maiorias dos municípios do Cariri. A estudante Isabel Munique, que já foi rainha da Vaquejada de Missão Velha, destacou a festa dos pequizeiros como um acontecimento diferente pelo fato de ser realizado em cima da Serra do Araripe, em contato com a natureza.

Safra

"A falta de chuva prejudicou a safra de pequi. A perda foi de 30%"
João Antônio Bernardino
Diretor da Associação dos Catadores de Pequis

"A festa da colheita é um acontecimento diferente, um contato com a natureza"
Isabel Munique
Ex-rainha da Vaquejada de Missão Velha

Reportagem: Antônio Vicelmo
Foto: Maurício Albano
Fonte: Diário do Nordeste

Professor diz que Padre Cícero se preocupava com a segurança alimentar

Uma Mesa Redonda seqüenciou na noite desta segunda-feira, no Campus Cariri da UFC (Universidade Federal do Ceará), a programação da 28ª Semana do Padre Cícero em comemoração aos 166 anos do sacerdote. O tema central foi “Padre Cícero, Padroeiro das Florestas” e atraiu dezenas de alunos lotando o auditório daquele estabelecimento de ensino. A abordagem central coube ao biólogo e professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Francisco Cunha.

A acolhida aos participantes foi feita pelo coordenador do Campus, Ricardo Ness, seguido pelo Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, que falou sobre a programação da Semana do Padre Cícero. Na mesa presidida pelo professor Daniel Walker e tendo como debatedor o engenheiro agrônomo e aluno do curso de Filosofia da UFC, William Brito, o palestrante definiu o Padre Cícero como um homem que se preocupava com a segurança alimentar das pessoas.

O professor Francisco Cunha chamou a atenção para outra preocupação do sacerdote que era a explosão demográfica e a necessidade do desenvolvimento, mas respeitando os limites com aproveitamento racional dos recursos naturais. Na opinião dele, o Cariri é uma região abençoada e apontou a experiência do Caldeirão do Beato José Lourenço como um “novo modelo em função da terra”. Observou ainda que, de um “vila paupérrima”, Juazeiro se tornou, em pouco tempo, numa das cidades mais importantes do Nordeste.

O palestrante estimou que, nos últimos quatro anos, os investimentos entre públicos e privados em Juazeiro e no Cariri foram da ordem de R$ 1 bilhão. A programação da Semana do Padre Cícero reserva para as 18h30min desta terça-feira, dia 23, apresentação de filmes e a inauguração do relógio remissivo do Centenário na Praça Padre Cícero. Às 20 horas, no adro da Capela do Socorro, o lançamento do romance “A Mulher Sem Túmulo”, de Nilze Costa e Silva.

Logo depois começa a XXII Seresta de Padre Cícero com a participação de 22 seresteiros homenageando o sacerdote. Convidados pelo município, 166 famílias juazeirenses levarão seus bolos para serem cortados a meia-noite em meio a um show pirotécnico, canto de parabéns e oferta do “Caldo da Nair”. Os destaques do dia 24 de março ficarão por conta da celebração de Missa, Corrida Padre Cícero entre Crato e Juazeiro e a tradicional Procissão das Flores.

Texto e foto: Demontier Tenório
Fonte: http://blogdojuazeiro.blogspot.com/

domingo, 21 de março de 2010

Penitentes vivem fé medieval

Os grupos de Penitentes do Interior do Estado se destacam como figuras do imaginário popular

Grupo de penitentes da cidade de Barbalha, do Sítio Cabeceiras.
Os integrantes já apareceram até no programa Fantástico, da Rede
Globo, e são destaque cultural da Festa de Santo Antônio

Crato. Emoldurado pela Chapada do Araripe, cercado de fontes naturais e florestas nativas, a região do Cariri se tornou o palco do misticismo do Nordeste. Igrejas, seitas, profetas que pregam o fim do mundo, grupos de penitentes e tipos messiânicos ainda sobrevivem nas ruas e na zona rural da região, apesar do crescente ritmo de desenvolvimento e modernidade.

Da miscigenação das diversas culturas resultaram mitos lembrados nas lendas da caipora, do lobisomem, da mãe d´água, do carneiro de ouro, do pai da mata, da lagoa encantada e outros tantos que povoam o imaginário popular.

No rastro dos índios, dos colonizadores e, principalmente, das levas de romeiros que aportaram no Cariri, trazendo usos e costumes de suas terras, surgiram organizações religiosas com práticas medievais, entre as quais, os grupos de penitentes que se espalham em toda a região. O mais conhecido deles é o do Sítio Cabeceiras, município de Barbalha, que já apareceram até no programa Fantástico, da Rede Globo. Eles transformaram-se em um dos principais destaques na programação cultural da Festa de Santo Antônio, em Barbalha.

Descoberta

Recentemente, o Diário do Nordeste descobriu no município de Porteiras um grupo de penitentes que, até então, não se apresentava em público e nunca foi fotografado ou filmado. São agricultores rústicos que varam as madrugadas sertanejas, rezando e cantando nos cemitérios e nas cruzes de beira de estrada. Andam sempre reunidos, entoando cantochões. Mas no centro urbano, atravessam as ruas silenciosamente, parecendo fantasmas pela diferente figura que apresentam. Ao se aproximarem dos sítios, principalmente em trechos assinalados por crucifixos, as conhecidas cruzes das estradas do sertão, entoam o seu canto que é triste, lamentoso, como um gemido de alma perdida.

Esta teologia remonta aos frades cartuxos espanhóis do primeiro milênio do cristianismo. Permaneceu congelada no sertão do Nordeste, estimulada periodicamente por líderes místicos como o padre Ibiapina e o Padre Cícero Romão Batista, o "Padim Ciço", venerado como santo pelos nordestinos. A cruz do decurião dos penitentes de Porteiras, por exemplo, foi doada pelo Padre Cícero, segundo contam.

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cariri comemora aniversário do Padre Cícero

Mesmo com menor público, em comparação às romarias, a Semana do
Padre Cícero tem início a partir de hoje

Juazeiro do Norte. A festa de aniversário dos 166 anos do Padre Cícero começa hoje, com abertura da Exposição Fotográfica sobre o "Padim" (ExpoCícero), com mais de 100 fotos do sacerdote, algumas delas inéditas. O material pertence a colecionadores e historiadores do município. As comemorações vão acontecer, de 18 a 24, na XXVIII Semana do Padre Cícero. Este momento, mesmo com uma participação mínima de romeiros, é marcado pela alegria e uma forma de agradecimento do povo de Juazeiro ao fundador da cidade. É também um período que se caracteriza pela fase de plantio nos estados nordestinos, impedindo uma participação maior dos romeiros, em relação ao número de fiéis das romarias tradicionais.

Segundo o professor Daniel Walker, pesquisador e escritor da história do religioso e de Juazeiro, a festa é uma forma de agradecimento ao Padre Cícero, e se caracteriza pela alegria. Já as tradicionais romarias, estão mais associadas à saudade. Mas, ao longo dos 18 anos de realização da Semana, com a inserção do poder público, houve um incremento nas atividades. Além das atividades nas escolas, este ano o evento se amplia, levando debate para a Universidade Federal do Ceará (UFC). No dia 22, às 19 horas, acontecerá a mesa redonda, com o tema "Padre Cícero, Padroeiro das Florestas", com pesquisadores, docentes e alunos.

Daniel Walker afirma que, em vida, o Padre Cícero já comemorava em sua residência o aniversário, com grande participação popular. Após a sua morte, as pessoas continuaram comemorando. "As romarias têm um número maior de pessoas, por ser outra forma de expressão, que se caracteriza pela saudade", reafirma ele. No dia da missa de aniversário, 24, às 6 horas, há a presença de romeiros, mas são mais funcionários públicos, aposentados, já que a grande maioria dos devotos provém das áreas rurais nordestinas.

Ele recorda a infância do "Padim", com a prática de soltar balões na noite de aniversário, abolida por conta dos riscos de incêndio. O show pirotécnico continua. O bolo gigante, coordenado por Mãe Cicinha, e feito de forma coletiva, é cortado no dia 23. Uma festa que há 22 anos acontece, no Bairro Socorro, nas proximidades da Capela, acompanhada de uma seresta comemorativa.

Na Praça do Socorro, ocorrem apresentações dos filmes: Dona Ciça do Barro Cru e Patativa - Ave Poesia, dia 23, às 18h30. Nos primeiros momentos, quando era apenas por iniciativa popular, o devoto Severino Alves, já falecido, saía no comércio solicitando apoio para as comemorações. A participação dos grupos de tradição popular também acontece. Há grupos que vêm de fora para reverenciar a figura do Padre Cicero neste dia.

Durante o mês de comemoração do aniversário do sacerdote, a tradicional missa do dia 20, que lembra a sua morte, no dia 20 de julho, chega a ter grande quantidade de fiéis. Esse momento fez parte de uma de suas recomendações, para haver celebração. No dia 24, feriado na cidade, a alvorada festiva acorda a população. Às 6 horas, a missa acontece na Praça da Capela do Socorro, onde estão os restos mortais do padre.

No mesmo dia, acontece a Corrida Padre Cícero, com saída do Crato em direção ao Juazeiro, às 8 horas, a tradicional Procissão das Flores, às 17 horas, saindo da sede da entidade organizadora, Sociedade Padre Cícero. Segundo o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, este ano há uma solicitação para que os participantes levem imagens do padre e fotos, além das flores. É neste dia em que há uma participação popular mais expressiva.

Gratidão

"Sempre considerei esse momento uma festa de gratidão do povo de Juazeiro do Norte"
Daniel Walker
Pesquisador e escritor

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.4040

Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste
Nota: Programação: http://www.juazeiro.ce.gov.br/

terça-feira, 16 de março de 2010

Escolhida a logomarca dos 100 anos de Juazeiro

O centenário de Juazeiro do Norte, comemorado em 22 de julho de 2011, já tem logomarca oficial definida. Dentre 85 propostas inscritas, foi escolhida a ideia de Cícero Reginaldo Farias da Silva, artista plástico local.

A logomarca destaca a imagem do fundador da cidade, padre Cícero, à frente de um número 100 dourado. Abaixo, aparece um laço com a inscrição “Centenário de Juazeiro do Norte” e imagens da cidade.

O criador da logomarca explica que a cor dourada enfatiza a grandiosidade do evento. Quanto ao laço, ele diz representar as fitas dos romeiros e a a hospitalidade juazeirense. Não ficaram de fora da imagem elementos da cidade, como a ladeira do Horto, a Igreja Matriz e dois pés de juazeiro.

O resultado será publicado hoje no Diário Oficial do município e o vencedor receberá prêmio de R$ 5 mil pelo trabalho, que deve estar em todas as peças do centenário. Conforme O POVO noticiou no último dia 25, o Ministério do Turismo deve liberar R$ 10 milhões para as obras do “Complexo do Centenário

Fonte: Jornal O POVO

segunda-feira, 15 de março de 2010

CABELO DO CÃO É ELEITO JUDAS 2010

10ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS 2010

ELEIÇÃO DO JUDAS – ATA DE APURAÇÃO

Aos 14 dias do mês de março do ano 2010, sob a Coordenação Geral do prof. Cacá Araújo, concluiu-se, no Bar do Evandro – Escritório Central da Malhação do Judas, sito à rua Ratisbona, n.º 375, Crato-CE, a apuração dos votos do Judas 2010. Após a totalização dos sufrágios, verificou-se que participaram do pleito 11.995 votantes. Concluída a contagem, não havendo nenhum recurso impetrado por quaisquer dos indicados reclamando para si o direito de subir à forca no dia 3 de abril do corrente ano, Sábado de Aleluia, no Largo da RFFSA – Centro Cultural do Araripe / Crato, em virtude de haver traído o povo com requinte de maior sacanagem e ou maldade, gozando de maior índice de antipatia, o Presidente da Junta Eleitoral do Judas 2010, Evandro Saraiva Primo, proclamou o resultado da eleição, que vai consignado na presente ata, na ordem decrescente do número de sufrágios recebidos, ficando autorizada a severa malhação do eleito.

ELEITO: Cabelo do Cão (Nº de Votos: 6.334 - 52,80%)
1º Suplente: Big Brother (Nº de Votos: 1.694 - 14,12%)
2º Suplente: José Roberto Arruda (Nº de Votos: 1.615 - 13,46%)
3º Suplente: Violentino – O Monstro da Insegurança (Nº de Votos: 1.416 - 11,00%)
4º Suplente: Madame Doença (Nº de Votos: 501 - 4,17%)
Nulos - Nº de Votos: 128 (1,90%)
Em Branco - Nº de Votos: 307 (2,55%)
TOTAL DE VOTANTES: 11.995

Nada mais havendo a tratar, foi declarada encerrada a apuração, cujo resultado será distribuído a toda a imprensa, seja ela falada, escrita, televisada, internetizada, psicografada, gesticulada, ou fuxicada. “E era só”.

JUNTA ELEITORAL DO JUDAS: Presidente – Evandro Saraiva Primo; Secretária – Lílian de Carvalho Araújo; Orador Oficial – Chico Morais; Coordenadora de Trânsito de Urnas – Joseany Ferreira Oliveira Lobo; Delegado da Fronteira Crato-Juazeiro – Edilberton Menezes Joquinha; Chefe de Segurança – Valdenôr de Araújo.

PROGRAMAÇÃO

Malhação do Judas: dia 3 de abril de 2010 (Sábado de Aleluia)

14 horas: 1. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha e Jaraguá de reisados locais, por atores em seus personagens regionais Chica Curuja (Joseany Oliveira), Geroplícia (Orleyna Moura), Zé de Baca (Cacá Araújo), Buneca de Lôça (Mª Isaura Araújo), Chicó (Flávio Rocha), Sivirino Cipó Cravo (Franciolli Luciano), Maria Capionga (Tereza Cândido), Fofolete do Sertão (Gabriela Melo), Zefa Rapa-Côco (Charline Moura), Eufrosina Barraquêra (Lílian Carvalho), Carrim do Bago Mole (Edival Dias), Cabôco Fumadô (Jardas Araújo), Cumade Meropéia (Mônica Batista), Tanajura Cafuné (Jonyzia Fernandes), Perpa Criolina (Lorenna Jéssica), Lôra do Banhêro (Françoi Fernandes), Cão Côxo (Josernany Oliveira), Serpentina Vuadora (Joênio Alves), Mutuca Lombrada (Felipe Tavares), Carrapato de Musquito (Márcio Silvestre), Medusa Bombril (Andecieli Martins), Dona Pomba (Mariana Nunes), Tranquilino Ripuxado (Pedro Ernesto Morais), Coroné Barduíno (Adauberto Amorim), Cabinha do Babado (Paulo Henrique Macêdo), Luizinho Brega Star (Tio Bibi), Vitalino Fura-Fura (Lifanco), Zé Bocoió (Aécio Ramos), Maria Matusquela (Teresa Ramos) e Raul Canga-Seixas, Jurema Catolé (Carla Hemanuela), Beata do Chafurdo Bom (Kelyenne Maia), Virgulino Goiaba (Danilo Brito). Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Centro (Bodega do Joquinha, rua dos Cariris) – Praça 3 de Maio – Praça Siqueira Campos – Praça da Sé – Bar do Gil – Rua da Vala – Av. Duque de Caxias – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe.

16 horas: 1. Chegada ao Sítio do Judas, montado no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo).
18:30 horas: 1. Leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo.
19:30 horas: 1. Forró pé-de-serra com Luizinho Brega Star, Sílvio Clay e Trio Flor do Pequi.
22:00 horas: Encerramento.

Realização:
Sociedade Cariri das Artes - Ponto de Cultura do Brasil
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Circo-Escola Alegria / Projeto Circo do Sopé

Parceria:
Secretaria de Cultura do Município do Crato
Coletivo Camaradas
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Sociedade de Cultura Artística do Crato

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
SECULT / Governo do Estado do Ceará
Ministério da Cultura / Governo Federal

Texto: Cacá Araújo
Fonte: Blog do Crato

sábado, 13 de março de 2010

Fósseis do Cariri ganham documentário

"Formação Romualdo, um Milagre Paleontológico" é um documentário que busca preservar os fósseis

Juazeiro do Norte. Os fósseis da Chapada do Araripe de forma didática, para o grande público, em linguagem acessível, estarão disponíveis a partir do segundo semestre deste ano, com o filme documentário "Formação Romualdo, um Milagre Paleontológico". O trabalho está em fase de finalização, com a captação das filmagens. Os fósseis tridimensionais da formação Romualdo, de ampla diversidade e conservação admirável, conforme os pesquisadores, serão o foco das atenções.

A ideia é produzir um filme de 45 minutos. A coordenação, pesquisa e roteiro são do professor Álamo Feitosa, doutor em Paleontologia pela Universidade Regional do Cariri (Urca), e que atualmente está à frente do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri. Este é o primeiro documentário produzido na região sobre os fósseis.

Será uma oportunidade de levar ao público a realidade das pesquisas, já desenvolvidas por estudiosos do Cariri, como também abordar questões relacionadas ao tráfico e a importância das peças para a Paleontologia mundial. Esses são referenciais importantes dentro da abordagem, segundo o professor. "O que me levou a fazer este trabalho foi ter a oportunidade de ver muitos documentários e reportagens. Alguns muito bons e outros que passavam uma realidade aos olhos de quem é de fora, com algumas coisas muito convenientes para agradar quem está em outras localidades, que não o Cariri", justifica.

Ele afirma que a linguagem do cinema torna a mensagem mais acessível, para levar a ciência até a comunidade em geral, principalmente aos estudantes. Para o docente, é importante que as pessoas tenham conhecimento da situação ímpar dos fósseis da região, se comparado a outras formações geológicas. "A gente primou por imagens boas, mostrando como se faz uma escavação geológica e suas dificuldades e falando especificamente da formação Romualdo, e como esse fóssil é diferente e especial", destaca.

A formação Romualdo fica num estrato da Chapada do Araripe, localizado em partes do Ceará, Piauí e Pernambuco. Afloramentos importantes podem ser encontrados em Santana do Cariri, Crato e Barbalha.

Conforme o professor Álamo, a formação Romualdo tem uma especificidade, que qualifica especialmente esse material para a exibição no documentário. Primeiro pela abundância incomensurável de fósseis, com espécies vegetais a animais, e o caráter tridimensional, que tem facilitado os trabalhos e descobertas científicas. "É como se o animal tivesse morrido e ficasse congelado", ressalta o pesquisador. Álamo exemplifica os peixes encontrados nas concreções rochosas. Para ele, poder-se-ia dizer que tinha morrido há meia-hora. "É um estado de preservação que em nenhum outro lugar do mundo se encontra".

Jackson Bantim, conhecido como Bola, caririense com mais de 30 anos produzindo filmes, inclusive de ficção, inaugura mais um momento de sua carreira. Ele faz parte do Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino (Imago), da Urca, que está produzindo o material. O cineasta destaca a importância do documentário como elemento importante de registros da diversidade do Cariri. E a experiência de cinema de Jackson, conforme Álamo, não está sendo poupada. "Não podemos ficar limitados a escrever artigos para revistas internacionais e estar muito longe da realidade do dia a dia das pessoas da região", afirma.

São mais de sete horas de filmagem, mais de 90% delas produzidas nas minas de calcário de Santana do Cariri, em apenas um dia. Outras serão feitas no Museu de Paleontologia, após a reinauguração, até o mês de maio, e no estuário, em Recife, além de mais algumas entrevistas. A ideia, no estuário, é destacar a proximidade com o Cretáceo, era geológica da formação dos fósseis da Chapada, de mais de 110 milhões de anos. Mostrar a área de contato de águas calmas, dos rios, com o oceano. Um especialista em influência marinha mostrará o comportamento de animais.

Álamo considera as escolas um bom alvo para levar o documentário. Nas áreas de minas, e são mais de 90 na região, muitas crianças são filhos de mineradores. Pessoas que, muitas vezes, ainda não têm a consciência de preservação desse material, e podem até traficar, pela necessidade de sobrevivência. A orientação será de grande importância, conforme ele, para formar uma nova consciência de preservação desse material.

Tráfico

O tráfico de fósseis entra no filme, com depoimento de duas pessoas que traficavam antes, e hoje estão atuando em prol da preservação. Um deles estuda Biologia, Bonifácio Malaquias Ferreira. O lançamento do trabalho deverá acontecer na exposição do Crato, com uma sala de cinema no estande da Urca.

Bantim destaca o trabalho como um documento em movimento, com o referencial da escrita e da fotografia, juntos. "São essas três vertentes que esse filme vai ter: imagem, movimento e escrita". Também deverão ser feitas traduções, porque o filme será levado aos geoparks do mundo, na Europa e na China, já que o Geopark Araripe faz parte da Rede Global. Passa a ser um instrumento de divulgação internacional. O filme, além da Urca, conta com a inserção do Projeto Geopark Araripe e Instituto Nacional de Paleontologia e Arqueologia. A trilha exclusiva será dos meninos da Fundação Casa Grande.

MAIS INFORMAÇÕES
Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino
(Imago), Crato (CE)
(88) 3102.1202

Reportagem e fotos: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste