segunda-feira, 29 de março de 2010

Ibiapina: o homem

Padre José Antonio de Maria Ibiapina, assim assinava aquele que o povo chamava de mestre Ibiapina, o maior missionário do Nordeste. Cujo centenário se celebrou em 1983. Hoje em dia ele está quase totalmente esquecido, mesmo no Nordeste, salvo em algumas comunidades rurais muito tradicionais em que se mantêm algumas devoções recomendadas por ele ou nas imediações de Santa Fé, perto de Arara, na Paraíba, onde foi sepultado. Cada ano em Santa Fé no dia 19 de fevereiro uma piedosa romaria reúne os últimos os últimos devotos do Padre Mestre.

Nada mais injusto do que o esquecimento em que caiu o grande missionário do sertão do Nordeste. Se tivesse tido continuadores, a face da igreja no Nordeste e no Brasil teria podido ser diferente. Mas a circunstância histórica não lhe foi favorável. Depois do Vaticano I, no Brasil a igreja entrou nos rumos da romanização e do ultramontanismo. Os bispos pediram a ajuda de religiosos europeus formados na mais estrita observância do Ultramontanismo. A Herança pastoral autóctona foi abandonada. Em torno à figura do maior e dos mais originais dos missionários do Nordeste, criou-se um silêncio de quase reprovação.

Ibiapina nasceu em 1806 numa fazenda perto de Sobral, no Ceará. O Seu pai era escrivão o público. Seu pai teve parte ativa na revolução de 1824, conhecida como confederação do Equador, e foi fuzilado. O Seu irmão mais velho. Pela mesma razão. Foi preso na ilha de Fernando de Noronha onde morreu misteriosamente. Estudou dois anos no seminário de Olinda de 1823 a 1825. Mas não se entrosou e saiu. Entrou na faculdade de direito recém fundada e formou-se aos 26 anos, assumindo imediatamente a cadeira de direito natural na escola de direito.

No ano seguinte, aos 27 anos, ele é juiz de direito e chefe da polícia em Quixeramobim. Aos 28 é eleito deputado federal na constituinte de 1834. (...) Em 1855, dois anos depois da ordenação, deixa o Recife definitivamente para buscar a sua vocação no sertão. Deixa a igreja instalada da capital pernambucana que a ninguém para buscar o povo de Deus perdido nesse interior interessa. Então começa a sua vida missionária. Os últimos 28 anos de sua vida vão fazer uma extraordinária carreira de missionário.

De 1860 a 1876 foram os anos da vida itinerante. A partir de 1876, Ibiapina, paralisado, instala-se em Santa Fé, continuando a dirigir asa suas fundações à distância. Aí morre em 1883.
É mestre de Ordem, Ordem Santa Cruz, - Penitentes - Forania do Aurora no Estado do Ceará, aos 28 dias do mês de março, 2009.

Transcrição: Luiz Domingos de Luna*
Fonte: Instruções espirituais do Padre Ibiapina/ José Comblin {organizador} – São Paulo: Ed. Paulinas, 1984.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma homenagem ao Santo mais querido do Nordeste

Em 24 de março de 1844, nascia na cidade de Crato, Cícero Romão Baptista. Portanto, há 166 anos chegou a este mundo o filho mais ilustre da Princesa do Cariri, o Cearense do Século XX. Cícero desde pequeno apresentou o desejo de ser padre. Fez voto de castidade aos 12 anos, influenciado pela vida de São Francisco de Sales. Entrou para o Semimário em 1865. Em 1870 foi ordenado e, a partir 11 de abril de 1872, passou a residir na vila de Tabuleiro Grande, que depois passou a ser chamada de Joaseiro e hoje a grande Juazeiro do Norte, uma das principais cidades do nordeste brasileiro.

Em Joaseiro Padre Cícero se tornou conselheiro e protetor dos mais pobres e humildes, desenvolvendo um tipo de apostolado diferente da maioria do clero daquela época. A decisão de ir morar em Joaseiro e de servir às pessoas carentes tem como base o sonho que Cícero teve, quando esteve naquele povoado, no natal do ano anterior. Nesse sonho, ele viu Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: - E você, Padre Cícero, tome conta deles! Cícero procurou ao longo de toda a sua vida cumprir o pedido, ou melhor, a ordem a ele dada pelo próprio Filho de Deus.

Neste dia, portanto, uma singela homenagem a este homem, santo e polêmico, que é capaz de atrair, anualmente, milhares e milhares de romeiros a Juazeiro do Norte. Viva nosso Padim Ciço! Viva Juazeiro! Viva o Crato! Viva o Cariri!

terça-feira, 23 de março de 2010

Colheita do pequi é encerrada com festa

Com programação diversificada, municípios se reuniram na
Serra do Araripe para a festa da colheita do pequi

Jardim. Missa, pega de boi e 48 horas de forró. Com esta programação, foi encerrada a colheita de pequi, em cima da Serra do Araripe. O evento, que reuniu catadores de pequis dos municípios de Jardim, Barbalha, Porteiras e Missão Velha, foi realizado, no "Rancho dos Pequizeiros", na margem da estrada que liga a cidade de Jardim à Barbalha, ao lado da Floresta Nacional do Araripe.

O organizador da festa - que durou dois dias -, Pequim Roriz, definiu o evento como um encontro de confraternização do Cariri e, principalmente, um momento de alegria para os pequizeiros que, depois de três meses, vivendo em acampamentos, em cima da serra, terminam o trabalho num clima de religiosidade e confraternização. A festa é uma reunião social.

Devido a pouca quantidade de pequi, o fruto já não é visto com em fartura, só misturado com a comida.

A instalação dos catadores em cima da serra começa no mês de janeiro. Ali, se reúnem mais de dez famílias, que passam três meses morando em barracos cobertos de plástico. A cata do pequi, que é vendido na beira da estrada, é a única fonte de renda destas famílias. Eles terminam a safra de barriga cheia, porque não falta baião-de-dois com pequi na alimentação, e ainda sobra um pouco de dinheiro no bolso, resultante da comercialização.

Este ano, a safra foi menor do que a do ano passado. O líder sindical, João Antônio Bernardino, que faz parte da Associação dos Catadores de Pequis, diz que a falta de chuvas prejudicou a colheita. Ele calcula que houve uma redução de 30%. O preço do cento de pequi variou de R$ 1,00 a R$ 10,00. O valor acompanha a oferta. No começo e no fim da safra do pequi, o preço sobe.

O mesmo ocorre com o óleo de pequi, que é feito da amêndoa do fruto. Bernardino, que já esteve na Europa divulgando o óleo de pequi, levado por uma Organização Não Governamental, diz que, este ano, não há perspectiva de exportação do óleo. O preço do litro, portanto, está em torno de R$ 15,00.

Uma das atrações este ano, além dos shows com Flávio Leandro, "Forró Direito", "Nordestinos do Forró" e os "Três do Cariri", que tocaram durante os dois dias, foi a "pega de boi", um esporte que vem se tornando popular no Cariri por ser o resgate das festas de apartação que deram início às vaquejadas. Na pega do boi, o animal é solto dentro da mata para ser derrubado, encaretado pelo vaqueiro que, vestido com gibão e perneira, leva o boi como prêmio.

Tradição

Nas fazendas de antigamente e também em cima da Serra do Araripe, o gado era criado solto em capoeiras e caatingas. A cada temporada ou fim de estação, os fazendeiros organizavam o que eles chamavam de "pega de boi". Uma festa onde se reuniam todos os vaqueiros da região para pegar o gado que vivia solto e que seria marcado a ferro, castrado e conduzido para áreas onde os pastos existissem em maior abundância.

Essa tarefa era difícil. Os animais viviam em áreas de mato fechado, cheias de espinhos e, também, galhos secos. O exercício de capturar o boi no mato exigia do vaqueiro extrema perícia e coragem.

A festa do "Rancho dos Pequizeiros", que antes era restrita apenas aos catadores de pequis, se tornou um evento regional, com a participação de representações das maiorias dos municípios do Cariri. A estudante Isabel Munique, que já foi rainha da Vaquejada de Missão Velha, destacou a festa dos pequizeiros como um acontecimento diferente pelo fato de ser realizado em cima da Serra do Araripe, em contato com a natureza.

Safra

"A falta de chuva prejudicou a safra de pequi. A perda foi de 30%"
João Antônio Bernardino
Diretor da Associação dos Catadores de Pequis

"A festa da colheita é um acontecimento diferente, um contato com a natureza"
Isabel Munique
Ex-rainha da Vaquejada de Missão Velha

Reportagem: Antônio Vicelmo
Foto: Maurício Albano
Fonte: Diário do Nordeste

Professor diz que Padre Cícero se preocupava com a segurança alimentar

Uma Mesa Redonda seqüenciou na noite desta segunda-feira, no Campus Cariri da UFC (Universidade Federal do Ceará), a programação da 28ª Semana do Padre Cícero em comemoração aos 166 anos do sacerdote. O tema central foi “Padre Cícero, Padroeiro das Florestas” e atraiu dezenas de alunos lotando o auditório daquele estabelecimento de ensino. A abordagem central coube ao biólogo e professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Francisco Cunha.

A acolhida aos participantes foi feita pelo coordenador do Campus, Ricardo Ness, seguido pelo Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, que falou sobre a programação da Semana do Padre Cícero. Na mesa presidida pelo professor Daniel Walker e tendo como debatedor o engenheiro agrônomo e aluno do curso de Filosofia da UFC, William Brito, o palestrante definiu o Padre Cícero como um homem que se preocupava com a segurança alimentar das pessoas.

O professor Francisco Cunha chamou a atenção para outra preocupação do sacerdote que era a explosão demográfica e a necessidade do desenvolvimento, mas respeitando os limites com aproveitamento racional dos recursos naturais. Na opinião dele, o Cariri é uma região abençoada e apontou a experiência do Caldeirão do Beato José Lourenço como um “novo modelo em função da terra”. Observou ainda que, de um “vila paupérrima”, Juazeiro se tornou, em pouco tempo, numa das cidades mais importantes do Nordeste.

O palestrante estimou que, nos últimos quatro anos, os investimentos entre públicos e privados em Juazeiro e no Cariri foram da ordem de R$ 1 bilhão. A programação da Semana do Padre Cícero reserva para as 18h30min desta terça-feira, dia 23, apresentação de filmes e a inauguração do relógio remissivo do Centenário na Praça Padre Cícero. Às 20 horas, no adro da Capela do Socorro, o lançamento do romance “A Mulher Sem Túmulo”, de Nilze Costa e Silva.

Logo depois começa a XXII Seresta de Padre Cícero com a participação de 22 seresteiros homenageando o sacerdote. Convidados pelo município, 166 famílias juazeirenses levarão seus bolos para serem cortados a meia-noite em meio a um show pirotécnico, canto de parabéns e oferta do “Caldo da Nair”. Os destaques do dia 24 de março ficarão por conta da celebração de Missa, Corrida Padre Cícero entre Crato e Juazeiro e a tradicional Procissão das Flores.

Texto e foto: Demontier Tenório
Fonte: http://blogdojuazeiro.blogspot.com/

domingo, 21 de março de 2010

Penitentes vivem fé medieval

Os grupos de Penitentes do Interior do Estado se destacam como figuras do imaginário popular

Grupo de penitentes da cidade de Barbalha, do Sítio Cabeceiras.
Os integrantes já apareceram até no programa Fantástico, da Rede
Globo, e são destaque cultural da Festa de Santo Antônio

Crato. Emoldurado pela Chapada do Araripe, cercado de fontes naturais e florestas nativas, a região do Cariri se tornou o palco do misticismo do Nordeste. Igrejas, seitas, profetas que pregam o fim do mundo, grupos de penitentes e tipos messiânicos ainda sobrevivem nas ruas e na zona rural da região, apesar do crescente ritmo de desenvolvimento e modernidade.

Da miscigenação das diversas culturas resultaram mitos lembrados nas lendas da caipora, do lobisomem, da mãe d´água, do carneiro de ouro, do pai da mata, da lagoa encantada e outros tantos que povoam o imaginário popular.

No rastro dos índios, dos colonizadores e, principalmente, das levas de romeiros que aportaram no Cariri, trazendo usos e costumes de suas terras, surgiram organizações religiosas com práticas medievais, entre as quais, os grupos de penitentes que se espalham em toda a região. O mais conhecido deles é o do Sítio Cabeceiras, município de Barbalha, que já apareceram até no programa Fantástico, da Rede Globo. Eles transformaram-se em um dos principais destaques na programação cultural da Festa de Santo Antônio, em Barbalha.

Descoberta

Recentemente, o Diário do Nordeste descobriu no município de Porteiras um grupo de penitentes que, até então, não se apresentava em público e nunca foi fotografado ou filmado. São agricultores rústicos que varam as madrugadas sertanejas, rezando e cantando nos cemitérios e nas cruzes de beira de estrada. Andam sempre reunidos, entoando cantochões. Mas no centro urbano, atravessam as ruas silenciosamente, parecendo fantasmas pela diferente figura que apresentam. Ao se aproximarem dos sítios, principalmente em trechos assinalados por crucifixos, as conhecidas cruzes das estradas do sertão, entoam o seu canto que é triste, lamentoso, como um gemido de alma perdida.

Esta teologia remonta aos frades cartuxos espanhóis do primeiro milênio do cristianismo. Permaneceu congelada no sertão do Nordeste, estimulada periodicamente por líderes místicos como o padre Ibiapina e o Padre Cícero Romão Batista, o "Padim Ciço", venerado como santo pelos nordestinos. A cruz do decurião dos penitentes de Porteiras, por exemplo, foi doada pelo Padre Cícero, segundo contam.

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 18 de março de 2010

Cariri comemora aniversário do Padre Cícero

Mesmo com menor público, em comparação às romarias, a Semana do
Padre Cícero tem início a partir de hoje

Juazeiro do Norte. A festa de aniversário dos 166 anos do Padre Cícero começa hoje, com abertura da Exposição Fotográfica sobre o "Padim" (ExpoCícero), com mais de 100 fotos do sacerdote, algumas delas inéditas. O material pertence a colecionadores e historiadores do município. As comemorações vão acontecer, de 18 a 24, na XXVIII Semana do Padre Cícero. Este momento, mesmo com uma participação mínima de romeiros, é marcado pela alegria e uma forma de agradecimento do povo de Juazeiro ao fundador da cidade. É também um período que se caracteriza pela fase de plantio nos estados nordestinos, impedindo uma participação maior dos romeiros, em relação ao número de fiéis das romarias tradicionais.

Segundo o professor Daniel Walker, pesquisador e escritor da história do religioso e de Juazeiro, a festa é uma forma de agradecimento ao Padre Cícero, e se caracteriza pela alegria. Já as tradicionais romarias, estão mais associadas à saudade. Mas, ao longo dos 18 anos de realização da Semana, com a inserção do poder público, houve um incremento nas atividades. Além das atividades nas escolas, este ano o evento se amplia, levando debate para a Universidade Federal do Ceará (UFC). No dia 22, às 19 horas, acontecerá a mesa redonda, com o tema "Padre Cícero, Padroeiro das Florestas", com pesquisadores, docentes e alunos.

Daniel Walker afirma que, em vida, o Padre Cícero já comemorava em sua residência o aniversário, com grande participação popular. Após a sua morte, as pessoas continuaram comemorando. "As romarias têm um número maior de pessoas, por ser outra forma de expressão, que se caracteriza pela saudade", reafirma ele. No dia da missa de aniversário, 24, às 6 horas, há a presença de romeiros, mas são mais funcionários públicos, aposentados, já que a grande maioria dos devotos provém das áreas rurais nordestinas.

Ele recorda a infância do "Padim", com a prática de soltar balões na noite de aniversário, abolida por conta dos riscos de incêndio. O show pirotécnico continua. O bolo gigante, coordenado por Mãe Cicinha, e feito de forma coletiva, é cortado no dia 23. Uma festa que há 22 anos acontece, no Bairro Socorro, nas proximidades da Capela, acompanhada de uma seresta comemorativa.

Na Praça do Socorro, ocorrem apresentações dos filmes: Dona Ciça do Barro Cru e Patativa - Ave Poesia, dia 23, às 18h30. Nos primeiros momentos, quando era apenas por iniciativa popular, o devoto Severino Alves, já falecido, saía no comércio solicitando apoio para as comemorações. A participação dos grupos de tradição popular também acontece. Há grupos que vêm de fora para reverenciar a figura do Padre Cicero neste dia.

Durante o mês de comemoração do aniversário do sacerdote, a tradicional missa do dia 20, que lembra a sua morte, no dia 20 de julho, chega a ter grande quantidade de fiéis. Esse momento fez parte de uma de suas recomendações, para haver celebração. No dia 24, feriado na cidade, a alvorada festiva acorda a população. Às 6 horas, a missa acontece na Praça da Capela do Socorro, onde estão os restos mortais do padre.

No mesmo dia, acontece a Corrida Padre Cícero, com saída do Crato em direção ao Juazeiro, às 8 horas, a tradicional Procissão das Flores, às 17 horas, saindo da sede da entidade organizadora, Sociedade Padre Cícero. Segundo o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, este ano há uma solicitação para que os participantes levem imagens do padre e fotos, além das flores. É neste dia em que há uma participação popular mais expressiva.

Gratidão

"Sempre considerei esse momento uma festa de gratidão do povo de Juazeiro do Norte"
Daniel Walker
Pesquisador e escritor

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.4040

Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste
Nota: Programação: http://www.juazeiro.ce.gov.br/

terça-feira, 16 de março de 2010

Escolhida a logomarca dos 100 anos de Juazeiro

O centenário de Juazeiro do Norte, comemorado em 22 de julho de 2011, já tem logomarca oficial definida. Dentre 85 propostas inscritas, foi escolhida a ideia de Cícero Reginaldo Farias da Silva, artista plástico local.

A logomarca destaca a imagem do fundador da cidade, padre Cícero, à frente de um número 100 dourado. Abaixo, aparece um laço com a inscrição “Centenário de Juazeiro do Norte” e imagens da cidade.

O criador da logomarca explica que a cor dourada enfatiza a grandiosidade do evento. Quanto ao laço, ele diz representar as fitas dos romeiros e a a hospitalidade juazeirense. Não ficaram de fora da imagem elementos da cidade, como a ladeira do Horto, a Igreja Matriz e dois pés de juazeiro.

O resultado será publicado hoje no Diário Oficial do município e o vencedor receberá prêmio de R$ 5 mil pelo trabalho, que deve estar em todas as peças do centenário. Conforme O POVO noticiou no último dia 25, o Ministério do Turismo deve liberar R$ 10 milhões para as obras do “Complexo do Centenário

Fonte: Jornal O POVO

segunda-feira, 15 de março de 2010

CABELO DO CÃO É ELEITO JUDAS 2010

10ª FESTA POPULAR DA MALHAÇÃO DO JUDAS 2010

ELEIÇÃO DO JUDAS – ATA DE APURAÇÃO

Aos 14 dias do mês de março do ano 2010, sob a Coordenação Geral do prof. Cacá Araújo, concluiu-se, no Bar do Evandro – Escritório Central da Malhação do Judas, sito à rua Ratisbona, n.º 375, Crato-CE, a apuração dos votos do Judas 2010. Após a totalização dos sufrágios, verificou-se que participaram do pleito 11.995 votantes. Concluída a contagem, não havendo nenhum recurso impetrado por quaisquer dos indicados reclamando para si o direito de subir à forca no dia 3 de abril do corrente ano, Sábado de Aleluia, no Largo da RFFSA – Centro Cultural do Araripe / Crato, em virtude de haver traído o povo com requinte de maior sacanagem e ou maldade, gozando de maior índice de antipatia, o Presidente da Junta Eleitoral do Judas 2010, Evandro Saraiva Primo, proclamou o resultado da eleição, que vai consignado na presente ata, na ordem decrescente do número de sufrágios recebidos, ficando autorizada a severa malhação do eleito.

ELEITO: Cabelo do Cão (Nº de Votos: 6.334 - 52,80%)
1º Suplente: Big Brother (Nº de Votos: 1.694 - 14,12%)
2º Suplente: José Roberto Arruda (Nº de Votos: 1.615 - 13,46%)
3º Suplente: Violentino – O Monstro da Insegurança (Nº de Votos: 1.416 - 11,00%)
4º Suplente: Madame Doença (Nº de Votos: 501 - 4,17%)
Nulos - Nº de Votos: 128 (1,90%)
Em Branco - Nº de Votos: 307 (2,55%)
TOTAL DE VOTANTES: 11.995

Nada mais havendo a tratar, foi declarada encerrada a apuração, cujo resultado será distribuído a toda a imprensa, seja ela falada, escrita, televisada, internetizada, psicografada, gesticulada, ou fuxicada. “E era só”.

JUNTA ELEITORAL DO JUDAS: Presidente – Evandro Saraiva Primo; Secretária – Lílian de Carvalho Araújo; Orador Oficial – Chico Morais; Coordenadora de Trânsito de Urnas – Joseany Ferreira Oliveira Lobo; Delegado da Fronteira Crato-Juazeiro – Edilberton Menezes Joquinha; Chefe de Segurança – Valdenôr de Araújo.

PROGRAMAÇÃO

Malhação do Judas: dia 3 de abril de 2010 (Sábado de Aleluia)

14 horas: 1. Cortejo do Judas, acompanhado pelo Grupo de Caretas do Distrito da Bela Vista, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, Catirinas e Mateus, Boi, Burrinha e Jaraguá de reisados locais, por atores em seus personagens regionais Chica Curuja (Joseany Oliveira), Geroplícia (Orleyna Moura), Zé de Baca (Cacá Araújo), Buneca de Lôça (Mª Isaura Araújo), Chicó (Flávio Rocha), Sivirino Cipó Cravo (Franciolli Luciano), Maria Capionga (Tereza Cândido), Fofolete do Sertão (Gabriela Melo), Zefa Rapa-Côco (Charline Moura), Eufrosina Barraquêra (Lílian Carvalho), Carrim do Bago Mole (Edival Dias), Cabôco Fumadô (Jardas Araújo), Cumade Meropéia (Mônica Batista), Tanajura Cafuné (Jonyzia Fernandes), Perpa Criolina (Lorenna Jéssica), Lôra do Banhêro (Françoi Fernandes), Cão Côxo (Josernany Oliveira), Serpentina Vuadora (Joênio Alves), Mutuca Lombrada (Felipe Tavares), Carrapato de Musquito (Márcio Silvestre), Medusa Bombril (Andecieli Martins), Dona Pomba (Mariana Nunes), Tranquilino Ripuxado (Pedro Ernesto Morais), Coroné Barduíno (Adauberto Amorim), Cabinha do Babado (Paulo Henrique Macêdo), Luizinho Brega Star (Tio Bibi), Vitalino Fura-Fura (Lifanco), Zé Bocoió (Aécio Ramos), Maria Matusquela (Teresa Ramos) e Raul Canga-Seixas, Jurema Catolé (Carla Hemanuela), Beata do Chafurdo Bom (Kelyenne Maia), Virgulino Goiaba (Danilo Brito). Seguem animados com carro-de-som pelo trecho: Centro (Bodega do Joquinha, rua dos Cariris) – Praça 3 de Maio – Praça Siqueira Campos – Praça da Sé – Bar do Gil – Rua da Vala – Av. Duque de Caxias – Rua São Francisco – Rua Mons. Assis Feitosa – Centro Cultural do Araripe.

16 horas: 1. Chegada ao Sítio do Judas, montado no Centro Cultural do Araripe, onde o traidor permanecerá até a hora de seu julgamento e malhação, sob a vigilância dos Caretas; 2. Tradicional roubo do Sítio do Judas: Os Caretas vigiam o sítio montado e açoitam com chicotadas os que ousarem roubar. A façanha é sair do sítio sem apanhar (e com o roubo).
18:30 horas: 1. Leitura do Testamento do Judas, elaborado em versos (cordel); 2. Malhação do Judas, com show pirotécnico e artistas circenses em perna-de-pau com malabares de fogo.
19:30 horas: 1. Forró pé-de-serra com Luizinho Brega Star, Sílvio Clay e Trio Flor do Pequi.
22:00 horas: Encerramento.

Realização:
Sociedade Cariri das Artes - Ponto de Cultura do Brasil
Cia. Cearense de Teatro Brincante
Circo-Escola Alegria / Projeto Circo do Sopé

Parceria:
Secretaria de Cultura do Município do Crato
Coletivo Camaradas
Centro de Ativação Cultural Poeta Cego Aderaldo
Sociedade de Cultura Artística do Crato

Patrocínio:
Prefeitura Municipal do Crato
SECULT / Governo do Estado do Ceará
Ministério da Cultura / Governo Federal

Texto: Cacá Araújo
Fonte: Blog do Crato

sábado, 13 de março de 2010

Fósseis do Cariri ganham documentário

"Formação Romualdo, um Milagre Paleontológico" é um documentário que busca preservar os fósseis

Juazeiro do Norte. Os fósseis da Chapada do Araripe de forma didática, para o grande público, em linguagem acessível, estarão disponíveis a partir do segundo semestre deste ano, com o filme documentário "Formação Romualdo, um Milagre Paleontológico". O trabalho está em fase de finalização, com a captação das filmagens. Os fósseis tridimensionais da formação Romualdo, de ampla diversidade e conservação admirável, conforme os pesquisadores, serão o foco das atenções.

A ideia é produzir um filme de 45 minutos. A coordenação, pesquisa e roteiro são do professor Álamo Feitosa, doutor em Paleontologia pela Universidade Regional do Cariri (Urca), e que atualmente está à frente do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri. Este é o primeiro documentário produzido na região sobre os fósseis.

Será uma oportunidade de levar ao público a realidade das pesquisas, já desenvolvidas por estudiosos do Cariri, como também abordar questões relacionadas ao tráfico e a importância das peças para a Paleontologia mundial. Esses são referenciais importantes dentro da abordagem, segundo o professor. "O que me levou a fazer este trabalho foi ter a oportunidade de ver muitos documentários e reportagens. Alguns muito bons e outros que passavam uma realidade aos olhos de quem é de fora, com algumas coisas muito convenientes para agradar quem está em outras localidades, que não o Cariri", justifica.

Ele afirma que a linguagem do cinema torna a mensagem mais acessível, para levar a ciência até a comunidade em geral, principalmente aos estudantes. Para o docente, é importante que as pessoas tenham conhecimento da situação ímpar dos fósseis da região, se comparado a outras formações geológicas. "A gente primou por imagens boas, mostrando como se faz uma escavação geológica e suas dificuldades e falando especificamente da formação Romualdo, e como esse fóssil é diferente e especial", destaca.

A formação Romualdo fica num estrato da Chapada do Araripe, localizado em partes do Ceará, Piauí e Pernambuco. Afloramentos importantes podem ser encontrados em Santana do Cariri, Crato e Barbalha.

Conforme o professor Álamo, a formação Romualdo tem uma especificidade, que qualifica especialmente esse material para a exibição no documentário. Primeiro pela abundância incomensurável de fósseis, com espécies vegetais a animais, e o caráter tridimensional, que tem facilitado os trabalhos e descobertas científicas. "É como se o animal tivesse morrido e ficasse congelado", ressalta o pesquisador. Álamo exemplifica os peixes encontrados nas concreções rochosas. Para ele, poder-se-ia dizer que tinha morrido há meia-hora. "É um estado de preservação que em nenhum outro lugar do mundo se encontra".

Jackson Bantim, conhecido como Bola, caririense com mais de 30 anos produzindo filmes, inclusive de ficção, inaugura mais um momento de sua carreira. Ele faz parte do Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino (Imago), da Urca, que está produzindo o material. O cineasta destaca a importância do documentário como elemento importante de registros da diversidade do Cariri. E a experiência de cinema de Jackson, conforme Álamo, não está sendo poupada. "Não podemos ficar limitados a escrever artigos para revistas internacionais e estar muito longe da realidade do dia a dia das pessoas da região", afirma.

São mais de sete horas de filmagem, mais de 90% delas produzidas nas minas de calcário de Santana do Cariri, em apenas um dia. Outras serão feitas no Museu de Paleontologia, após a reinauguração, até o mês de maio, e no estuário, em Recife, além de mais algumas entrevistas. A ideia, no estuário, é destacar a proximidade com o Cretáceo, era geológica da formação dos fósseis da Chapada, de mais de 110 milhões de anos. Mostrar a área de contato de águas calmas, dos rios, com o oceano. Um especialista em influência marinha mostrará o comportamento de animais.

Álamo considera as escolas um bom alvo para levar o documentário. Nas áreas de minas, e são mais de 90 na região, muitas crianças são filhos de mineradores. Pessoas que, muitas vezes, ainda não têm a consciência de preservação desse material, e podem até traficar, pela necessidade de sobrevivência. A orientação será de grande importância, conforme ele, para formar uma nova consciência de preservação desse material.

Tráfico

O tráfico de fósseis entra no filme, com depoimento de duas pessoas que traficavam antes, e hoje estão atuando em prol da preservação. Um deles estuda Biologia, Bonifácio Malaquias Ferreira. O lançamento do trabalho deverá acontecer na exposição do Crato, com uma sala de cinema no estande da Urca.

Bantim destaca o trabalho como um documento em movimento, com o referencial da escrita e da fotografia, juntos. "São essas três vertentes que esse filme vai ter: imagem, movimento e escrita". Também deverão ser feitas traduções, porque o filme será levado aos geoparks do mundo, na Europa e na China, já que o Geopark Araripe faz parte da Rede Global. Passa a ser um instrumento de divulgação internacional. O filme, além da Urca, conta com a inserção do Projeto Geopark Araripe e Instituto Nacional de Paleontologia e Arqueologia. A trilha exclusiva será dos meninos da Fundação Casa Grande.

MAIS INFORMAÇÕES
Grupo de Pesquisa em Cultura Visual, Espaço, Memória e Ensino
(Imago), Crato (CE)
(88) 3102.1202

Reportagem e fotos: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste

Terra que treme - Po r Luiz Domingos


De há muito, encontrei um irmão Aquariano, como sempre o nosso assunto predileto - O Planeta Terra. O Companheiro postava um ar de inquietação muito forte, era algo muito perceptível, contemplei aquela situação vexatória, pois a silhueta já passava a energia pensamental vibratória, necessária para a compreensão da confusão do conaquariano.

A pergunta, ou a dúvida do amigo, também a minha, era o fato de que o nosso planeta não treme, terremoto, como o próprio nome diz está ligado a terra. Ou existe terremoto em outros planetas? Considerando que o terremoto é um ajuste nas placas tectônicas que formam a coesão do Planeta terra no seu campo gravitacional interno, fica uma certeza e nasce uma dúvida. A certeza de que, sendo o universo uno, enquanto grandeza existencial, toda a massa universal está sujeita a tremores, porém a duvida nem toda massa existencial esta sujeita a força gravitacional poderosa e determinada da terra.

Assim, os tremores são diferentes, pois tudo vai depender do poder da força gravitacional para identificar o poder do estrago no espaço tempo, porém muitos cientistas afirmam que o tempo real não existe, por este ângulo do pensar humano os terremotos em outros planetas podem nem existir, tudo pode ser apenas uma abstração dos humanos.
- Compreendeu?
-Não
-A Certeza?
-Nenhuma
A Dúvida?
-Todas
-Mas é assim que a coisa funciona.

Texto de Luiz Domingos de Luna - Professor- Aurora - Ceará

sexta-feira, 12 de março de 2010

Livro resgata memórias da xilogravura cearense

Será na próxima quarta-feira , às 18 horas, no MAUFC, o lançamento do 58° livro de Gilmar de Carvalho, professor da Universidade Federal do Ceará e pesquisador das tradições populares. “Memórias da Xilogravura” começou a ser produzido em 1986, enquanto Gilmar ainda desenvolvia sua pesquisa de Mestrado. Na época, revisitou a Lira Nordestina, antiga Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, que conhecera dez anos antes.

O livro traz entrevistas com 11 xilogravuristas de reconhecida importância: Antônio Batista, Lino, Iraci, Zé Caboclo, Arlindo, Ezígio, Abraão, Stênio, Francorli, Zé Lourenço e Walderêdo, que morreu com o título de Mestre da Cultura. Os artistas falam, em conversas com Gilmar de Carvalho, sobre seus trabalhos e a própria arte da xilogravura, entre outros temas. Ilustram o livro, dedicado a Damásio Paulo, um dos “maiores gravadores de todos os tempos”, xilogravuras pertencentes aos acervos do próprio autor e do Mauc.”

Site da UFC, via blog do Eliomar

quinta-feira, 11 de março de 2010

Coleção sobre Padre Cícero sairá em julho

Documentos sobre o Padim serão, agora, disponibilizados para toda a população, inclusive, na Internet.

Juazeiro do Norte. Documentos sobre o Padre Cícero e protagonistas da história deste município e do Cariri serão publicados na "Coleção Padre Cícero Romão Batista e os Factos do Juazeiro". O primeiro volume do material deverá sair em julho de 2010, já dentro das comemorações do centenário de Juazeiro do Norte. Em julho do ano passado, o Diário do Nordeste publicou matéria informando sobre o lançamento deste projeto, que terá seus inscritos divulgados para o público. O trabalho conta com a participação de pesquisadores, historiadores e memorialistas, que se reuniram durante esta semana para debater o assunto.

Os projetos serão lançados em volumes, por conta, principalmente, de tempo e finanças, conforme o padre Francisco Roserlândio, diretor do Departamento Histórico Diocesano Padre Gomes (DHDPG). Os documentos haviam sido trabalhados antes apenas pela Comissão de Reabilitação, para serem enviados depois à Santa Sé. Só agora talvez seja possível disponibilizá-los ao grande público. Estão incluídos no material os dois Inquéritos que compõem o processo de reabilitação, diversos outros arquivos incluindo correspondências sobre os fatos do "sangramento da hóstia" e seus desdobramentos; e, por fim, a documentação relacionada ao envolvimento político do Padre Cícero nas questões políticas até a emancipação de Juazeiro. O DHDPG possui um acervo maior e que ainda não foi higienizado e escaneado. Até 2011, espera-se ter avanços.

São cerca de 900 documentos inéditos ao público, em sua integralidade e do período entre 1889 e 1911, referentes a manuscritos do sacerdote e outros protagonistas que serão publicados. Trata-se do desdobramento do convênio firmado entre a Diocese de Crato, Fundação Padre Ibiapina, Sistema Fecomércio e Prefeitura de Juazeiro do Norte, por meio da Secretaria de Turismo e Romarias.

O segundo volume será publicado nas festividades em torno dos 100 anos de Juazeiro. Além do arquivo do Departamento, os documentos pertencem ao Centro de Psicologia da Religião, Mosteiro São Bento no Rio de Janeiro, Arquidiocese de Fortaleza e aos professores Renato Casimiro e Assunção Gonçalves.

O padre Roserlândio diz que, além do livro, o conteúdo inédito será disponibilizado em DVD e no próprio site da Diocese. Todos os documentos serão acompanhados de textos de escritores e acadêmicos com as devidas explicações para ajudar na compreensão. O projeto está avaliado em cerca de R$ 500 mil, envolvendo vários profissionais e etapas de elaboração.

O convênio foi firmado em 20 de julho de 2009 entre o bispo dom Fernando Panico, o prefeito Manoel Santana e o presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Gastão Bittencourt. Várias reuniões foram realizadas em Fortaleza e Juazeiro desde a criação de um Conselho Editorial para o projeto. Para o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, além da preservação, será a consolidação de um guia de fontes e criação de banco de dados para pesquisas, dentro do trabalho em execução. O Conselho Editorial tem se reunido continuamente e feito uma triagem de todo o material. O critério fundamental definido é os documentos serem inéditos dentro da temporalidade e temática em foco.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.4040

Reportagem: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste
Foto: Antônio Vicelmo

segunda-feira, 8 de março de 2010

Juazeiro do Norte pode mudar de nome

Foi aprovado, desde 2001, pela Assembleia Legislativa, a realização de um plebiscito na cidade

Juazeiro do Norte. Uma polêmica que há anos se arrasta, com projetos de lei, para mudar o nome da terra do ´Padim´, para, claro, Juazeiro do Padre Cícero. Uma homenagem ao seu mais ilustre representante. Essa ideia passa novamente a ser encampada, e dessa vez, poderá ser para valer. É que já existe aprovado na Assembleia Legislativa do Estado, desde 2001, de autoria do ex-deputado estadual Giovanni Sampaio, decreto que autoriza a realização do plebiscito para saber da população do município juazeirense se aceita a mudança de nome.

"Os romeiros naturalmente já chamam assim". É o que diz o entusiasta da campanha, o empresário que há mais de 30 anos está em Juazeiro, Tadeu Alencar, natural da cidade de Araripe, mas que se traduz um romeiro e tem uma ligação com o sacerdote. "Sou um devoto", diz ao classificar esse como o momento oportuno para iniciar um trabalho no sentido de mudança do nome da cidade.

Antes, de acordo com ele, isso poderia justificar custos maiores, para mudança dos nomes em recibos, notas, mas agora, com a informatização, isso não tem tanto custo, explica ele, ao justificar que, no início dos anos 80, foi iniciado um movimento para mudar o nome de Juazeiro, mas não houve uma ressonância. O projeto de lei, de autoria do então vereador João Barbosa, radialista na cidade, não teve tanto apoio em nível de Assembleia Legislativa, por conta da oposição na época e o projeto foi engavetado.

Campanha

A consulta poderia acontecer ainda este ano. Pelo menos, é o que objetiva o empresário, que afirma ser esse um movimento que se inicia sem finalidade política, mas na sociedade civil. E até uma música já está sendo composta pelo cantor e compositor juazeirense, Luis Fidélis, para dar coro à campanha de marketing, que deverá ser bem elaborada, chegando a todas as comunidades.

O empresário tem visitado algumas rádios da cidade para dar entrevistas e levar a ideia para a população.

Este trabalho é realizado junto com sua esposa, a empresária Luiziane Alencar. O casal está à frente da Organização Não Governamental (ONG) Anjos Solidários, que realiza trabalho social na cidade. Ela escreveu recentemente editorial para os meios de comunicação. Nele, afirma que o artigo publicado recentemente no Diário do Nordeste, de autoria de Flávio Paiva, sob o título "A Juazeiro do Padre Verde", que aborda a escolha do padre como "Padroeiro das Florestas", pela ONG Greenpeace, serve de inspiração para a proposta de mudança do nome da cidade.

Momento ideal

"Consideramos esse o momento ideal, para darmos início a uma campanha ampla, visando incluir na denominação de nosso município, o nome de seu principal precursor e propulsor dos seus avanços", diz ela. A empresária acrescenta que essa é a concretização de um sonho inovador, que irá mobilizar as classes dirigentes do núcleo geográfico, além de uma movimentação de cunho nacional.

O empresário afirma que vários são os ganhos que justificam a mudança do nome da cidade, do ponto de vista econômico e social, por divulgar melhor e com mais objetividade Juazeiro do Norte.

Outro aspecto que ele considera, diz respeito à reabilitação do Padre Cícero, processo em tramitação em Roma, no que irá ajudar bastante. "É uma forma de divulgar a cidade turisticamente, já que o complemento ´Norte´ não tem muito a ver com a realidade de uma cidade que se encontra no Sul do Estado. Portanto, indefinido, já que também não estamos no Norte do Brasil", justifica.

Sacerdote

Para Luiziane Alencar, essa é uma forma de projetar mais a presença do sacerdote junto aos registros oficiais do País, "levando o seu exemplo a tantos que ainda não conhecem", diz.

O ano do centenário, em 2011, poderá ser o salto para um novo nome sendo projetado para Juazeiro. Tadeu Alencar ressalta a importância deste ano eleitoral, que poderá ou não facilitar o processo. Sairia, segundo ele, com menos custos financeiros, se esse plebiscito fosse feito durante as eleições, aproveitando o momento de mobilização popular. Mas, as restrições relacionadas à lei eleitoral para a consulta poderão ser um empecilho para o plebiscito.

No momento, começam as articulações da sociedade civil, que incluirá esclarecimento nas comunidades sobre essa possível mudança do nome, com um investimento em marketing para auxiliar todo o processo. A proposta será levada também para a Comissão do Centenário, que vem atuando no processo de realização das comemorações alusivas aos 100 anos da cidade de Juazeiro.

Quase duas décadas depois de propor o projeto na Câmara, o ex-vereador João Barbosa diz que é válida a mudança no nome da cidade, por não ser no Norte e ser conhecida entre os romeiros como Juazeiro do Padre Cícero. E ele ainda é um entusiasta da proposta, que esbarrou na AL. "Qualquer pessoa que queira encampar essa ideia, estou pronto para ajudar. E que isso aconteça antes dos 100 anos", afirma.

E o empresário Tadeu Alencar se lembra de outro grande centro de romaria, em Aparecida, no Estado de São Paulo, que leva o nome da padroeira e condiciona essa alternativa para as terras do Padim.

Mas, de antemão, ele se antecipa ao citar que a lei estadual não permite que haja convocação de plebiscito quando há eleição para governador, nos 12 meses anteriores. "Vou verificar se pode ser feita junto com a eleição, já que será no dia e não em período anterior", explica. O projeto irá desencadear a autorização junto ao Tribunal Regional Eleitoral. Para isso, estará sendo apresentado pelo deputado Osmar Baquit junto à Assembleia e, com isso, dar a oportunidade de revalidar, o que está na ponta da língua dos romeiros, para o mundo.

Fique por dentro
Proposta de 1982

A mudança de nome de Juazeiro do Norte para Juazeiro do Padre Cícero foi proposta em 1982, pelo então vereador João Babosa. A ideia não teve apoio da Assembleia Legislativa na época. O decreto legislativo 3/2001, de autoria do então deputado estadual Giovanni Sampaio, aprovado pela AL, autoriza a realização do plebiscito para saber da população de Juazeiro se aceita a mudança do nome para Juazeiro do Padre Cícero. O artigo 1º do decreto autoriza o Tribunal Regional Eleitoral a realizar consulta plebiscitária no município. No decreto, a justificativa leva em consideração que Juazeiro vem se tornando um lugar de milhões de devotos do Padre Cícero Romão Batista, dotado de um centro populacional progressista no contexto das cidades cearenses. É também a primeira cidade em densidade demográfica e convergência sócio-política depois de Fortaleza e centro de grande expressão religiosa popular no mundo com presença anual de dois milhões de pessoas.

Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste

Reconhecimento aos Mestres

Os Mestres da Cultura deste ano já foram escolhidos. O encontro acontece, neste mês, em Limoeiro do Norte

Limoeiro do Norte. Quando o mestre começa a chamar "meu boi bonito, boi estrela, touro do gado...", levanta poeira no terreiro, o baticum do tambor passa do quintal vizinho, para convidar quem não percebeu que a festa está armada. É um reisado secular que está chegando. Está em vários lugares. O ritmo muda, as músicas também, até as cores das vestimentas, mas em tantos pedaços de Interior a cultura popular, um termo que há muito carece de renovação, mas é esse mesmo, brilha feito lamparina à noite para espantar muriçoca. O conhecimento que veio dos mais antigos, "aquela ideia que dá na cabeça, como quem diz ´você tem que fazer´", e eles fazem. Artesanato com lata, tecido, corda, barro, feito do que era uma coisa e agora é outra; as danças, as caretas, a poesia de viola, o remédio natural para menino de terra quente afrouxar o peito da bronquite. Para esses conhecedores da magia cultural descalça e sem frescura os pais deram nomes, a vida deu apelidos, e antes que seus mundos acabassem as instituições lhes deram o título de Mestres da Cultura.

O reconhecimento merecido, ainda que tardio, capaz de elevar a autoestima de senhores e senhoras de mãos calejadas e pés cascudos, fazedores do que foi transmitido pelos pais, avós e um sem-número de gerações ascendentes. De imediato, a mais bem vinda novidade é o salário mínimo vitalício para quem a vida já tornou mestre faz tempo. Mas não é ambição materialista que se vai encontrar. O que houve agora é que mestre Antônio Luiz de Sousa vai ter com que renovar suas máscaras, caretas, e dar um trato nas roupas e chapéus do reisado e tornar mais bonita a brincadeira que dona Neuza Luiza de Sousa, sua avó, contava como era idos dos anos 1930. Afora qualquer fama, para ele basta o reconhecimento do reisado de máscaras por seus conterrâneos da cidade de Potengi, no Cariri.

Graças à oralidade, à transmissão do saber pelos vários sentidos do corpo, a tradição existe, persiste, funde velho e novo, antigo e moderno. O velho que passa para o menino que, um dia também velho, repassará aos mais jovens que podem dar sequência à história, e dessa forma que mestre Chico Paes, hoje com 85 anos, não levou uns tabefes do pai quando este flagrou o então menino bulindo em sua sanfona, num dia em que voltou cedo da plantação: "meu filho, pode tocar, não precisa ter medo de mim não". Desse dia para cá tem 77 anos, e entre uma sanfona e outra prefere a do tipo pé-de-bode, o acordeão com fole de oito baixos, raridade nesta época em que até as sanfonas convencionais estão desaparecendo das bandas de forró. Uma vida semeada de agricultura e de música, o que alimenta o corpo e a alma de Francisco Paes. "Era a sanfona também fonte de renda", esclarece o antigo animador de casamento, batizado e festa de padroeira, que por muito tempo dividiu batente com outro nome de Assaré, o Patativa.

O reconhecimento dos mestres entra como catalisador de legitimidade. É quando percebem mais claramente que as peças de renda de dona Francisca Ferreira, de Cascavel, têm valor. Não é artesanato só porque é uma manipulação artística de matéria-prima de fácil obtenção. É traçado, enlinhado difícil que tem raízes, carrega história, os traços de identidade, e evidencia o que os sociólogos modernos costumam chamar de singularidade cultural.

Na concepção original da Lei, o mestre agraciado deve transmitir os conhecimentos para os mais novos, como forma de manutenção da tradição. Mas é o que a maioria já faz, com toda dificuldade e de uma forma que não se sabe duradoura - embora espontânea. Reconhecimento e legitimidade não são garantias de sobrevivência. Há tempos não tem o Jaraguá, o Guriabá e a Margarida na dança dos Caretas do Sassaré, do mestre Antônio Luiz de Sousa, de Potengi. Dos atores que participam, os filhos adolescentes do mestre sentem vergonha de se apresentar na frente dos outros. Em Limoeiro do Norte, da mestra da cultura Lúcia Pequeno, da primeira leva de mestres em 2005 (artesanato em barro), não há sinal de que a geração mais jovem esteja se apropriando dos conhecimentos da mulher que faz objetos de arte.

Os novos mestres ainda pedem espaço em suas comunidades, nos terreiros das casas onde cresceram. Como disse o sociólogo Oswald Barroso, no último Encontro dos Mestres do Mundo, em Juazeiro do Norte, "o reisado é um dos mais representativos (das expressões populares). Está presente no conjunto do Brasil, incorporado na vida popular e, longe de desaparecer, há cidades no Ceará que reúnem mais de 50 grupos de reisado de vários tipos. Além disso, tem uma complexidade que eu penso que outros folguedos não têm. Um apanhado dessas nuances seria fundamental não só para entender o Brasil, mas a alma humana".

Colaborador: Melquíades Júnior
Fonte: DN - Regional

terça-feira, 2 de março de 2010

Penitentes rezam por chuvas na região do Cariri

Perda quase total de plantações de feijão no Cariri são verificadas na região. Agricultores desacreditam no inverno.
Porteiras. Preocupado com a falta de chuvas, um grupo de penitentes acompanhou procissão da Igreja Matriz deste município até o Alto do Sanharol, onde foi fincado um cruzeiro que marca a passagem do segundo milênio. O foco central da peregrinação, segundo o padre José Sampaio, vigário de Porteiras, é a animação das comunidades católicas com o objetivo de conhecer mais de perto a pessoa e o projeto de Jesus Cristo, por meio do estudo do Evangelho, para amá-lo, segui-lo e testemunhá-lo a todos, dando assim um sentido verdadeiro à vida.

No entanto, o grupo de penitentes, tendo à frente o decurião Pedro Cândido dos Santos, ressalta que a presença deles na procissão faz parte também dos seus rituais, de suas penitências contra as calamidades. Pedro Cândido lembra que a Ordem dos Penitentes foi implantada no Cariri pelo padre Ibiapina que, nas grandes secas, orientava os católicos a cumprirem penitências.

O decurião diz que "a seca é um castigo de Deus". Ele conta que, no próximo sábado, o grupo de devotos vai se reunir, a partir das 23 horas, com a finalidade de cumprir a programação penitencial da Quaresma e rezar para que Deus mande chuvas para o sertão. Aí sim, eles vestem as roupas próprias da ordem religiosa, colocam os capazes no rosto e varam a madrugada nas estradas sertanejas, rezando nos pés das cruzes e cruzeiros na beira das estradas e visitando os cemitérios. O ritual é uma tradição secular, que é mantida por número cada vez menor de devotos. As novas gerações não demonstram interesse em preservar a prática.

Produtores desiludidos

"Perdi o dinheiro, o trabalho, a roça e a esperança". A lamentação do agricultor Ribamar Correia, residente no Sítio Moquém, entre Porteiras e Brejo Santo, reflete a desilusão da maioria dos pequenos produtores rurais do Cariri que não acredita mais no inverno deste ano. Correia acrescentou que na região de Porteiras e Brejo Santo a perda é quase total. "Mesmo que chova de hoje para amanhã, o quadro não muda", diz o agricultor José Urias da Silva, destacando que está caracterizada a "seca verde" na região do Cariri.

No Sítio Sanharol, município de Porteiras, a conversa é a mesma. Com a enxada nas costas, Pedro Inácio da Silva lembra que a seca neste ano parece que vai ser pior do que a de 58. A diferença, segundo afirma, é que o povo não está desamparado. "Hoje, em toda casa tem um aposentado ou um integrante do Bolsa Família". Ao fazer esta avaliação, o agricultor observa que o prejuízo só não é maior porque muita gente não plantou, antevendo um ano de poucas chuvas.

O problema começa com a má distribuição de chuvas. De acordo com a Ematerce no Crato, nos dois primeiros meses deste ano, choveu mais do que no mesmo período em 2009. Foram 302 milímetros agora contra 180mm do ano passado.

O técnico da Ematerce, Junival Saraiva de Alencar, diz que houve veranicos no primeiro bimestre deste ano. Um deles com duração de 13 dias, provocando perda de plantio nos cultivos antecipados na região.

ENQUETE
Perda de safra

"A penitência foi orientada pelo padre Ibiapina contra as calamidades. A seca é um castigo de Deus"
Pedro Cândido dos Santos
72 ANOS
Decurião

"Perdi tudo, o trabalho, o dinheiro, a roça e a esperança. De Porteiras a Brejo Santo, está quase tudo perdido"
José Ribamar Correia
65 ANOS
Agricultor

"A seca deste ano é pior do que a de 58. A diferença é que em toda casa tem um aposentado, ou alguém do Bolsa Família"
Pedro Inácio da Silva
62 ANOS
Agricultor

Reportagem e foto: Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste