sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cariri Cangaço 2010; uma grande Construção Coletiva

Com o tema: Cariri Cangaço - Coronéis, Beatos e Cangaceiros, o evento de cunho turístico-cultural e histórico-científico; em sua edição 2010, terá novamente como cidades anfitriãs: Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha; com a adesão ainda de Aurora e Porteiras. Reuniremos a partir de uma programação plural, dinâmica e universal, personalidades locais, regionais e nacionais, do universo da pesquisa e estudo das temáticas ligadas ao Cangaço, Tradições e Histórias do Nordeste.O Evento em sua segunda edição terá um conjunto de 16 conferências, seguidas de debates, abordando temáticas ligadas à historiografia nordestina; distribuídas durante o período de realização do mesmo; 6 dias ; nos 6 municípios anfitriões. Os conferencistas são pesquisadores, estudiosos, escritores e professores, de renome nacional.

O Cariri Cangaço - Coronéis, Beatos e Cangaceiros, promoverá um conjunto de 23 Visitas Técnicas aos principais Pontos Turísticos da Região do Cariri, como também aos principais Sítios Históricos ligados ao cangaço na região. Em cada Visita Técnica teremos um estudioso e um guia turístico que fará a explanação sobre o ponto visitado. O Cariri Cangaço 2010 é uma promoção da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e uma realização das Prefeituras de Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha e Missão Velha, com o apoio vital da Universidade Regional do Cariri – URCA; ICC- Instituto Cultural do Cariri; Centro Pró Memória Josafá Magalhães; ICVC - Instituto Cultural Vale Caririense, Fundação Memorial Padre Cícero e conta também as parcerias do SESC, do SEBRAE, do Centro Cultural Banco do Nordeste e apoio do Blog do Crato.

O evento programa além das Conferências, Debates e Visitas Técnicas; a II Mostra Cariri Cangaço de Cinema, Vídeo e Documentários; a II Latada do Livro Cariri Cangaço, onde os participantes terão a oportunidade de entrar em contato com as principais obras literárias sobre a temática; o II Grande Salão Cariri Cangaço, onde serão lançadas 8 novas obras literárias sobre a temática; de autores de todo o Nordeste e também São Paulo, além de 17 Apresentações Artísticas, com as mais significativas manifestações culturais e folclóricas de toda região do Cariri, das áreas das Artes Cênicas, Música e Cultura Popular.

Em sua primeira edição, o Cariri Cangaço-2009, reuniu 79 personalidades do universo da pesquisa e estudo das temáticas ligadas ao nordeste ; recebemos no cariri cearense 197 participantes de 12 estados da federação; Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal; além dos mais 1.500 participantes dos municípios promotores, durante os seis dias de sua realização em Setembro de 2009. Foram realizadas 19 Conferências, seguidas de debates, 21 Visitas Técnicas e 23 Apresentações Artísticas. Foram inauguradas a I Mostra de Cinema e Vídeo Cariri Cangaço, como também foi lançada a I Latada do Livro Cariri Cangaço, tivemos ainda o lançamento de 6 novos livros de escritores dos estados de Pernambuco, Ceará, Distrito Federal e Minas Gerais.

O Cariri Cangaço - Coronéis, Beatos e Cangaceiros, acontecerá entre os dias 17 e 22 de Agosto de 2010, na Região do Cariri, sul do estado do Ceará. Conheça um pouco mais da historia desta inciativa a partir do blog oficial do evento: cariricangaco.blogspot.com

Texto: Manoel Severo
Fonte: Blog do Crato

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Juazeiro: recursos para o Centenário estão garantidos

A conquista de R$ 10 milhões para as obras estruturantes do Complexo do Centenário repercutiu positivamente e fez a Comissão Organizadora da festa pelos 100 anos de Juazeiro respirar aliviada. Agora, os membros estão correndo atrás dos projetos executivos para enquadrar dentro dos formulários próprios do Ministério do Turismo. Foi o que determinou o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que recebeu uma comitiva juazeirense na semana passada em seu gabinete.

Um dos participantes da audiência, o Secretário de Turismo e Romarias José Carlos dos Santos explicou que o complexo é formado pela Praça do Centenário, Marco Zero, Portais de Entrada de Juazeiro, Portal da Fé, Marcos da Identidade Centenária, Museu da Cidade e a Avenida Beira Rio. Segundo ele, o prefeito Manoel Santana e o bispo diocesano, dom Fernando Panico, deixaram o gabinete do ministro felizes com a acolhida e o interesse de Padilha em colaborar com a festa pelos 100 anos de Juazeiro.

O encontro foi viabilizado pelo deputado federal José Nobre Guimarães o qual adiantou que os recursos prometidos serão oriundos do Ministério do Turismo. O Ministério Alexandre Padilha elogiou o portfólio entregue pelas autoridades juazeirenses considerando projetos bem elaborados com seus respectivos valores e as justificativas de cada um. Ele foi simpático às idéias e até sinalizou com a possibilidade de se empenhar para garantir agilidade na liberação dos recursos.(Demontier Tenório)

Imagens ilustrativas

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poemas de Patativa inspiram produção cinematográfica

Para encerrar o ano do centenário em homenagem à Patativa, várias atividades estão sendo realizadas

Crato. A programação de encerramento do ano do Centenário de Patativa do Assaré inclui shows, produções artísticas, apresentações folclóricas e a exibição de documentários, entre "O Casamento de Corisco e Dadá em Noite de São João", "Na Rua do Campo", "Mestres dos Saberes e Fazeres da Cultural Popular Assareense", "Patativa Vaca Estrela Boi Fubá" e "A Triste Partida".

Patativa nasceu no dia 5 de março de 1909, na serra de Santana, município de Assaré. Os 100 anos de nascimento do poeta foram comemorados em todo o Brasil, inclusive com uma sessão solene no Senado em sua homenagem. O agricultor pobre, que se tornou famoso com sua poesia matuta, contribuiu para o despertar de uma consciência artística em Assaré. Ancorado na poesia brejeira de Patativa, voltada para a cultura popular, um grupo de jovens da cidade pretende encerrar as comemorações do centenário mostrando que Patativa deixou seguidores em todos os setores da cultura brasileira.

Filmagens

Uma das vertentes deste saber popular é a produção de filmes. Esta semana, a equipe de produção esteve no Crato, concluindo as últimas cenas do filme "O Casamento de Corisco e Dadá em Noite de São João". De acordo com o enredo, Corisco em suas caminhadas pelo sertão cearense encontra uma moça bonita, bordando um pano de cozinha e começa a cortejá-la. Após o encontro, os dois se entrelaçam no meio da Caatinga em uma bela noite de amor. Ao amanhecer, o cangaceiro promete voltar para casar com a moça, mas na sua volta, várias barreiras aparecem, impedindo este amor.

Um amor nascido da pureza de uma menina e do instinto feroz e violento de um cangaceiro. Ela, filha de uma família nobre, poderosa, não aceita a concretização desse amor. Ele, afilhado de um dos homens mais temidos do sertão, usa de sua patente para providenciar a união dos dois amores. "Amor não escolhe status, escolhe corações puros que se amam".

"O Casamento de Corisco e Dadá, em noite de São João", segundo o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, é um curta-metragem de ficção, que traz elementos diferenciados da cultura popular nordestina. Todas as falas do personagens foram elaborados em forma de poesia, com a colaboração do poeta Geraldo Gonçalves, sobrinho de Patativa. Salmo ressalta que o casamento tem sua base sedimentada nas características do cangaço, não identificando os cangaceiros como heróis ou vilões do sertão, mas enfatizando a contribuição cultural do Cangaço para a cultura nordestina e cearense. A produção lembra que o casamento acontece na década de 30, no período da colheita, começando da noite de São João e terminando com a cerimônia do casamento na noite de Santo festivo, onde aparecem todas as místicas e superstições envoltas na cerimônia de matrimônio nessa época.

OPORTUNIDADE
Elenco é formado por atores da região

Crato O filme tem cenas gravadas na cidade de Assaré e nas comunidades de Inhumas e Estiva, ambas no município de Santana do Cariri e na Ponta da Serra, Distrito de Crato. No elenco, apenas atores locais, e será reproduzido em mídia digital. A sua distribuição será gratuita, para escolas e associações comunitárias com fins culturais. Vinte por cento é destinado à Secretaria de Cultura do Ceará, apoiadora do projeto.

A distribuição do produto final do projeto, de acordo com o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, será feita de forma orientada para que os professores trabalhem o curta, focados nas discussões da contribuição cultural do Cangaço, na importância da preservação do patrimônio imaterial e nas tradições juninas.

Ficha técnica

O filme é inspirado na pesquisa de Eugênio Oliveira, texto de Marcos Salmo e Geraldo Gonçalves, roteiro e direção: Marcos Salmo. O elenco conta com os atores e atrizes: Felipe Lira, Vanessa Silva, Pedro César, Thanani Braga, Zé Airton, Paulo Henrique, Welligton Gonçalves, Eugenio Oliveira, Karina Duran, dentre tantos atores. O diretor, Cícero Garcia, ressalta que toda essa equipe é do município de Assaré. O filme tem na produção audiovisual a equipe da "Malungo Produções Audiovisuais", equipe de jovens formados no Projeto Verde Vida e que hoje utilizam os conhecimentos adquiridos na produção audiovisual do Cariri. Toda essa produção é uma realização da Fundação Balceiro de Cultura Popular, que tem a frente da instituição as senhoras Cidinha Oliveira e Thanani Maria, instituição que há mais de dez anos vem promovendo a cultura no Estado do Ceará, uma de suas ações mais conhecidas é o grupo junino Arraiá do Patativa.

Fique por dentro
Poema

Em um dos seus mais conhecidos poemas, "A Festa da Maricota", Patativa do Assaré descreve a chegado de um cangaceiro à festa com o seguinte verso: "O cabra vinha coberto/ da tenda da perdição/ eu reparei e tô certo/ que ele trazia na mão/ o mais pió dos flagelo/ um rife papo amarelo/ e sem compaixão nem dó/ um feio punhá dum lado/ e um grande lenço encarnado/ amarrado no gogó"

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura Municipal de Assaré
Rua Dr. Paiva, 415 - centro
(88) 3535.1613
regional@diariodonordeste.com.br

Matéria e fotos de Antônio Vicelmo
Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Greenpeace adota Padre Cícero como "O Padroeiro das Florestas"

Greenpeace distribui santinhos do sacerdote com 'mandamentos’ em favor do meio ambiente

Para proteger o meio ambiente, o Greenpeace recorreu ao Padre Cícero. A ONG começou a distribuir santinhos do “Padim Ciço” para conscientizar a população sobre a importância de preservar a natureza.“É uma campanha pela preservação das florestas no Brasil”, afirmou Sergio Leitão, que dirige as campanhas da entidade.

A iniciativa começou no mês passado, com a distribuição de 20 mil santinhos em audiências públicas que discutem mudanças no código florestal. “Em vários lugares do mundo, a religião ajuda a criar essa relação com o meio ambiente. A força desses ensinamentos é muito importante”, disse o diretor.

Atrás da imagem estão 11 mandamentos para o agricultor cuidar da natureza como: “Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau” e “não cace mais e deixe os bichos viverem”. “O mandamento é uma espécie de catecismo ambiental. Todo brasileiro que segui-lo ajuda a preservar o meio ambiente”, ressaltou Sergio. O Greenpeace pretende levar a campanha para outras regiões do país e distribuir o santinho durante a festa do Padre Cícero, que acontece no segundo semestre na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará.

OS ONZE MANDAMENTOS DO PADRE CICERO PARA O AGRICULTOR

1) Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau
2) Não toque fogo no roçado nem na caatinga
3) Não cace mais e deixe os bichos viverem
4) Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer;
5) Não plante em serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza;
6) Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva;
7) represe os riachos de cem em cem metros, ainda que seja com pedra solta;
8) plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só;
9) aprenda a tirar proveito das plantas da caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar você a conviver com a serca;
10) Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer;
11) Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só".

Fonte: Diário de São Paulo
Foto: Greenblog

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA... Por Otoniel Ajala

O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado por forças do Exército e da Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do Sítio da Santa Cruz do Deserto ou Sítio Caldeirão, que tinha como líder religioso o beato "JOSÉ LOURENÇO", paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre Cícero Romão Batista, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará É de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e pelos Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS - DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo que: a) seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) sejam os restos mortais exumados e identificados através de DNA e enterrados com dignidade, c) os documentos do massacre sejam liberados para o público e o crime seja incluído nos livros de história, d) os descendentes das vítimas e sobreviventes sejam indenizados no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, redistribuída para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá foi extinta sem julgamento do mérito em 16.09.2009.

AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do Sítio Caldeirão é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do Sítio Caldeirão não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007.

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo desaparecimento forçado de 1000 pessoas do Sítio Caldeirão.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem encontrar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes procurados no "Geopark Araripe" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS deseja apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue esta notícia em seu blog, e a envie para seus representantes na Câmara municipal, Assembléia Legislativa, Câmara e Senado Federal, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal que informe o local da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão.

As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão têm direito inalienável à Verdade, Memória, História e Justiça!

Paz e Solidariedade,

Dr. OTONIEL AJALA DOURADO
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SANTO DO NORDESTE: Imagem do Padre Cícero é colocada na Sé Catedral

O "Roteiro da Fé" no Padre Cícero poderá ser ampliado com a inclusão da Sé Catedral nos pontos de visitação

Crato. Mesmo antes de ser reabilitado de suas ordens sacerdotais, o Padre Cícero já está na porta de entrada da Sé Catedral deste município. As imagens do "Padim" e de Nossa Senhora das Dores estão juntas na entrada da Igreja, ao lado da pia onde o sacerdote foi batizado, no dia 8 de abril de 1844. É a primeira vez que a imagem do "santo do Nordeste" é colocada dentro de um templo católico. Nem mesmo em Juazeiro, onde o "Cearense do Século" é venerado como santo, a Igreja acolheu o Padre Cícero em seus altares.

O escritor Lira Neto, autor do livro "Padre Cícero - Poder, Fé e Guerra no Sertão", afirma que, "apesar da imensa fé dos sertanejos, a imagem do sacerdote ainda não está nas igrejas de Juazeiro". "Encontramos, apenas, um vitral dele na capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde o corpo do religioso foi sepultado", complementa.

O cânon 1.188, do Código de Direito Canônico, uma espécie da Carta Magna da Igreja Católica, recomenda que "mantenha-se a praxe de propor imagens sagradas nas igrejas, para a veneração dos fiéis; entretanto, sejam expostas em número moderado e na devida ordem, a fim de que não se desperte a admiração no povo cristão, nem se dê motivo a uma devoção menos correta". O problema é que, oficialmente, o Padre Cícero ainda não foi reconhecido como santo pela Igreja Católica. "Ao contrário, ele morreu proibido de ministrar os sacramentos", questiona um religioso que prefere não se identificar.

"Sinal dos novos tempos, essa atitude do Cura da Sé, padre Edmilson Neves, apoiado por dom Fernando, é extremamente significativa não apenas do ponto de vista religioso, mas também social, econômico e político", diz o professor de história da Universidade Regional do Cariri (Urca), Océlio Teixeira, destacando que, com essa atitude, a Diocese está abrindo caminhos para a superação da tradicional cisão entre as duas maiores cidades do Cariri. "Oxalá, que os poderes políticos e a população de ambas as cidades se sensibilizem com esse exemplo e passem a agir de forma semelhante", diz o historiador.

Océlio sugere às autoridades municipais e eclesiásticas que procurem incluir a Igreja da Sé - local de batismo do Padre Cícero e que tem atraído muitos romeiros - no chamado "Roteiro da Fé", em elaboração pela Secretaria das Cidades do Ceará e Secretaria de Turismo e Romarias de Juazeiro do Norte.

Romeiros

Enquanto o roteiro não é oficializado, alguns romeiros já incluíram o Crato na programação de visitas. A "frotista" Teresinha de Jesus diz que saiu de Recife, num ônibus com 50 passageiros, com o Crato incluído no roteiro. A devota Maria da Conceição Monteiro ficou impressionada com o que viu. O que mais lhe chamou a atenção, segundo afirmou, foi a pia onde o Padre Cícero foi batizado.

Para os romeiros, a presença da imagem do Padre Cícero dentro da igreja é um fato normal. Eles desconhecem os acontecimentos históricos que resultaram na suspensão das ordens do sacerdote. Indiferentes às rivalidades entre os municípios de Crato e Juazeiro, por questões religiosas, eles cantam, rezam e passeiam na Praça da Sé. O paraibano de João Pessoa, Antônio Vieira Cristino que, pela primeira vez visita o Crato, diz que tudo é muito bonito. "Dá gosto sair de casa para ver os locais por onde o Padim passou".

MAIS INFORMAÇÕES
CúRIA Diocesana
Rua Teófilo Siqueira, 631
(88) 3521.1110
curia@diocesedecrato.org.br

SEDE DO BISPADO
Pastoral das Romarias acolhe devotos do "Padim"

Crato. Além das imagens do Padre Cícero e de Nossa Senhora das Dores, foi colocada uma faixa ao lado da Sé Catedral com o seguinte convite: "A Pastoral das Romarias da Sé Cátedra acolhe, com todo amor, os romeiros da Mãe de Deus que visitam o berço do Padre Cícero". A cada ano que passa, aumenta o número de romeiros que visitam a Catedral de Nossa Senhora da Penha, sede do Bispado da cidade do Crato.

Atento a esse fato e seguindo a orientação do bispo da Diocese do Crato, dom Fernando Panico, o cura da Sé, padre Edmilson Neves, criou a Pastoral das Romarias e tem dado toda a atenção aos devotos que visitam a Igreja onde Padre Cícero foi batizado. Já foi instituída na Catedral a Missa do Romeiro.

A visita dos fiéis à Sé Catedral é acompanhada por jovens da Confraria de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que rezam com os devotos. O presidente da organização religiosa, Meridiano Rodrigues, diz que a orientação é no sentido de que o romeiro seja bem acolhido. Para isso, até uma lanchonete foi montada ao lado da igreja para evitar, segundo afirmou, que os romeiros sejam explorados.

Processo no Vaticano

A eventual canonização do Padre Cícero passa primeiro pela reabilitação. O processo solicitando deu entrada no Vaticano no dia 1º de junho de 2006. Na carta ao papa Bento XVI, por ocasião da entrega dos documentos à Congregação para a Doutrina da Fé, dom Fernando afirmava: "Venho, com toda esperança e humildade, suplicar a Vossa Santidade que se digne reabilitar canonicamente o Padre Cícero Romão Baptista, libertando-o de qualquer sombra e resquício das acusações por ele sofridas". A visita da caravana do Cariri ao Vaticano foi acompanhada pelo Diário do Nordeste, que publicou reportagens exclusivas sobre o tema. Para reforçar os argumentos, a comitiva levou também um abaixoassinado com 150 mil nomes e um documento assinado por cerca de 270 bispos brasileiros, que estavam reunidos em Itaci, São Paulo, pedindo a revisão histórica e eclesial do caso.

O mais importante dos documentos entregues ao Vaticano foi uma petição assinada por dom Fernando Panico. No final do ano passado, por ocasião da visita ad limina dos bispos Nordeste a Roma, o papa Bento XVI prometeu mandar apressar a análise dos documentos, o que aumentou as expectativas dos católicos devotos. Até o momento, de acordo com a Cúria Diocesana, não chegou nenhuma informação sobre o resultados dos estudos. O próprio bispo dom Fernando admite que o processo é lento.

ENQUETE
Nos passos da fé

TEREZINHA DE JESUS
Frotista
Além de visitar a Igreja da Sé, estive também no Museu do Crato que funciona nas proximidades da Catedral

Marisa Lucas Régis
Dona-de-casa
O Padre Cícero é filho do Crato. Foi aqui onde ele nasceu. Por isso, eu dou uma "esticadinha" até esta cidade

Antônia Vieira Cristina
Agricultor
Tudo é muito bonito. Dá gosto sair de casa para ver os locais por onde o "Padim" passou e viveu. Rememoramos tudo

ANTÔNIO VICELMO/Repórter
Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Candeias: a mais bela das romarias


As ruas de Juazeiro do Norte novamente foram iluminadas pelas velas dos milhares de devotos de Nossa Senhora das Candeias, na mais bela das grandes romarias da cidade

Rita Célia Faheina
Enviada a Juazeiro do Norte

O casal Francisco José e Maria Braz de Jesus participa da Romaria das Candeias há 32 anos. Mora na localidade de Poço Redondo, a 150 quilômetros da capital de Sergipe, Aracaju, e viaja para Juazeiro do Norte de pau-de-arara. Francisco e Maria não reclamam das 12 horas de viagem sentados em pedaços de madeira que servem como bancos. ``A gente vem cantando, rezando e nem sente as horas passando. Quando dá conta já chegamos na terra de meu Padim``, diz dona Maria, agricultora como o marido.

Os dois compareceram a todas as celebrações da festa de Nossa Senhora das Candeias, como fizeram os mais de 260 mil fiéis que estiveram na cidade durante os cinco dias de romaria (de sexta-feira, 29, até ontem). O maior número de pessoas foi do estado de Alagoas.

A procissão em homenagem a Nossa Senhora das Candeias ou da Luz chama atenção porque todos os participantes caminham com suas velas acesas. Antes de começar a caminhada, as velas são bentas pelos sacerdotes.

Os caminheiros saíram da Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde está o túmulo do padre Cícero Romão Batista, e seguiram pelas ruas centrais até o pátio em frente à Basílica de Nossa Senhora das Dores, quando receberam as bênçãos dos padres e do bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico. ``Agora voltamos pra casa com a certeza de que fomos abençoados pela nossa Mãe das Candeias e nosso Padim Ciço e, se Deus quiser vamos nos encontrar de novo aqui no ano que vem``, despediu-se Francisco José.

Para os romeiros que seguiram viagem antes da procissão, a despedida foi ao meio-dia, na chamada ``missa do chapéu``.

``Na festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Luz relembramos a data em que a Virgem Maria e São José se apresentaram no templo, em Jerusalém, conforme a lei judaica, 40 dias após o nascimento de Jesus. Levaram o Menino para apresentar ao sumo sacerdote e também ofereceram o sacrifício: dois pombinhos``, explicou o bispo diocesano do Crato. Ele também disse aos romeiros que eles voltavam para casa mais fortalecidos na fé e pediu que praticassem a justiça e a fraternidade.

Pés de Juazeiro
Durante a celebração do meio-dia, o padre Paulo Lemos abençoou as mudas de juazeiro doadas aos romeiros pela prefeitura do município já como um dos eventos do centenário da cidade que será comemorado em 2011. ``Estou levando para plantar no meu terreiro``, disse dona Mariana Francisca da Silva que mora em Gravatá (PE).

A prefeitura pretende doar um milhão de mudas da planta nas romarias deste ano - a árvore é o símbolo do centenário de Juazeiro do Norte que nasceu entre três pés de juá. Irmã Anette Dumoulin aconselhou os romeiros a cuidarem de seus juazeiros para que, no futuro, ``sirvam de sombra para as conversas, as orações, as celebrações dos romeiros``.

EMAIS

- No mês de julho próximo, quando se realizará a romaria de 17 a 20, lembrando a morte do padre Cícero, os fiéis vão ter uma novidade: a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida.

- É a primeira vez que a imagem estará na terra do padre Cícero. Virá da Basílica de Aparecida, no Vale do Paraíba, em São Paulo.

- Na Romaria das Candeias, a novidade foram as relíquias de São João Bosco que também estiveram pela primeira vez na cidade. Chegaram na segunda-feira e permaneceram até ontem.

- Os fiéis puderam ver as relíquias no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, de administração dos padres salesianos. As relíquias (a mão e osso do braço) peregrinam por 143 países, celebrando os 150 anos da congregação religiosa.

NÚMEROS

260
MIL DEVOTOS PARTICIPARAM DA ROMARIA DAS CANDEIAS
5.204
PESSOAS VISITARAM O MEMORIAL PADRE CÍCERO, DURANTE A ROMARIA

42
MIL PESSOAS ESTIVERAM NO MEMORIAL PADRE CÍCERO EM 2009

1
MILHÃO DE MUDAS DE JUAZEIRO DEVEM SER DOADAS AOS ROMEIROS EM 2010

Fonte: Jornal O Povo

ROMEIROS receberam mudas da árvore Juazeiro ontem, como parte da programação da Festa das Candeias


Tornar o sertão "uma mata só" era o conselho ecológico do Padre Cícero, como incentivo à arborização do campo

Juazeiro do Norte. Começa a arrancada, neste município, para a distribuição de um milhão de mudas da árvore Juazeiro, em todo o Nordeste brasileiro. A planta símbolo da terra do Padre Cícero está sendo distribuída por meio do Projeto Árvore do Centenário e a meta é cumprir com a distribuição total até julho de 2011. Nesta primeira etapa, foram distribuídas 3 mil mudas entre os romeiros.

Uma equipe esteve na Praça Padre Cícero e na sala de informações da Paróquia, preenchendo os cadastros dos romeiros que pegaram as mudas. A ideia é já fazer um acompanhamento a partir da próxima romaria para verificar como está sendo o desenvolvimento das plantas. Junto com a muda, os fiéis do Padre Cícero também levam um cartão com os 10 preceitos ecológicos do Padre Cícero. Um deles aconselha o plantio a cada dia de uma árvore de algaroba, caju, de sabiá ou de qualquer outra árvore, até que o sertão todo seja "uma mata só".

O trabalho tem o acompanhamento de técnicos e está sob a responsabilidade da Fundação Mussambê, de Juazeiro do Norte. A parceria se estende às secretarias de Turismo e Romaria, Meio Ambiente, Banco do Nordeste e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA). Segundo o coordenador de Núcleo Agrário da Fundação, Erisvaldo Figueiredo, foram investidos, nessas primeiras mudas, cerca de R$ 50 mil, com recursos da SDA. As próximas mudas terão incentivo do Banco do Nordeste, que repassará mais R$ 50 mil para a aquisição das novas mudas.

A ideia inicial era fazer a entrega das mudas em tubetes biodegradáveis, mas, segundo o coordenador, o projeto acabou ficando inviável. O valor ficou alto, em torno de R$ 800 mil. Nessa primeira etapa da entrega, conforme Erisvaldo, estão sendo repassadas poucas mudas, mas na próxima grande romaria a perspectiva é distribuir 200 mil ou até 300 mil mudas. O mês de maio é o mais propício para a coleta de sementes.

Condições de plantio

As primeiras mudas estão com três meses. Mesmo aparentemente pequenas, o coordenador de Núcleo Agrário afirma já estarem em condições boas para o plantio. "Já tem acima de seis folhas e isso facilita a sobrevivência da planta, típica do semiárido", diz ele. A árvore do Juazeiro, com o nome científico de Ziziphus joazeiro, é a única planta que fica verde no verão. Serve como pasto apícola, oferece boas condições de sombreamento e garante pasto para os animais de pequeno porte no sertão, como ovinos e caprinos.

No início da terra do Padre Cícero, eram três pés de Juazeiro, uma capela e a pequena vila. A árvore tem um significado histórico para a cidade. Segundo o historiador Daniel Walker, da Comissão do Centenário, o objetivo do projeto é arborizar o Nordeste, e que os romeiros tenham no seu quintal ou na sua cidade, a árvore símbolo de Juazeiro do Norte.

Daniel lembra dos preceitos ecológicos do Padre Cícero, e diz que, durante as missas que ele celebrava, sempre levava as mensagens ecológicas para os fiéis. "Foi o precursor da ecologia no Cariri", ressalta o estudioso, lembrando os conselhos do sacerdote para preservar as manifestações de vida na natureza.

No Nordeste, a árvore de Juazeiro também é chamada de "Juá". Para a romeira alagoana, Laura Pedro de Sousa, é uma bênção poder ter um pé de Juá em sua porta. "Um santo remédio. É uma bênção de Deus".

Para Erisvaldo Figueiredo, a distribuição das mudas tem uma simbologia diferenciada, por ser uma recordação viva da terra do Padre Cícero. Ele explica que daqui a cinco ou oito anos a planta já estará adulta. "É a planta que deu origem a nossa cidade e que vai perdurar por muitos anos", completa.

O Projeto Árvore do Centenário foi inspirado numa romeira. O depoimento ouvido pela irmã Annete Dumoullin foi inspirador para criar o projeto de arborização, disseminando o símbolo de Juazeiro do Padre Cícero. Dos caroços das frutas da "terra do Padim", consumidas pelos romeiros, novas plantas surgiam em suas cidades. Na igreja, ao meio dia de ontem, as mudas receberam as bênçãos na hora da despedida do romeiro. Uma planta sagrada para os fiéis, e símbolo da terra que já é considerada santa por grande parte dos nordestinos. Uma consciência de ecologia incentivada, a partir dos preceitos do Padre Cícero.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511. 4040

Fonte : Diário do Nordeste
Reportagem e foto: ELIZÂNGELA SANTOS