sábado, 31 de outubro de 2009
Estátua do Horto: 40 anos abençoando o Cariri
A estátua do Padre Cícero na Colina do Horto faz 40 anos amanhã. Plano de revitalização preservará a imagem
Juazeiro do Norte. A imagem se tornou viva na fé do nordestino, um símbolo sagrado do romeiro. Na voz do "Rei do Baião", Luiz Gonzaga, ele aponta o seu olhar e dá mais brilho pela canção ao monumento mais conhecido do Nordeste. "Olha lá, no alto do Horto, ele tá vivo, o padre não está morto...". O viva ao "Padim", quatro décadas depois de inaugurada a estátua, será dado na manhã deste domingo, com a comemoração de aniversário de 40 anos e lançamento de projeto de recuperação. Considerado o terceiro maior monumento em concreto armado do mundo, são 28 metros, a partir da base.
O local passou a ser um dos principais pontos de visitação do romeiro nordestino. Tornou mais conhecida a figura mítica do Padre Cícero. O primeiro fato que contribuiu para a sua fama por todo o Nordeste foi o milagre protagonizado pela beata Maria de Araújo, com o sangramento da Hóstia, no ano de 1889. Ontem pela manhã, a beata recebeu uma homenagem (em memória) em sua casa de nascimento, onde atualmente funciona o prédio dos Correios, na Rua da Conceição, no Centro da cidade. Antes era uma velha casa de taipa. Uma placa foi afixada no local, contando um pouco de sua história.
Estátua de madeira
Mas a história das imagens do Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, começa com a sua própria concordância. O escultor Inocêncio da Costa Mik, o Mestre Noza, foi quem primeiro teve o estalo de homenagear o padre com uma estátua em madeira. Algumas imagens do escultor que fez história podem ser vistas no Centro Cultural Banco do Nordeste, no município. Ele levou o seu trabalho, prontamente aprovado pelo sacerdote na época.
De lá para cá, são milhões espalhadas pelo mundo. Uma verdadeira indústria de estátuas do "Padim" em fábricas, quintais de casas. São centenas de famílias que sobrevivem do ofício de confeccionar a imagem mais popular do Nordeste. Para o ex-prefeito Mauro Sampaio, que abraçou a ideia de homenagear o Padre Cícero e os romeiros com um grande monumento, em seu primeiro mandato de prefeito na cidade, um momento iluminado em sua vida. Se foi a maior obra de Juazeiro, ele é reticente, mas destaca em suas palavras que, com certeza, é a mais falada.
Do Horto, a imagem de Padre Cícero, o conselheiro das massas como é denominado por estudiosos, com o seu cajado na mão direita e o inseparável chapéu, na esquerda, lança o olhar protetor sobre o Cariri, de um dos pontos mais altos da região. De longe, um ponto branco em meio ao verde da serra. Poderia ser até maior, como diz o escritor Geraldo Menezes Barbosa, diante da constatação do coordenador da obra, Jaime Magalhães. O escultura foi projetada pelo pernambucano, Armando Lacerda. Ele não era um profissional do ramo, mas apresentou um projeto que foi logo aprovado pelo então prefeito Mauro Sampaio, em 1967, logo que assumiu a administração municipal, pela primeira vez.
E foi pela boca de um religioso que nasceu o pedido da maior homenagem ao mito. Era o Beato Cruzeiro, que foi até a casa do prefeito, logo pela manhã, e fez o pedido para construção de um cruzeiro no Horto em homenagem ao "Padim". "Um homem magro, moreno, de estatura mediana, que vestia uma túnica preta com uma grande cruz branca nas costas", descreve. O prefeito trouxe a ideia da estátua, e o beato não acreditou. Se vinha o pedido de construção do cruzeiro a outros prefeitos, e não tinha se realizado, imagine da estátua. Mas veio. "Nunca vi aquele homem antes e nem depois daquele dia", disse Mauro Sampaio.
Por coincidência, no dia seguinte, na mesma hora, o prefeito recebeu uma nova visita, dessa vez de um amigo comerciante, Francisco Alves Nobre, em companhia de um homem, que seria o escultor Armando Lacerda, revendedor de bebidas. Em pouco tempo, ele apresentou a maquete, que hoje está na sala da residência do ex-prefeito. Ele preserva de forma original, ainda com os riscos que davam ideia das medidas da estátua, com pouco mais de um metro e meio. Inicialmente se pensou em seis metros de altura e foi aumentando até chegar aos 25, incluindo mais três com a base.
"A construção do monumento se deu pela influência que o padre exerceu sobre os romeiros de todo o Nordeste, o que o transformou no grande líder e condutor de todos os movimentos de desenvolvimento da nossa região", diz ele, ao acrescentar que o monumento é um grande referencial em todo o Brasil.
A estátua, depois de inaugurada, passou a ser um chamariz maior dos romeiros e turistas para a cidade, além de pesquisadores de vários países do mundo, que vieram a Juazeiro pesquisar a razão do crescimento e devoção dos romeiros. Uma forma de chamar mais a atenção para o maior fenômeno da religiosidade popular do Brasil. "Jamais imaginaria que pudesse provocar esse movimento tão intenso, que cada vez mais aumenta, chama a atenção e difunde as virtudes do nosso grande patriarca", revela.
O ex-prefeito também faz uma observação quanto a abertura da própria Igreja Católica em relação ao sacerdote. "Quebrou todas as barreiras. Hoje, o próprio bispo dom Fernando Panico vai a Roma fazer o pedido de reabilitação do Padre Cícero ao papa. Isso é altamente confortante para mim, por ter tido a iluminação de construir esse monumento que, naquela época, só Deus sabe as dificuldades que enfrentei", avalia ele.
A escolha do Horto como local seguiu critérios. As caminhadas e pagamentos de promessas pelos romeiros já aconteciam para o Santo Sepulcro, a poucos quilômetros da estátua, e no local o Padre Cícero começou a fazer uma capela, e foi proibido pelo bispo de continuar a construção. "Aproveitei os alicerces da própria capela para fazer a estátua do Padre Cícero", afirma Sampaio.
"Dentro da estátua é como uma catedral", diz o escritor e jornalista Geraldo Menezes Barbosa, que esteve no ato da inauguração. Aconteceu às 18 horas, com a presença de autoridades do Estado e da região e uma grande multidão de romeiros. A luz foi acionada por controle remoto da própria Igreja Matriz. "Foi grande a repercussão", diz Geraldo Barbosa.
IMAGEM SANTA
Religioso recebeu outras homenagens
"Dei uns pitacos para mudarem aquele nariz da estátua grande", diz a artista plástica Assunção Gonçalves, de 94 anos. Pessoalmente esteve com o Padre Cícero. Acompanhou a inauguração da estátua na Praça Padre Cícero, a primeira em espaço público, junto com o sacerdote. Foi o dia em que ela perfumou o padre no meio da rua. Antes da imagem na Colina do Horto, o religioso, considerado o "pai dos romeiros" no Nordeste, também recebeu outras homenagens em forma de estátua.
"Ele vestiu a batina nova e saiu pela São Pedro, para chegar na praça na hora da inauguração. Esqueceu o perfume e corri atrás dele", lembra. Para ela, a mais perfeita das estátuas em espaço público, por se parecer muito com ele. A do Horto ela não vê tanta semelhança. Ainda hoje, guarda fotos como lembrança do local da construção do grande monumento. Os romeiros que vêm a Juazeiro podem percorrer todos os pontos de visitação, mas um dos mais importantes é a estátua.
Texto e Fotos: Elizângela dos Santos
Fonte: www.diariodonordeste.com.br/regional - 31/10/2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
ROMARIA DE FINADOS
A maior romaria do ano em Juazeiro do Norte conta com esquema especial de segurança e assistência social aos fieis
Juazeiro do Norte. Será aberta oficialmente amanhã, com missa campal na Praça dos Romeiros, às 19 horas, a Romaria da Finados, neste município. A expectativa durante os próximos quatro dias é que a cidade receba cerca de 600 mil romeiros. Esta é a maior romaria do ano, com menos dias de realização. Este ano, as comemorações das quatro décadas da estátua do Padre Cícero será o ponto alto da festa, com lançamento de projeto de revitalização do espaço do horto e restauração do monumento.
Todos os setores de segurança estão sendo mobilizados, já que há uma reprogramação da atuação da segurança. Segundo o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, esta romaria, além de ser a maior, tem uma característica diferente, pelo grande número de visitantes, que se espalham pelos bairros da cidade. "Isso faz com que haja um trabalho mais intensificado em várias localidades de Juazeiro", explica. Ele afirma que os diversos setores da administração, como saúde, assistência social e outros órgãos parceiros continuarão realizando atendimento ao romeiro, na parte de informação e orientação ao público.
As barreiras na entrada da cidade farão a contagem dos carros e do número de romeiros que chegam à cidade juazeirense. "Seguiremos a mesma estratégia adotada na Romaria de Nossa Senhora das Dores, que já facilitou mais o nosso trabalho", afirma. O setor de limpeza foi um dos mais criticados durante a romaria de setembro, que durante 15 dias acolheu mais de 300 mil romeiros.
A ideia, conforme José Carlos, é, além de orientar os barraqueiros quanto ao destino do lixo, intensificar a coleta. A redistribuição dos vendedores nos bairros do Socorro, nas proximidades da Capela e após a Basílica de Nossa Senhora das Dores, segundo o secretário de Segurança e presidente da Comissão Permanente de Organização da Romaria, Cláudio Luz, continua, já que houve um bom resultado em termos de organização e fluidez do trânsito.
O trabalho será ampliado para a proximidade do Santuário dos Franciscanos.
Em volta do Santuário, por vários anos, os ambulantes se instalaram de forma desordenada. O objetivo, segundo o secretário, é promover uma organização maior no sentido de proporcionar espaço para as pessoas se locomoverem. Esses lugares de maior fluxo de pessoas acabam sendo também os locais onde há maior número de ocorrências de assaltos. "No Socorro houve uma redução praticamente de 100% no número de assaltos", ressalta Cláudio Luz.
O tema da romaria este ano é "Padre Cícero e São Francisco caminhos de Paz e Justiça para Cristo". Um dos locais mais visitados durante esse período, além da estátua do Horto e a Capela do Socorro, onde estão sepultados os restos mortais do Padre Cícero, é o Santuário dos Franciscanos, que faz uma programação especial para receber os romeiros. Tanto que o tema integra o trabalho da Basílica com os frades capuchinhos. A abertura na Igreja dos Franciscanos será às 19 horas de amanhã.
Já na Basílica de Nossa Senhora das Dores e no Socorro há uma programação destinada às missas durante o dia, devocionários e confissões. Às 15 horas, encontro com os romeiros no Círculo Operário São José. Todos os dias será realizada procissão, de 29 até o dia 1º, da Capela do Socorro para a Brasílica.
Padre Paulo Lemos, administrador da Basílica, explica que por ser a programação da Romaria de Finados uma das mais simples, serão inseridas as procissões, que vão acontecer todos os dias. No dia primeiro, dedicado ao romeiro, por meio de lei municipal, e Dia de Todos os Santos, haverá uma procissão especial, em que a Igreja Católica conclama os romeiros a participarem com a imagem de um santo. A saída será da Capela do Socorro, às 18 horas, até a Basílica.
A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Seasc) formou uma equipe envolvendo funcionários de todos os departamentos para elaboração de um calendário de atividades para a Romaria de Finados, a ficar disponibilizado nos locais de maior movimento como Franciscanos, Horto, Salesianos, Matriz e Socorro o balcão de informações. Uma equipe especializada, fará um trabalho preventivo contra a exploração de crianças e os adolescentes.
A segurança será desenvolvida pela Guarda Municipal, agentes de trânsito, e do Estado, com as polícias Militar e Civil. Serão disponibilizadas equipes de médicos, enfermeiros e técnicos em pontos estratégicos .
Mais Informações:
Secretaria de Paróquia
Rua Padre Cícero, 147
Centro, Juazeiro do Norte (CE)
(88) 3511.2202
Texto: Elizangela Santos - Reporter
Fonte: http://www.diariodonordeste.com.br/
Nota do Editor: Quero parabenizar a repórter Elizângela Santos por usar o termo tradicional Romaria de Finados, visto que nos úlitmos anos o governo do estado inventou a denominação de Romaria da Esperança. Embora muito bonito, esse título não representa a maneira tradicional como os romeiros se referem à romaria de novembro.
sábado, 24 de outubro de 2009
40 anos da Estátua do Padre Cícero na Colina do Horto
Naquele prédio da Rua da Conceição nasceu a beata Maria de Araújo, protagonista dos fatos extraordinários de Juazeiro quando a hóstia se transformou em sangue na sua boca por repetidas vezes. Autoridades locais e dirigentes dos Correios no Ceará farão aposição de uma placa na agência numa homenagem à religiosa. A iniciativa integra um projeto da Setur que vai identificar um total de 22 prédios ainda existentes e que ostentam relações históricas com o município.
No dia 1º de novembro, data dos 40 anos da estátua de Padre Cícero, haverá uma solenidade a partir das 8 horas, na Colina do Horto, e ao lado do monumento. Junto com a fixação de uma comemorativa às quatro décadas, a Prefeitura de Juazeiro prestará uma homenagem ao médico Mauro Sampaio que foi o construtor da estátua quando prefeito da cidade. No mesmo instante será lançado o projeto de tombamento e revitalização do Horto, bem como da “Árvore do Centenário” com a coleta de sementes de Juá.
O dia 1º de novembro é, também, consagrado ao romeiro e estes serão igualmente homenageados com show em praça pública que marca ainda o encerramento da programação pelos 40 anos do monumento de Padre Cícero. Na Praça dos Romeiros, em frente à Basílica de Nossa Senhora das Dores, a partir das 20h30min, se revezarão no palco os “Cantores de Padre Cícero”, Luiz Fidélis, Jota Farias e Fábio Carneirinho. Antes das apresentações, haverá um show pirotécnico.
Por Demontiter Tenório - http://blogdojuazeiro.blogspot.com/
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
145 anos de Ibiapina nas terras caririenses
Padre Ibiapina: um resumo biográfico
José Antônio Pereira Ibiapina nasceu a 5 de Agosto de 1806, na Vila de Sobral, no norte da Província do Ceará. Era o terceiro filho(de um total de oito) do casal Francisco Miguel Pereira e Teresa Maria de Jesus. Em 1816 sua família se transfere para a vila de Icó, a mais povoada da Província do Ceará, naquela época. Nesse mesmo ano Ibiapina é matriculado na Escola do Prof. José Felipe. Nessa vila seu pai, Francisco Miguel Pereira trabalhou com tabelião público, sendo convidado, em 1919 para ocupar o cargo na recém criada Comarca do Crato, pelo seu primeiro Ouvidor, José Raimundo do Paço de Pórbem Barbosa. Em Crato, Ibiapina teve aulas com o José Manuel Felipe Gonçalves. No entanto, diante das agitações políticas pós Revolução Pernambucana de 1817, que teve na vila de Crato um de seus pilares no Ceará, o pai de Ibiapina, em 1820, resolve enviar o filho para recém criada vila de Jardim para que o mesmo estudasse com o latinista Joaquim Teotônio Sobreira de Melo. Em 1823 seu mestre o enviou de volta a Crato, recomendando que o mesmo estava apto a ingressar nos estudos do Seminário de Olinda. Nesse mesmo ano toda a família se transfere para Fortaleza. O Ano de 1823 é marcado ainda pelo falecimento de sua mãe e pelo seu ingresso no Seminário de Olinda, onde permaneceu por um curto período (10/11 a 15/12).
Em Fortaleza seu pai e seu irmão mais velho, Alexandre Raimundo Pereira Ibiapina, se envolveram no movimento republicano Confederação do Equador. O pai foi fuzilado, em 1825, e o irmão preso em Fernando de Noronha, onde morreu pouco tempo depois. Ibiapina, que voltara ao Ceará no inicio de 1824, a chamado o pai, teve que assumir e manter financeiramente a família. Segundo o estudioso e bibliógrafo Padre Francisco Sadoc de Araújo, foi nessa época que foi acrescentado ao seu nome de batismo o sobrenome Ibiapina, uma homenagem do seu pai à povoação de São Pedro de Ibiapina, na Serra da Ibiapaba (como também fizeram outros confederados para homenagear topônimos regionais).
Em 1828, Ibiapina retorna ao Seminário de Olinda para continuar os estudos. No entanto, ele permanece apenas 6 meses, de 03/02/1828 a 05/08/1828. Após o seminário, Ibiapina ingressou no Curso de Direito do Recife, concluindo o mesmo em 1832. No ano seguinte, Ibiapina exerceu o cargo de professor substituto de Direito Natural na Faculdade de Olinda, foi eleito Deputado Geral para a legislatura de 1834 a 1837 e nomeado, em dezembro, Juiz de Direito da Comarca de Campo Maior (Quixeramobim) do Ceará. Assumiu efetivamente esse cargo durante o período do final de 1834/início de 1835.
Concluídos os trabalhos legislativos, em 1837, Ibiapina voltou para o Recife e resolve exercer a advocacia. No entanto, ele passa a exercer efetivamente a profissão na Paraíba, nos anos de 1838 e 1839. Em 1840 volta ao Recife e continua a exercer a advocacia. A partir de 1850, no entanto, após dez anos atuando como advogado, Ibiapina resolve abandonar seus trabalhos forenses e inicia um período dedicado à meditação e exercícios de piedade. Esse retiro espiritual durou três anos.
Ordenação Sacerdotal e Ação Missionária
Após três anos de meditação e reflexão Ibiapina decide-se pelo sacerdócio. Nesse sentido, em 12 de julho de 1853, aos 47 anos de idade, ele solicita ao Bispo de Pernambuco, Dom João da Purificação Marques Perdigão, permissão para ordenar-se padre, sem, no entanto se submeter aos exames. A princípio o bispo não aceita. Porém, com a intermediação de amigos, Ibiapina consegue a permissão, sendo ordenado em 26 de julho de 1853.
Logo após sua ordenação, o Bispo Dom João da Purificação o nomeia Vigário Geral e Provedor do Bispado, e professor de Eloqüência do Seminário de Olinda. Segundo Eduardo Diatahy B. de Menezes “tais cargos e honrarias não seduziam Ibiapina, que logo renuncia a eles para dedicar-se ao seu projeto missionário de viajar, doutrinar, educar e construir algo concreto para as populações abandonadas dos sertões nordestinos.” (Pe. Ibiapina: Figura Matricial do Catolicismo Sertanejo no Nordeste do Século XIX, Revista do Instituto do Ceará, 1998). Em 8 de dezembro de 1855, quando já tinha tomado a decisão de ser missionário, por ocasião da celebração do primeiro aniversário do dogma da Imaculada Conceição, Padre Ibiapina alterou o seu nome civil, trocando o sobrenome Pereira pelo de Maria, passando a ser chamado de Padre Antônio José de Maria Ibiapina. Com esse ato ele consagrava toda sua vida a Maria Santíssima e ao seu filho, Jesus Cristo.
Padre Ibiapina começou então seu trabalho missionário pelo interior do Nordeste. Entre os anos de 1856 até sua morte, em 13 de fevereiro de 1883, ele peregrinou por cinco Províncias (Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Paraíba). Em cada lugar ele pregava, orientava, promovia reconciliações, construía açudes, igrejas, cemitérios, cacimbas, dentre outras tantas obras, conforme as necessidades de cada lugar. Em diversas vilas construiu as famosas Casas de Caridade, destinadas a receber moças pobres. Nessas Casas as moças eram educadas para a fé, para o exercício dos trabalhos domésticos e para o casamento. No Ceará ele missionou no período de 1862 a 1870. Primeiro na região norte, na vila de Sobral e adjacências. Depois no Cariri, sul da Província.
No Cariri, o Padre Ibiapina esteve em três momentos. O primeiro teve inicio em 14 de outubro de 1864, na vila de Missão Velha, estendendo-se até o inicio de fevereiro do ano seguinte. Durante esse período ele visitou, alem de Missão Velha, a vila de Barbalha e a o povoado de Conceição do Cariri(atual Porteiras). Como principal obra dessa primeira visita ao Cariri, Padre Ibiapina inaugurou em 02 de fevereiro de 1865 a Casa de Caridade na região da vila de Missão Velha. Desse ato participou o jovem Cícero Romão Baptista, à época com vinte anos de idade, que segundo os mais diversos estudiosos foi fortemente influenciado pela pregação do Padre Ibiapina e pelo seu exemplo de serviço ao povo pobre e humilde.
A segunda visita ao Cariri ocorreu no período de maio de 1868 a agosto de 1869, passando, portando mais de um ano na região. Nessa etapa, ele visitou Missão Velha, Barbalha, Caldas(vila de Barbalha), Crato, Goianinha(atual distrito de Jamacaru), Jardim, Porteiras, Milagres, Brejo Santo e Vila de São Pedro(atual Abaiara). Principais ações: construção de capelas, recuperação de igrejas e três Casas da Caridade(Crato, Milagres e Barbalha).
A terceira e última visita ao Cariri ocorreu no período de 9 de fevereiro de 1870 a 25 de abril do mesmo ano. Esteve visitando as Casas de Caridade implantadas na região(Missão Velha, Crato, Barbalha e Milagres). Depois dessa data, o Padre Ibiapina não missionou mais no Ceará. O padre peregrino continuou seu trabalho missionário até 1876, quando acometido de doença, ficou paralitico, não podendo se locomover sozinho. Passa então a residir na Casa de Caridade de Santa Fé, na Paraíba. Nessa Casa ele viveu sete anos, participando ativamente da vida da comunidade. Faleceu no dia 19 de fevereiro de 1883.
Atualmente, encontra-se na Congregação das Causas dos Santos seu processo de canonização. Ele já é oficialmente reconhecido como Servo de Deus, após o documento ´Nihil Obstat´ da Santa Sé, emitido a 18 d e fevereiro de 1992. No último dia 17 de setembro, por ocasião da visita ad limina os 22 bispos do Regional Nordeste 2 da CNBB (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), tendo à frente o arcebispo de Maceió, Dom Antônio Muniz Fernandes, solicitaram celeridade no processo de canonização do Apóstolo do Nordeste.
Referência Bibliográfica: Além das citadas no corpo do texto, pesquisei essas informações no trabalho do Pe. Francisco Sadoc de Araújo. Pe. Ibiapina: Peregrino da Caridade. Fortaleza: Gráfica da Tribuna do Ceará, 1995.
Autor: Océlio Teixeira de Souza
II Festival Cariri da Canção
Está acontecendo na cidade de Crato, de 21 a 24 do corrente mês,
o II FESTIVAL CARIRI DA CANÇÃO. Todo dia no Centro
Cultural do Araripe - Largo da Reffsa, a partir das 19:30min.
Hoje, 3ª Eliminatória com as seguintes músicas concorrentes:
1. Soldadinho do Araripe
Autor: Rainerio Ramalho
Intérprete: Grupo Os Peleja
Local: Barbalha/CE
2. Sempre o Melhor
Autor: Vinícius Bitencourt
Intérprete: Vinícius Bitencourt
Local: Fortaleza/CE
3. Vou Tirar Você do Pensamento
Autor: Magaivel Pedro / Samuel Pereira
Intérprete: Alberto Kelly Franca
Local: Crato/CE
4. A Dama e o Verso
Autor: Luciana Dantas / Karine Cunha
Intérprete: Fatinha Gomes
Local: Juazeiro do Norte/CE
5. Falsa Memória
Autor: Márcio Holanda / Cláudio Mendes
Intérprete: Cláudio Mendes
Local: Fortaleza/CE
6. Imaginei
Autor: Álvaro Holanda
Intérprete: Álvaro Holanda
Local: Crato/CE
7. Até Você Chegar
Autor: Nando Nuque
Intérprete: Nando Nuque
Local: Juazeiro do Norte/CE
8. Nucença das Águas Cantantes
Autor: Sanderley Coelho
Intérprete: Sanderley Coelho
Local: Barro/CE
9. Raiz e Cais
Autor: Lucíola Feijó
Intérprete: Lucíola Feijó
Local: Fortaleza/CE
Fonte: Blog Cariri Agora - Postagem de Carlos Rafael
Colina do Horto será restaurada
Juazeiro do Norte. A maior festa religiosa deste município será realizada de 28 de outubro a 2 de novembro. A perspectiva da Igreja é receber, na Romaria da Esperança, em memória de finados, mais de 500 mil romeiros. Ontem, se reuniram, no Círculo Operário São José, representantes de todas as secretarias municipais, setores da segurança pública, entidades classistas e a Igreja para os acertos finais da organização. Este ano, a Estátua do Padre Cícero, no Horto, completa 40 anos. O principal símbolo da religiosidade popular do Brasil necessita de restauração. Para isso, será lançado, no dia 1º (data do aniversário do símbolo), aos pés da estátua, um Programa de Restauração e Requalificação da Colina do Horto, uma parceria da Fundação Salesiana e administração municipal.
O administrador do Horto, padre José Venturelli, se encontra em Brasília e há alguns meses vem pleiteando verba federal, por meio de projeto, para promover a recuperação. Durante a reunião da "Operação Romeiro", houve exposição dos diversos setores participantes de como irão atuar este ano. Na romaria de setembro, o Restaurante Popular chegou a duplicar o número de refeições. O programa será seguido principalmente nos dias de maior visitação dos fieis do Padre Cícero.
Um dos locais mais visitados neste período, além da Estátua do Horto e a Capela do Socorro, onde estão sepultados os restos mortais do Padre Cícero, é o Santuário dos Franciscanos, que faz uma programação especial para receber os romeiros. A abertura na Igreja dos Franciscanos será às 19 horas do dia 29. Já na Basílica de Nossa Senhora das Dores e no Socorro há uma programação destinada às missas durante o dia, devocionários e confissões e, às 15 horas, encontro com os romeiros no Círculo Operário São José. Todos os dias terá procissão, de 29 até o dia 1º de novembro, da Capela do Socorro para a Basílica.
Uma das preocupações da saúde durante este período é com a temperatura na região, já que é o período mais quente do ano. Para isso, será realizado um trabalho especial de orientação em relação à alimentação e ingestão de muito líquido durante este período. A segurança receberá um reforço e atuará de forma integrada, com mais de 400 homens da Guarda Municipal, polícias Civil e Militar, além do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran).
Organização
Segundo o presidente da Comissão de Romaria, Cláudio Luz, a meta é manter a mesma organização das barracas e do trânsito de setembro, incluindo os Franciscanos, já que a grande movimentação de romeiros acontece também em volta do Santuário. Pela tradição, os ônibus e caminhões que chegam à cidade fazem a volta, por três vezes, com buzinaço, na Estátua de São Francisco. A prioridade, conforme ele, é dar prioridade aos comerciantes informais de Juazeiro do Norte e região.
O padre Paulo Lemos ressaltou o trabalho que foi feito na romaria de Nossa Senhora das Dores, principalmente da segurança, que funcionou bem, mas ressalta a importância da permanência dos serviços, já que a romaria começou em setembro e permanece até o mês de fevereiro, sendo que há os grandes momentos, como em novembro. Ele destaca, por exemplo, que no Natal já acontece uma grande romaria. Destacou que as mudanças agradaram os romeiros, principalmente nos espaços das calçadas da Praça dos Romeiros, que ficaram livres.
Já a coordenadora da Pastoral das Romarias, Annete Dumoullin, disse que uma das preocupações tem sido principalmente em relação aos ranchos e pousadas. "É preciso descobrir uma forma de fiscalizar e criar uma lei para isso. Há exagero nos preços e o atendimento é uma vergonha". Segundo ela, nem todos os proprietários de ranchos agem assim, mas muitos até tratam os romeiros como animais. Outro ponto é a fiscalização dos alimentos. "Há quentinhas com carne de até quatro dias", diz ela.
Mais informações
Secretaria de Paróquia
Rua Padre Cícero, 147
Centro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.2202
ELIZÂNGELA SANTOS - REPÓRTER
www.diariodonordeste.com.br/regional - 23/10/2009
NOTA DO EDITOR: Romaria da Esperança, embora muito bonito, foi um termo criado pelo Governo do Estado(não lembro se o atual governo ou o passado), portanto algo que veio de cima para baixo. Os romeiros preferem romaria de finados, festa de finados, visita ao Padre Cícero. Vale salientar, inclusive, que as romarias de Juazeiro correm um sério risco de serem descaracterizadas pelas ações de agentes externos(poderes públicos, empresários, mídia, etc), que não respeitando suas especificidades, vão transformando os espaços romeiros/espaços sagrados, o tempo romeiro, a cultura romeira, a fé romeira, em nome do turismo religioso, do desenvolvimento econômico e do crescimento da cidade.
O administrador do Horto, padre José Venturelli, se encontra em Brasília e há alguns meses vem pleiteando verba federal, por meio de projeto, para promover a recuperação. Durante a reunião da "Operação Romeiro", houve exposição dos diversos setores participantes de como irão atuar este ano. Na romaria de setembro, o Restaurante Popular chegou a duplicar o número de refeições. O programa será seguido principalmente nos dias de maior visitação dos fieis do Padre Cícero.
Um dos locais mais visitados neste período, além da Estátua do Horto e a Capela do Socorro, onde estão sepultados os restos mortais do Padre Cícero, é o Santuário dos Franciscanos, que faz uma programação especial para receber os romeiros. A abertura na Igreja dos Franciscanos será às 19 horas do dia 29. Já na Basílica de Nossa Senhora das Dores e no Socorro há uma programação destinada às missas durante o dia, devocionários e confissões e, às 15 horas, encontro com os romeiros no Círculo Operário São José. Todos os dias terá procissão, de 29 até o dia 1º de novembro, da Capela do Socorro para a Basílica.
Uma das preocupações da saúde durante este período é com a temperatura na região, já que é o período mais quente do ano. Para isso, será realizado um trabalho especial de orientação em relação à alimentação e ingestão de muito líquido durante este período. A segurança receberá um reforço e atuará de forma integrada, com mais de 400 homens da Guarda Municipal, polícias Civil e Militar, além do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran).
Organização
Segundo o presidente da Comissão de Romaria, Cláudio Luz, a meta é manter a mesma organização das barracas e do trânsito de setembro, incluindo os Franciscanos, já que a grande movimentação de romeiros acontece também em volta do Santuário. Pela tradição, os ônibus e caminhões que chegam à cidade fazem a volta, por três vezes, com buzinaço, na Estátua de São Francisco. A prioridade, conforme ele, é dar prioridade aos comerciantes informais de Juazeiro do Norte e região.
O padre Paulo Lemos ressaltou o trabalho que foi feito na romaria de Nossa Senhora das Dores, principalmente da segurança, que funcionou bem, mas ressalta a importância da permanência dos serviços, já que a romaria começou em setembro e permanece até o mês de fevereiro, sendo que há os grandes momentos, como em novembro. Ele destaca, por exemplo, que no Natal já acontece uma grande romaria. Destacou que as mudanças agradaram os romeiros, principalmente nos espaços das calçadas da Praça dos Romeiros, que ficaram livres.
Já a coordenadora da Pastoral das Romarias, Annete Dumoullin, disse que uma das preocupações tem sido principalmente em relação aos ranchos e pousadas. "É preciso descobrir uma forma de fiscalizar e criar uma lei para isso. Há exagero nos preços e o atendimento é uma vergonha". Segundo ela, nem todos os proprietários de ranchos agem assim, mas muitos até tratam os romeiros como animais. Outro ponto é a fiscalização dos alimentos. "Há quentinhas com carne de até quatro dias", diz ela.
Mais informações
Secretaria de Paróquia
Rua Padre Cícero, 147
Centro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.2202
ELIZÂNGELA SANTOS - REPÓRTER
www.diariodonordeste.com.br/regional - 23/10/2009
NOTA DO EDITOR: Romaria da Esperança, embora muito bonito, foi um termo criado pelo Governo do Estado(não lembro se o atual governo ou o passado), portanto algo que veio de cima para baixo. Os romeiros preferem romaria de finados, festa de finados, visita ao Padre Cícero. Vale salientar, inclusive, que as romarias de Juazeiro correm um sério risco de serem descaracterizadas pelas ações de agentes externos(poderes públicos, empresários, mídia, etc), que não respeitando suas especificidades, vão transformando os espaços romeiros/espaços sagrados, o tempo romeiro, a cultura romeira, a fé romeira, em nome do turismo religioso, do desenvolvimento econômico e do crescimento da cidade.
Juazeiro do Norte - Fundação e Romaria, por Luiz Domingos de Luna
Correu o boato primeiro
No Vilarejo ignorado
No Cariri instalado
Do Ceará, o Juazeiro:
Um padre piedoso,
Acolhedor de peregrino,
No sertão nordestino,
De coração bondoso,
Instrutor do povo,
Desprovido e miserável.
A seca da terra arável,
O arado para o novo
De pedintes, aos sertanejos.
De penitentes à instrução,
Do trabalho a oração,
A sábia pregação,
No púlpito, chegou primeiro.
Assim nasce juazeiro
Do sertanejo, - A missão.
Qual era o penitente
Que não encontrava conforto
Na casinha lá do horto?
O patriarca presente,
As minas do Coxá
Para a futura messe,
A base que engrandece
A sua missão popular,
A Santa Cruz presente
No cruzeiro itinerante.
Não tem povo ignorante
Quando se planta a semente
Qual o raiar sem hino
Da harmonia ritmada.
Do Araripe - a chapada
De um povo peregrino,
O Sonho de Canaã
Jorrando leite e Mel
Nem a princesa Isabel,
Conseguiu àquela manhã.
Cícero Romão Batista instalou
Uma nova realidade,
Juazeiro uma cidade
Que com o povo criou
Nasceu da fé popular,
No nordeste ganhou vida,
Do sertanejo a acolhida.
O Rezador estava lá,
A Ordem Organizada,
A Cruz que simbolizou
O patriarca aceitou
Esta grande empreitada.
Adjetivo se coloca,
Mas não se sabe a bonança.
Um povo com esperança.
Quando a cruz se desloca,
O cruzeiro vai à frente
Abrindo um novo destino
Do santo nordestino
Popular – Orador, Consciente.
Renovações cantadas,
Romarias em direção
Do sertanejo ao sertão.
Juazeiro – Em baladas
Cantai no alto da noite
O hino da Ladainha
Ao caminho, logo vinha.
Em busca de Juazeiro.
Luiz Domingos de Luna - Professor da Escola de Ensino fundamental e médio monsenhor Vicente Bezerra Aurora - Ceará.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Diocese de Crato, 95 anos
Hoje, dia 20 de outubro, dia em que a memória do Padre Cícero Romão Baptista é reverenciada com a tradicional missa do dia 20, às 6 horas da manhã, em Frente a Igreja do Socorro, a Diocese de Crato está celebrando seus 95 anos de Criação. A seguir algumas informações sobre a história da Diocese e sobre seus cinco bispos.
1. Contextualização eclesiástica e geográfica
Crato, junto com a Arquidiocese de Fortaleza e as Dioceses de Sobral, Iguatu, Itapipoca, Limoeiro do Norte, Tianguá, Quixadá e Crateús, compõem o Regional NE 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compreendendo o Estado do Ceará.
Situa-se no extremo sul do Estado do Ceará, limitando-se com as dioceses de Iguatu (Ceará), Cajazeiras (Paraíba), Afogados da Ingazeira e Petrolina (Pernambuco), Picos (Piauí). A sede da Diocese e algumas cidades situam-se no Vale do Cariri e Chapada do Araripe (área marcada pelo verde da vegetação, solo esponjoso calcáreo, camadas superiores do sub-solo de arenito, considerável número de fontes) e sertão que a circunda.
A Diocese de Crato compreende os municípios de: Abaiara, Altaneira, Antonina do Norte, Araripe, Assaré, Aurora, Baixio, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Jadim, Jati, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Nova Olinda, Porteiras, Potengi, Penaforte, Salitre, Santana do Cariri, Tarrafas, Umari e Várzea Alegre.
Superfície total: 17.648,4 km2.
População: 894.787 hab.
Densidade populacional: 50,70 hab/ km2
2. Contextualização histórica
A presença da Igreja Católica no Cariri, região Sul do Ceará, remonta ao século XVIII. No entanto, é com a criação da Diocese de Crato que essa presença se torna mais forte e mais profícua. A Diocese foi criada num momento em que o Cariri passava por fortes tensões políticas, sociais e religiosas, conforme abordamos anteriormente. Por outro lado, a Igreja Católica no Brasil, nesse momento, vinha de um longo processo de romanização, levado a cabo no século XIX, a partir de 1840, com o objetivo de enquadrar o catolicismo brasileiro, sobretudo sua vertente popular, nos moldes romanos. No Ceará, a única Diocese, a de Fortaleza, já não dava conta da imensa tarefa que lhe cabia: cuidar da evangelização de todo o povo cearense.
Pensada e desejada, desde 1908, segundo iniciativas de Pe. Cícero Romão Batista, a Diocese de Crato foi criada pela Bula “Catholicae Eclesiae”, de Sua Santidade o Papa Bento XV, datada de 20 de outubro de 1914. Foi desmembrada da Diocese de Fortaleza, compreendendo vinte e uma paróquias: Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Brejo Santo, Milagres, Aurora, Lavras, Umari, Icó, Iguatu,, São Mateus (Jucás), Saboeiro, , São João dos Inhamuns, Flores, Cococi, Arneiroz, Araripe, Assaré, Várzea Alegre e São Pedro do Cariri (Cariaçu). Dom Manoel da Silva Gomes, Bispo Diocesano de Fortaleza, foi nomeado Administrador Apostólico da Diocese de Crato que, por sua vez, nomeou Monsenhor Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva Vigário Capitular da mesma. Posteriormente, a 10 de março de 1915, Monsenhor Quintino foi nomeado primeiro bispo diocesano de Crato. A instalação da Diocese se realizou no dia 1º de janeiro de 1916.
Bispos da Diocese de Crato:
1. Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva
Nasceu a 31 de outubro de 1863, na cidade de Quixeramobim. Foram seus pais Antônio Rodrigues da Silva e Maria Batista Vaz e Silva. Em março de 1881 matriculou-se no Seminário de Fortaleza, recebendo a tonsura a 30 de novembro de 1884; um ano depois recebia ordens menores e em 13/07/1886 era subdiácono. Recebeu o diaconato em 30 de novembro do mesmo ano e o presbiterato em 19 de junho de 1887, das mãos de D. Joaquim José Vieira, segundo bispo do Ceará. Foi vigário de Missão Velha e depois professor e reitor (1893-1897) do Seminário São José em Crato. Assumiu a Paróquia Nossa Senhora da Penha em 23 de maio de 1900. Foi um dos responsáveis pelos passos iniciais que deram origem à Diocese de Crato em 1914. Nomeado bispo de Crato, em 10/03/1915, foi sagrado em Salvador – Bahia, a 31 de outubro de 1915. Assumiu o pastoreio diocesano em 1º de janeiro de 1916. Seu lema episcopal era: Patientia et doctrina. Faleceu no dia 28 de dezembro de 1929 em Crato.
2. Dom Francisco de Assis Pires
Eleito no dia 11/08/1931 pelo Papa Pio XI. Nasceu em Salvador, no dia 04/10/1880. Fez os estudos no Seminário de sua terra natal e no Seminário de Olinda-Recife – Pernambuco. Recebeu a ordem do presbiterato no ano de 1903 das mãos de Dom José Jerônimo Tomé da Silva, Arcebispo de Salvador. Cônego da Catedral do Salvador e Vigário Geral da Arquidiocese, esteve presente à sagração de D. Quintino, primeiro bispo de Crato. D. Augusto Álvaro da Silva, então Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, no dia 06 de dezembro de 1931, presidiu a sua sagração. No dia 10/01/1932 tomou posse como segundo bispo de Crato, tendo como lema: Non veni ministrari sed ministrare (não vim para ser servido mas para servir). Em razão da saúde debilitada, Dom Francisco solicitou um bispo auxiliar. Foi nomeado Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, eleito a 21 de abril de 1955, sendo ordenado no dia 11/06 daquele mesmo ano. Em 1960, a 10/02, faleceu Dom Francisco, já então bispo resignatário de Crato.
3. Dom Vicente de Paulo Araújo Matos
Nasceu na Cidade de Iatapagé – Ceará, no dia 11 de junho de 1918. Preparou-se para o sacerdócio no Seminário Metropolitano de Fortaleza, onde recebeu a ordem do presbiterato no dia 29 de junho de 1942, das mãos de Dom Antônio Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza. Foi eleito bispo titular de Antioquia no Meandro e Bispo Auxiliar de Crato a 21 de abril de 1955 pelo Papa Pio XII. Sua ordenação episcopal deu-se no dia 11 de junho do mesmo ano na Igreja do Cristo Rei em Fortaleza. Dom Antônio de Almeida Lustosa foi o sagrante principal e consagrantes D. Francisco de Assis Pires e Dom Aureliano Matos, bispo de Limoeiro do Norte. Tomou posse como bispo auxiliar de Crato no dia 15 de agosto de 1955. Foi Vigário Capitular de Crato após a renúncia de D. Francisco e em 22/01/1961 foi nomeado 3º bispo diocesano de Crato, tomou posse a 19 de março. Seu lema episcopal foi: Vicente dabo manna (Ao vencedor darei o maná). Seu pastoreio foi marcado pela ação social impulsionada pelo Concílio Vaticano II e pela CNBB.
4. Dom Newton Holanda Gurgel
Nasceu na cidade de Acopiara, Ceará. Filho de Francisco Gurgel Valente e Aurélia Holanda Gurgel. Entrou no Seminário do Crato no ano de 1937, cursou Filosofia no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza e Teologia no Seminário Arquidiocesano de João Pessoa – Paraíba. Recebeu a ordem do presbiterato no dia 17 de dezembro de 1949, pelas mãos de D. Francisco de Assis Pires, na cidade de Milagres - Ceará. Foi pároco de Campos Sales, professor e reitor do Seminário Diocesano São José. Em 28 de abril de 1979 foi nomeado Bispo auxiliar de Crato, tendo sido sagrado em Roma no dia 27 de maio do mesmo ano, por Sua Santidade o Papa João Paulo II. Tomou posse aos 07/07/1979. Escolheu como lema episcopal Certa bonum certamen – Combate o bom combate. Após o afastamento de D. Vicente, por motivo de saúde, D. Newton assumiu a Diocese como Administrador Diocesano e, em 1994, foi nomeado, por João Paulo II, o quarto bispo diocesano de Crato. Cargo que assumiu no dia 09/01/1994. Ao completar 75 anos apresentou a sua renúncia, sendo esta aceita apenas em 02/05/2001, passando a ser Administrador Apostólico enquanto D. Fernando Panico, que foi nomeado como quinto bispo de Crato, tomava posse. O que aconteceu no dia 29/06/2001.
5. Dom Fernando Panico
Filho de Vito António Panico e de Lúcia Maria Carmela Piri. Nasceu em Tricase (Lecce), Itália, no dia 01 de janeiro de 1946. Em 1964, ingressou na Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus. De 1967 a 1968 cursou a Faculdade de Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, obtendo o Diploma de Bacharelado em Filosofia para a habilitação ao ensino. Nos anos 1969 e 1970, frequentou os cursos de Teologia no "Istituto Teológico Fiorentino", em Florença. Retornou a Roma para continuar os estudos de Teologia no "Pontifício Ateneo SanfAnselmo", aonde obteve o Diploma "magna cum laude" de Bacharel em Teologia. Durante os últimos três anos de sua formação acadêmica, desempenhou o cargo de bibliotecário da Biblioteca no Escolasticado Teológico de sua Congregação em Roma. Aos 31 de outubro de 1971 foi ordenado Padre, em Roma. Em dezembro de 1974 chega ao Brasil, para exercer seu ministério missionário no Maranhão. Em 1989 é transferido para São Paulo, a fim de iniciar o curso de Doutorado em Liturgia, na Pontifícia Faculdade de Nossa Senhora da Assunção. No dia 02 de junho de 1993, o papa João Paulo II o nomeou Bispo da vacante sede diocesana de Oeiras-Floriano, no Piauí. Aos 15 de agosto de 1993 foi sagrado Bispo, no Estádio Municipal de Floriano. No dia 02 de maio de 2001, o Papa João Paulo II o transferiu para a sede episcopal de Crato, no Ceara. Aos 29 de junho de 2001 tomou posse da nova Diocese, como quinto bispo de Crato. Como Bispo de Crato, publicou três Cartas Pastorais:
1."Corações ao Alto, Igreja de Crato" (2001)
2."Romarias e Reconciliação", sobre uma nova postura eclesial diante das Romarias e do Pé. Cícero Romão Batista (2003);
3.O católico e as Eleições. Orientações pastorais. (2004).
FONTE: http://www.diocesedecrato.org.br/
1. Contextualização eclesiástica e geográfica
Crato, junto com a Arquidiocese de Fortaleza e as Dioceses de Sobral, Iguatu, Itapipoca, Limoeiro do Norte, Tianguá, Quixadá e Crateús, compõem o Regional NE 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compreendendo o Estado do Ceará.
Situa-se no extremo sul do Estado do Ceará, limitando-se com as dioceses de Iguatu (Ceará), Cajazeiras (Paraíba), Afogados da Ingazeira e Petrolina (Pernambuco), Picos (Piauí). A sede da Diocese e algumas cidades situam-se no Vale do Cariri e Chapada do Araripe (área marcada pelo verde da vegetação, solo esponjoso calcáreo, camadas superiores do sub-solo de arenito, considerável número de fontes) e sertão que a circunda.
A Diocese de Crato compreende os municípios de: Abaiara, Altaneira, Antonina do Norte, Araripe, Assaré, Aurora, Baixio, Barbalha, Barro, Brejo Santo, Campos Sales, Caririaçu, Crato, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Jadim, Jati, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Mauriti, Milagres, Missão Velha, Nova Olinda, Porteiras, Potengi, Penaforte, Salitre, Santana do Cariri, Tarrafas, Umari e Várzea Alegre.
Superfície total: 17.648,4 km2.
População: 894.787 hab.
Densidade populacional: 50,70 hab/ km2
2. Contextualização histórica
A presença da Igreja Católica no Cariri, região Sul do Ceará, remonta ao século XVIII. No entanto, é com a criação da Diocese de Crato que essa presença se torna mais forte e mais profícua. A Diocese foi criada num momento em que o Cariri passava por fortes tensões políticas, sociais e religiosas, conforme abordamos anteriormente. Por outro lado, a Igreja Católica no Brasil, nesse momento, vinha de um longo processo de romanização, levado a cabo no século XIX, a partir de 1840, com o objetivo de enquadrar o catolicismo brasileiro, sobretudo sua vertente popular, nos moldes romanos. No Ceará, a única Diocese, a de Fortaleza, já não dava conta da imensa tarefa que lhe cabia: cuidar da evangelização de todo o povo cearense.
Pensada e desejada, desde 1908, segundo iniciativas de Pe. Cícero Romão Batista, a Diocese de Crato foi criada pela Bula “Catholicae Eclesiae”, de Sua Santidade o Papa Bento XV, datada de 20 de outubro de 1914. Foi desmembrada da Diocese de Fortaleza, compreendendo vinte e uma paróquias: Crato, Barbalha, Missão Velha, Jardim, Brejo Santo, Milagres, Aurora, Lavras, Umari, Icó, Iguatu,, São Mateus (Jucás), Saboeiro, , São João dos Inhamuns, Flores, Cococi, Arneiroz, Araripe, Assaré, Várzea Alegre e São Pedro do Cariri (Cariaçu). Dom Manoel da Silva Gomes, Bispo Diocesano de Fortaleza, foi nomeado Administrador Apostólico da Diocese de Crato que, por sua vez, nomeou Monsenhor Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva Vigário Capitular da mesma. Posteriormente, a 10 de março de 1915, Monsenhor Quintino foi nomeado primeiro bispo diocesano de Crato. A instalação da Diocese se realizou no dia 1º de janeiro de 1916.
Bispos da Diocese de Crato:
1. Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva
Nasceu a 31 de outubro de 1863, na cidade de Quixeramobim. Foram seus pais Antônio Rodrigues da Silva e Maria Batista Vaz e Silva. Em março de 1881 matriculou-se no Seminário de Fortaleza, recebendo a tonsura a 30 de novembro de 1884; um ano depois recebia ordens menores e em 13/07/1886 era subdiácono. Recebeu o diaconato em 30 de novembro do mesmo ano e o presbiterato em 19 de junho de 1887, das mãos de D. Joaquim José Vieira, segundo bispo do Ceará. Foi vigário de Missão Velha e depois professor e reitor (1893-1897) do Seminário São José em Crato. Assumiu a Paróquia Nossa Senhora da Penha em 23 de maio de 1900. Foi um dos responsáveis pelos passos iniciais que deram origem à Diocese de Crato em 1914. Nomeado bispo de Crato, em 10/03/1915, foi sagrado em Salvador – Bahia, a 31 de outubro de 1915. Assumiu o pastoreio diocesano em 1º de janeiro de 1916. Seu lema episcopal era: Patientia et doctrina. Faleceu no dia 28 de dezembro de 1929 em Crato.
2. Dom Francisco de Assis Pires
Eleito no dia 11/08/1931 pelo Papa Pio XI. Nasceu em Salvador, no dia 04/10/1880. Fez os estudos no Seminário de sua terra natal e no Seminário de Olinda-Recife – Pernambuco. Recebeu a ordem do presbiterato no ano de 1903 das mãos de Dom José Jerônimo Tomé da Silva, Arcebispo de Salvador. Cônego da Catedral do Salvador e Vigário Geral da Arquidiocese, esteve presente à sagração de D. Quintino, primeiro bispo de Crato. D. Augusto Álvaro da Silva, então Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, no dia 06 de dezembro de 1931, presidiu a sua sagração. No dia 10/01/1932 tomou posse como segundo bispo de Crato, tendo como lema: Non veni ministrari sed ministrare (não vim para ser servido mas para servir). Em razão da saúde debilitada, Dom Francisco solicitou um bispo auxiliar. Foi nomeado Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, eleito a 21 de abril de 1955, sendo ordenado no dia 11/06 daquele mesmo ano. Em 1960, a 10/02, faleceu Dom Francisco, já então bispo resignatário de Crato.
3. Dom Vicente de Paulo Araújo Matos
Nasceu na Cidade de Iatapagé – Ceará, no dia 11 de junho de 1918. Preparou-se para o sacerdócio no Seminário Metropolitano de Fortaleza, onde recebeu a ordem do presbiterato no dia 29 de junho de 1942, das mãos de Dom Antônio Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza. Foi eleito bispo titular de Antioquia no Meandro e Bispo Auxiliar de Crato a 21 de abril de 1955 pelo Papa Pio XII. Sua ordenação episcopal deu-se no dia 11 de junho do mesmo ano na Igreja do Cristo Rei em Fortaleza. Dom Antônio de Almeida Lustosa foi o sagrante principal e consagrantes D. Francisco de Assis Pires e Dom Aureliano Matos, bispo de Limoeiro do Norte. Tomou posse como bispo auxiliar de Crato no dia 15 de agosto de 1955. Foi Vigário Capitular de Crato após a renúncia de D. Francisco e em 22/01/1961 foi nomeado 3º bispo diocesano de Crato, tomou posse a 19 de março. Seu lema episcopal foi: Vicente dabo manna (Ao vencedor darei o maná). Seu pastoreio foi marcado pela ação social impulsionada pelo Concílio Vaticano II e pela CNBB.
4. Dom Newton Holanda Gurgel
Nasceu na cidade de Acopiara, Ceará. Filho de Francisco Gurgel Valente e Aurélia Holanda Gurgel. Entrou no Seminário do Crato no ano de 1937, cursou Filosofia no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza e Teologia no Seminário Arquidiocesano de João Pessoa – Paraíba. Recebeu a ordem do presbiterato no dia 17 de dezembro de 1949, pelas mãos de D. Francisco de Assis Pires, na cidade de Milagres - Ceará. Foi pároco de Campos Sales, professor e reitor do Seminário Diocesano São José. Em 28 de abril de 1979 foi nomeado Bispo auxiliar de Crato, tendo sido sagrado em Roma no dia 27 de maio do mesmo ano, por Sua Santidade o Papa João Paulo II. Tomou posse aos 07/07/1979. Escolheu como lema episcopal Certa bonum certamen – Combate o bom combate. Após o afastamento de D. Vicente, por motivo de saúde, D. Newton assumiu a Diocese como Administrador Diocesano e, em 1994, foi nomeado, por João Paulo II, o quarto bispo diocesano de Crato. Cargo que assumiu no dia 09/01/1994. Ao completar 75 anos apresentou a sua renúncia, sendo esta aceita apenas em 02/05/2001, passando a ser Administrador Apostólico enquanto D. Fernando Panico, que foi nomeado como quinto bispo de Crato, tomava posse. O que aconteceu no dia 29/06/2001.
5. Dom Fernando Panico
Filho de Vito António Panico e de Lúcia Maria Carmela Piri. Nasceu em Tricase (Lecce), Itália, no dia 01 de janeiro de 1946. Em 1964, ingressou na Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus. De 1967 a 1968 cursou a Faculdade de Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, obtendo o Diploma de Bacharelado em Filosofia para a habilitação ao ensino. Nos anos 1969 e 1970, frequentou os cursos de Teologia no "Istituto Teológico Fiorentino", em Florença. Retornou a Roma para continuar os estudos de Teologia no "Pontifício Ateneo SanfAnselmo", aonde obteve o Diploma "magna cum laude" de Bacharel em Teologia. Durante os últimos três anos de sua formação acadêmica, desempenhou o cargo de bibliotecário da Biblioteca no Escolasticado Teológico de sua Congregação em Roma. Aos 31 de outubro de 1971 foi ordenado Padre, em Roma. Em dezembro de 1974 chega ao Brasil, para exercer seu ministério missionário no Maranhão. Em 1989 é transferido para São Paulo, a fim de iniciar o curso de Doutorado em Liturgia, na Pontifícia Faculdade de Nossa Senhora da Assunção. No dia 02 de junho de 1993, o papa João Paulo II o nomeou Bispo da vacante sede diocesana de Oeiras-Floriano, no Piauí. Aos 15 de agosto de 1993 foi sagrado Bispo, no Estádio Municipal de Floriano. No dia 02 de maio de 2001, o Papa João Paulo II o transferiu para a sede episcopal de Crato, no Ceara. Aos 29 de junho de 2001 tomou posse da nova Diocese, como quinto bispo de Crato. Como Bispo de Crato, publicou três Cartas Pastorais:
1."Corações ao Alto, Igreja de Crato" (2001)
2."Romarias e Reconciliação", sobre uma nova postura eclesial diante das Romarias e do Pé. Cícero Romão Batista (2003);
3.O católico e as Eleições. Orientações pastorais. (2004).
FONTE: http://www.diocesedecrato.org.br/
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Sítio Fundão começa a ser restaurado
Os trabalhos para a preservação do Parque Ecológico Sítio Fundão estão seguindo em ritmo acelerado. Foi o que informou a superintendente Estadual do Meio Ambiente, Lúcia Teixeira. Segundo ela, a restauração do Sítio será feita com parte do dinheiro da compensação ambiental de uma empresa instalada no Porto do Pecém.
"A casa de taipa será restaurada, vamos tombá-la. Ela vai permanecer do jeito que está, mas vamos colocar as portas que roubaram e restaurar as taipas do jeito que está. A casa vai ser preservada para visitação", afirmou. O parque, localizado no Crato, a 504 quilômetros de Fortaleza, foi interditado pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) por falta de vigilância, ação de vândalos e período chuvoso.
A superintendente responde às denúncias feitas pelo ambientalista Ed Alencar, publicadas no O POVO no dia 7. Sobre a ação de vândalos, Lúcia informou que vai contratar uma empresa de segurança para vigiar o parque.
FONTE: O POVO, Segunda Feira, 19/10/2009
domingo, 18 de outubro de 2009
Projeto social ensina música clássica há mais de 40 anos
Maestro Felipe e os jovens músicos na Escola Fundada
pelo Padre Ágio, no Belmonte(Foto: Elizângela Santos)
Cerca de 150 alunos frequentam a escola de música do Padre Ágio, buscando novas perspectivas pela música
Crato. Carreiras que se constroem na música, às custas de muito esforço e solidariedade. O trabalho foi iniciado há mais de quatro décadas para filhos de agricultores pobres. Pessoas simples da comunidade do Sítio Belmonte, localizado neste município. Hoje, o sítio passou por diversas mudanças tanto no ambiente quanto no perfil das pessoas que ali vivem. Até o local está mais urbanizado. Não são apenas os filhos dos agricultores, mas pedreiros, donas-de-casa, meninos e meninas que se encantam com os acordes clássicos do violino.
A escola do Padre Ágio Augusto Moreira, hoje com 91 anos, traz oportunidade para cerca de 150 jovens, crianças e adultos que buscam na música uma reeducação para a vida, e até mesmo seguir carreiras, como as dezenas de exemplos existentes no local. Pessoas que ganharam o mundo com as asas proporcionadas pelas sinfonias e adágios da música clássica.
Um dos coordenadores, Antônio Felipe da Silva, maestro da orquestra, chegou ainda criança para aprender os primeiros acordes. Foi incentivado pelo irmão a participar do projeto do padre Ágio. Mesmo o mano não ficando na casa, Felipe fez da música um ofício de vida. O filho de agricultor que aprendeu primeiro a tocar acordeom, depois instrumentos de sopro, ensina para as pessoas que chegaram sem nenhuma noção de música, muito menos clássica.
Com o tempo, segundo ele, os participantes vão ficando seletivos. Não é fácil nos tempos do forró eletrônico ensinar aos ouvidos os tons complexos e as inúmeras linhas musicais de compositores como Mozart, Beethoven, Chopin e Bach. Até o mesmo o cancioneiro tradicional do sertão nordestino para um desafio. "A música é uma questão de educação", diz. No momento, a turma aprende a tocar músicas natalinas. As apresentações no fim do ano se restringem à comunidade e ao auditório da própria escola. Todos os grupos estarão reunidos para as apresentações.
Novas gerações
A orquestra do Padre Ágio é composta atualmente por 25 integrantes. Os próprios filhos de Felipe já chegaram a fazer apresentações com o grupo musical. Sua mulher é professora. Da roça para a integração familiar pela música. Foi esse ideal que Felipe decidiu abraçar e se sente feliz com a escolha. É funcionário público do Estado, mas dedica a sua vida à escola, que segundo ele vem necessitando de recursos para construção de uma quadra e uma biblioteca para abrigar o acervo bibliográfico, que no momento não se encontra em local adequado e corre o risco de se perder pela ação do tempo e das traças. A banda de música também está sendo reativada. Os convites para apresentação do grupo do padre Ágio são constantes.
O maestro Felipe de ressente com a realidade que a mídia impõe aos cidadãos, que ficam praticamente sem opções para perceber a riqueza musical e a capacidade a ser desenvolvida com os novos talentos. O tempo tem demonstrado, segundo ele, a importância desse trabalho junto à comunidade, independente dali sair grandes virtuoses ou mesmo competentes instrumentistas. A partir dos ensinamentos recebidos na escola de música, eles buscam outros programas, analisam melhor a qualidade da música que passam a ouvir. Uma estrada feita de muitas decepções, diz o coordenador, mas com realizações. "Sou um vencedor. Tem sido gratificante para mim desenvolver esse trabalho e ver essa gente na escola", completa.
A equipe da escola é formada por sete professores. As aulas se restringem ao ensino de música em instrumentos de sopro, cordas, teclado e piano. Felipe teve como mestre o padre Ágio. Naquela época, o maestro com então 13 anos lembra que havia dificuldade de se conseguir até os instrumentos e que não havia um local estruturado para os ensaios do grupo.
Felipe afirma que vários ex-alunos da instituição hoje vivem da música e até se destacam em outras instituições, como é o caso de Jocélio Rocha, professor de música atualmente radicado em Alagoas. Para ele, a música abre novas perspectivas, e são elas que fazem ele se encher de esperança com cada alunos que chega com o objetivo de aprender música.
É o caso de Aglésio Moreira da Silva, de 14 anos, filho de um pedreiro. O som do violino que veio da escola foi o caminho para chegar a produzir a música. Aquilo que antes só o encantava ele passou a fazer com as próprias mãos, ainda que saiba que é preciso muito treino para chegar à necessária perfeição ao executar a música. Junto com ele estão as irmãs Andressa e Andréia. Simplesmente deu vontade de tocar violino e há três anos ele faz parte da escola. "A música clássica chamou a minha atenção", diz. O seu grupo está ensaiando 12 músicas para as apresentações natalinas e de passagem do Ano Novo.
A irmã de Aglésio, Andressa, consegue ter uma desenvoltura maior com o instrumento. Aprende música e executa os acordes com facilidade. É dela que ele pede as dicas e tira dúvidas, num aprendizado mútuo. Andressa tem consciência de que o aprendizado da música não passa por um caminho fácil, é preciso dedicação e disciplina para que o arco que passa pelas cordas produza o som desejado. "É preciso estudar muito", acrescenta a jovem.
"Não aprende quem não quer mesmo. Aqui é tudo de graça", diz o servente de pedreiro João Galdino de Oliveira, de 53 anos. Três anos antes, decidiu seguir o conselho de sua esposa de aprender alguma coisa diferente em sua vida, sem ligar para o preconceito em relação à idade. E não deu outra, foi em busca dos encantos dissonantes do violino. "É muito difícil a gente aprender, mas gosto muito de estar aqui. Uma oportunidade na vida da gente". O seu sonho, como o de tantos outros que chegam a escola é simples: mostrar o que aprendeu nas apresentações do grupo. São três anos de aprendizado. A comunidade do Belmonte agradece pela boa música executada pelos seguidores do padre Ágio.
Mais informações
Escola de Música do Padre Ágio
Rua José Horácio Pequeno,1386
Sítio Belmonte
(88) 3521.0550
ELIZÂNGELA SANTOS - REPÓRTER
FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE, DOMINGO, 18/10/2009 - CADERNO REGIONAL
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Cariri Debate Discriminação Racial
Encontro de iniciativas Negras reúne, no Cariri, representantes
de vários Estados do Brasil. Os debates acontecem nas cidades
do Crato, Juazeiro e Barbalha (Foto: Antônio Vicelmo)
O "II Curso de Extensão Iniciativas Negras, Trocando Experiências" acontece, no Cariri, até dia 18
Crato. Pesquisadores, professores e ativistas dos movimentos sociais negros estão reunidos na Universidade Regional do Cariri (Urca) com o objetivo de estimular a reflexão crítica sobre diversas experiências, que visem combater a discriminação racial. É o "II Curso de Extensão Iniciativas Negras, Trocando Experiências", que foi aberto no dia 8 e termina no dia 18. O evento, que tem participação de representantes da maioria dos Estados do Brasil, é realizado em Crato, Juazeiro e Barbalha.
A proposta do curso é de ampliar informações, discussões e reflexões no campo da integração social, procurando estabelecer um diálogo para além dos limites geográficos das capitais e de algumas grandes cidades do território nacional, com enfoque no Ceará. O representante da Prefeitura de Fortaleza, Luiz Bernardo, diz que, de acordo com levantamento das organizações negras, 67% dos cearenses são de cor morena, afrodescendentes. Somente 3% desse contingente assumem a condição de negros.
Entre os vários temas discutidos destacam-se a luta contra a desigualdade e preconceito racial no Brasil, luta pela democratização do poder e distribuição igualitária de renda e de terra, direitos humanos, gênero, saúde, redação de projetos, captação de recursos, ação afirmativa, história e cultura afro-brasileira, arquivo documental.
A professora, Joselina da Silva, coordenadora do curso, uma das palestrantes, avalia que o Brasil, embora tenha conquistado alguns avanços, continua sendo um País "preconceituoso" contra a raça negra. "O preconceito não é apenas individual, é principalmente estrutural, marginalizando o negro à base da pirâmide", diz. Ela reforçou que, embora o Brasil seja um País democrático, sempre foi governado por "brancos".
"Buscamos o intercâmbio, a divulgação e a difusão do conhecimento e da produção científica, no combate ao racismo e ao sexismo", justifica a ativista Verônica Neves, presidente do Conselho Municipal da Mulher Cratense, destacando que, neste sentido, a metodologia empregada é de organização de painéis, de condução de oficinas, grupos de estudos, mesas redondas, visitas de intercâmbio a projetos comunitários e turismo histórico e cultural.
Uma das preocupações da coordenação do curso, segundo Verônica, é atingir uma maior abrangência regional.
Mais informações
Universidade Regional do Cariri
Rua Cel Antônio Luís, 1161
Pimenta - Crato
(88) 3102.1202
ANTÔNIO VICELMO - REPÓRTER
FONTE: WWW.DIARIODONORDESTE.COM.BR - REGIONAL - 16 / 10 / 2009
Barbalha é contemplada com programa da ONU
Barbalha enfeitada para a festa de S. Antônio.
No projeto apresentado ao Pnud, foram enfocados
a cultura e o turismo (Foto: Elizângela Santos)
Barbalha, junto com três cidades brasileiras, é referência no Projeto de Fortalecimento de Capacitação
Barbalha. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), depois de escolher Barbalha como único município do Nordeste como referência no Projeto de Fortalecimento de Capacitação para o Desenvolvimento Humano Local, realiza a primeira oficina envolvendo os setores público municipal, privado e sociedade civil.
O evento aconteceu na manhã de ontem, após de reuniões específicas com esses setores, no auditório do Hospital Santo Antônio, com os consultores do Pnud e técnicos da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Além de Barbalha, também foram selecionados no Brasil as cidades de Abaetetuba (Paraná); Jaguarão (Rio Grande do Sul); Marliéria (Minas Gerais). Houve uma seleção inicial de 160 cidades, nos 5.563 municípios brasileiros. Doze deles ficaram para a escolha final.
A reunião de ontem teve a finalidade de definir a data de lançamento do projeto, no dia 5 de novembro. Várias propostas foram apresentadas, já dentro dos princípios que irão nortear o desenvolvimento dos trabalhos, voltados principalmente para qualificação humana. Um dos pontos essenciais será a capacitação, fortalecimento e qualificação para a elaboração de projetos em setores que a cidade já possui uma vocação natural, como a agricultura, o turismo ecológico e cultural. Esse trabalho estará focado na captação de recursos para investimentos nessas áreas por meio das diversas instituições públicas ou privadas de nível nacional e internacional.
Para a oficial do Pnud e coordenadora do Programa, Ieva Lazareviciute, para a escolha de cada município houve critérios principalmente voltados para o desenvolvimento das potencialidades humanas locais, prevendo uma continuidade após os dois anos de desenvolvimento do programa. Ela afirma que este é um desafio para o Pnud, por ser um programa piloto no Brasil, pela primeira vez envolvendo vários segmentos dentro dos municípios como o público, privado e a sociedade civil.
Nos quatro municípios serão investidos US$ 1,8 milhão. Não se tem uma definição do valor aplicado em cada cidade. Segundo Ieva, isso irá depender das necessidades que se apresentarem. Após o lançamento do programa, ela afirma que as primeiras equipes que atuarão nos trabalhos serão capacitadas, já que um trabalho de diagnóstico, com levantamentos de informações sobre a cidade e todos os estudos possíveis, para reunir um banco de dados, será feito. Outro ponto importante, diz a consultora, será o envolvimento das cidades do entorno, como Crato e Juazeiro do Norte, que serviram também de critério de escolha, já que são cidades onde estão focados investimentos tanto do Governo Federal como do Governo do Estado.
Em agosto, a equipe esteve em Barbalha e manteve contato com diversos setores para perceber a disponibilidade dos munícipes em receber o projeto e a capacidade de mobilização. Ela afirma que esse foi um ponto muito importante, por ser relevante para o desenvolvimento das ações de capacitação.
Cada projeto, durante esses dois anos, desenvolvido por meio do município, terá o acompanhamento de um consultor do Pnud. Segundo o prefeito local, José Leite, esse projeto vem suprir uma deficiência, possibilitando a capacitação dos funcionários da administração pública, além dos outros setores, facilitando a captação dos recursos para investimentos no município, hoje um dos grandes problemas enfrentados pelas administrações públicas do País.
Para ele, as prioridades se direcionam para maior qualificação do turismo local, geração de emprego e renda para a população, além do desenvolvimento agrícola, que se fortalece com a Central de Abastecimento, em construção na cidade, e a reativação da Usina Manoel Costa Filho, fortalecendo o cultivo da cana-de-açúcar. Ele afirma que está sendo definida a forma de gestão da usina. Ele ressalta outro projeto, que serviu de referência para a escolha de Barbalha, que é a inserção do município no Plano de Aceleração do Crescimento - Cidades Históricas, em andamento.
Para Ieva, a intenção é, principalmente, formar municípios referência em boas práticas de desenvolvimento. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) também foi observado pelos técnicos, já que Barbalha está um pouco abaixo da média nacional. "O comprometimento e articulação demonstrados foram essenciais, porque a concorrência entre as cidades do País foi muito acirrada". Durante o período de desenvolvimento dos trabalhos, serão elaborados programas, buscando parcerias com as agências internacionais que destinam recursos para as ações de desenvolvimento.
No dia 29 de outubro, os quatro prefeitos dos municípios selecionados estarão em Brasília para a assinatura do convênio, junto com o presidente da Confederação Nacional dos Municípios e os representantes das Nações Unidas.
O item que Barbalha enfocou no projeto apresentado aos técnicos do Pnud foi o turismo. "Nós focamos o potencial turístico ecológico, a cultura, os casarões históricos, a infraestrutura na parte de ecologia, com as fontes de águas perenes e minerais, nos Distritos do Caldas e de Arajara", diz Leite.
Mais informações
Prefeitura Municipal de Barbalha
Rua Princesa Isabel, s/n
Centro
(88) 2101.1919
ELIZÂNGELA SANTOS - REPÓRTER
FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/ - REGIONAL – 16 / 10 / 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Aderi ao Twitter
Amigas e amigos leitores , já faz alguns dias que aderi ao Twitter. Quem quiser dar uma olhada é só acessar: http://twitter.com/oceliosouza
domingo, 4 de outubro de 2009
Uma Homenagem à "Voz da Canção de Protesto Latino-Americana"
Morreu hoje, 4 de outubro de 2009, aos 74 anos, em Buenos Aires, uma das maiores expressões da música de todos os tempos: Mercedes Sosa.
Nascida em Tucumán, no dia 9 de junho de 1935, Mercedes Sosa foi dona de uma das vozes mais representativas do cancionário popular argentino e da América Latina e gravou mais de 40 álbuns.
A cantora gravou diversos duetos com artistas brasileiros, como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, Milton Nascimento, Fagner e Beth Carvalho.
Outras estrelas internacionais com as quais dividiu os palcos foram Luciano Pavarotti, Sting, Lucio Dalla, Nana Mouskouri, Tania Libertad, Joan Baez, Andrea Bocelli, Alfredo Kraus, Konstantin Wecker, Silvio Rodríguez, Pablo Milanés, Luz Casal, Ismael Serrano e Shakira.
Sosa foi herdeira e símbolo de um movimento de música folclórica com forte compromisso político que teve como grande nome Atahualpa Yupanqui, que morreu em Paris em 1992.
Ativista política, entre os grandes momentos de sua carreira figuram as apresentações que fez na Capela Sistina do Vaticano (1994), no Carnegie Hall de Nova York (2002) e no Coliseu de Roma (2002) para pedir pela paz no Oriente Médio, ao lado de Ray Charles, entre outros.
"Foi a voz dos que não tinham voz na época da ditadura (1976-1983) e levou a angústia pelos direitos humanos na Argentina a todo o mundo", declarou o músico Víctor Heredia, cantor e compositor de algumas músicas que ficaram famosas na voz de Mercedes Sosa como "Razón de Vivir".
Sosa lançou recentemente o álbum duplo "Cantora" e foi indicada este ano para o Grammy Latino por melhor álbum e melhor cantora de álbum folclórico. Nesta obra ela dividiu espaço com artistas como Joan Manuel Serrat, Luis Alberto Spinetta, Caetano Veloso, Shakira, Gustavo Cerati, Charly García, Calle 13 e Joaquín Sabina.
A presidente chilena Michelle Bachelet enviou uma mensagem de admiração à artista, que considerou "a voz mais vigorosa da América latina".
Sosa era considerada uma das maiores difusoras da obra da cantora e compositora chilena Violeta Parra, depois de transformar "Gracias a la vida" em seu tema emblemático.
"Como vocês sabem, 'Gracias a la vida' é uma canção nossa, mas também universal. Há múltiplos artistas de vários países que a gravaram e a tornaram famosa e uma destas vozes é a de Mercedes Sosa", destacou Bachelet.
"Nasci em Tucumán e vivo em Buenos Aires. Sou cantora. Sou viúva. Tenho um filho, Fabián Ernesto, e duas netas. Dirijo um Audi pequeno. Fiquei muito doente e me reencontrei com Deus. Sou progressista. Sou embaixadora do Unicef", se autodefiniu Sosa em uma entrevista em 2000.
O corpo da cantora será cremado e as cinzas espalhadas em sua cidade natal de Tucumán, em sua adotiva Mendoza e na capital Buenos Aires, informou a família.
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Canción Con Todos
Mercedes Sosa
Composição: Armando Tejada Gómez Y César Isella
Salgo a caminar
Por la cintura cósmica del sur
Piso en la región
Más vegetal del tiempo y de la luz
Siento al caminar
Toda la piel de América en mi piel
Y anda en mi sangre un río
Que libera en mi voz
Su caudal.
Sol de alto Perú
Rostro Bolivia, estaño y soledad
Un verde Brasil besa a mi Chile
Cobre y mineral
Subo desde el sur
Hacia la entraña América y total
Pura raíz de un grito
Destinado a crecer
Y a estallar.
Todas las voces, todas
Todas las manos, todas
Toda la sangre puede
Ser canción en el viento.
¡Canta conmigo, canta
Hermano americano
Libera tu esperanza
Con un grito en la voz!
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