domingo, 31 de maio de 2009

Cultura e Turismo em Debate

Durante o último dia do II Congresso Cearense de Folclore e I Seminário sobre Cultura, Religiosidade e Festas Populares foi realizada uma mesa redonda sobre a o Turismo e Valorização da Cultura Local, com as participações da Profa. Luzia Neide Coriolano (UECE) e do Prof. Severino Lucena(Comissão Paraibana de Folclore). Ainda no período da manhã os participantes do encontro puderam conversar com o capitão do pau da bandeira, Rildo Teles, e alguns carregadores, num bate papo bem descontraído. À tarde, o Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura(MinC) proferiu palestra sobre a reforma da Lei Rouanet. Encerrando o dia e o encontro, ocorreu a plenária de avaliação e encaminhamentos.

Mesa: Valorização da Cultura Local e Turismo

Conversa com os carregadores do pau da bandeira

Palestra do Secretáio da Identidade e da
Diversidade Cultural, Américo Córdula

Numa roda de bate papo: Prof. Edvar Costa(UVA),
Cineasta Rosemberg Cariri, Prof. Zé Carlos(SETUR - JN),
Prof. Océlio Teixeira e Prof. Oswald Barroso

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Festa, olhares, cultura e meio ambiente

Teve continuidade hoje, 29 de maio, o II Congresso Cearense de Folclore e o I Seminário sobre Cultura, Religiosidade e Festas Populares, na cidade de Barbalha. As discussões do dia giraram em torno das temáticas: os diversos olhares sobre a Festa, cultura e meio ambiente.

A seguir algumas imagens do dia.

Plenária


Mesa Redonda - A Festa do Pau da Bandeira:
olhares sensibilidades

Mesa Redonda - Patrimônio Cultural e Meio Ambiente:
uma discussão necessária


Presenças de Fernando(Sec. das Cidades), Dr. Fabriano
e Dr. Napoleão
Thiago Santana, Sr. Veloso e Rosemberg Cariri


Homenagem ao Mestre Luís Vitorino do Reisado
de Baile do Caldas pela Comissão Cearense do Folclore.
A placa foi entregue por Pedro Domingues(MINC) à
filha do homenageado.

Homenagem da CCF ao Dr. Fabriano Livônio Sampaio,
ex-prefeito de Barbalha e grande incentivador da cultura
popular tradicional


Homenagem do Centro Pró-Memória de
Barbalha ao Sr. José da Costa Veloso,
animador do Pau da Bandeira


Homenagem da SECTUR ao mestre de Reisado,
Sr. Luís

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Festa e Debate Acadêmico em Barbalha


Teve inicio, ontem, dia 27 de maio, na cidade de Barbalha(CE), o II CONGRESSO CEARENSE DE FOLCLORE e I SEMINÁRIO SOBRE CULTURA, RELIGIOSIDADE E FESTAS POPULARES. A abertura foi marcada pelas falas dos representantes da instituições promotoras do evento - Prefeitura Municipal de Barbalha, Comissão Cearense de Folclore, Centro Pró-Memória de Barbalha Josafá Magalhães e FECOMÉRCIO/SESC - Cariri. Em seguida, foi realizada a Conferência "Festa Popular: Cultura, Tradição e Fé", proferida pelo Prof. Dr. Toninho Macêdo, da Comissão Paulista de Folclore e ONG - ABAÇAÍ. A solenidade de abertura foi encerrada com apresentações dos grupos da cultura popular tradicional - reisados, bandas cabaçais e outros.

Hoje, vinte e oito de maio, as atividades foram iniciadas às oito horas com a palestra proferida pela Profa. Dra. Anna Christina de Carvalho(URCA)que abordou a temática da religiosidade popular: tensões e circularidades. Em seguida, foram debatidas três experiências religiosas populares - Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha, Romarias de Juazeiro do Padre Cícero e Festa do Divino de São Paulo - pelos pesquisadores Océlio Teixeira de Souza, Irmã Annette Dumulin e Toninho Macêdo. À tarde, uma mesa composta pelos professores Edvar Costa(UVA), Lourdes Macena(IFTCE), Lirêda Noronha(IJB) e Betilde Correia(SEDUC - Barbalha) discutiu a temática da Festa do Pau da Bandeira e suas dimensões sócio-educativas.

Nos três momentos acima relatados, a troca de idéias entre expositores e participantes foi bastante proveitosa, ocorrendo um debate qualificado.

Finalizando as atividades acadêmicas do dia vinte oito, às dezesseis horas ocorreram os encontros dos grupos de trabalho e comunicações científicas.

A noite foi dedicada às apresentações culturais.

Palestra com a profa. Anna Cristina

Mesa Redonda: Experiências Religiosas Populares

Mesa Redonda: Dimensões Sócio-Educativas da Festa do
Pau da Bandeira

Plenária

sexta-feira, 22 de maio de 2009

As festas juninas estão chegando...

Junho é o mês dos namorados, da ecologia, do meio ambiente e de quatro grandes santos católicos: Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, São João Batista, o precursor do Messias, São Pedro, o pescador apóstolo e São Paulo Apóstolo. Mas junho é sobretudo o mês das festas juninas - essas grandes festas populares que têm suas origens nos cultos agrários dos camponeses europeus e que no Brasil sofreram fortes influências das culturas indígenas. As festas juninas homenageiam Santo Antônio, São João e São Pedro, misturando assim crisianismo com paganismo. Ao longo do mês de junho vamos postar alguns textos sobre esses festejos e os santos homenageados, enfatizando as comemorações no Cariri. Caso você, caro leitor deste humilde blog, quiser colaborar, aceitamos de bom grado sua sugestão e/ou texto.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cariri, a nação das utopias

Chapada do Araripe (Foto Internet)

Pensei em escrever um artigo sobre o Cariri, sua gente, sua cultura, religiosidade, mitos, enfim, um texto que de forma sintética expressasse o que é o Cariri, para publicar aqui no Blog. No entant, vasculhando meus arquivos digitais, encontrei este belo trabalho do grande pesquisador e cineasta Rosemberg Cariri. Resolvi então publicá-lo. Ele sintetiza bem o que eu estava querendo. Quem sabe, mais na frente eu escreva um e publique-o também. Boa leitura amigos leitores.

A região do Cariri cearense é um oásis, o verde coração do semi-árido nordestino. Apesar de ser uma terra de farturas e de portentos, sua história revela a tragédia do processo civilizatório sertanejo no destino de um povo -os Cariri (Kariri ou Quiriri) - que se fundiu na carne e na alma dos seus inimigos: fazendeiros, criadores de gados, agricultores e vaqueiros oriundos de Sergipe, de Pernambuco e da Bahia. Ao Cariri cearense, centro geográfico com eqüidistância para as principais capitais do Nordeste, desde meados do século XVII até os dias de hoje, continuam a chegar multidões sertanejas, em um fluxo constante, atraídas pela fertilidade e pela sagração do território como espaço mítico.

É muito pobre a definição do Cariri apenas como um espaço geográfico. O Cariri, antes, trata-se de uma nação de mestiços Tapuia que têm em comum a mesma formação histórica e cultural. Mesmo se levarmos em conta apenas o espaço geográfico onde os Cariri habitaram e deixaram a sua marca na cultura popular teremos que considerar ainda os sertões do Piauí, da Bahia, de Alagoas, de Sergipe e do Rio Grande do Norte. Os sertões desses estados formam o território físico e cultural da grande Nação Cariri.

Na maioria das narrativas históricas a palavra Cariri tem a mesma significação que tapuia. Os índios Tupi, conquistadores do litoral, denominavam de tapuia todas as “outras” nações, geralmente inimigas, que não falavam a língua geral. Os colonizadores portugueses tomaram emprestados dos Tupi o termo tapuia para designar todas as nações indígenas que se localizavam nos desertões (sertões) e que resistiam ao processo colonizador. Pode-se então definir que o Cariri compreende todas as áreas dos sertões do Nordeste, ocupadas pela cultura tapuia ou Cariri que será denominada, a partir de agora, de cabocla-cariri. Mais adiante, será objeto de comentários neste texto a cultura que resultou do conflito e da almagação de diversas culturas e etnias nos alicerces da nação sertaneja.

O Cariri vai virar mar

Os remanescentes das tribos Cariri, alocados na Missão do Miranda, guardaram codificados, na sua sensibilidade, intuição e memória, a evocação da “lagoa encantada” - lugar mítico das suas origens. Para eles, todo o vale do Cariri era um mar subterrâneo. Debaixo da terra dormia a Serpente d´Água, cujo imenso caudal era represado pela “Pedra da Batateiras”, ao sopé da chapada do Araripe. Precisamente, onde hoje está situada a Matriz do Crato, erigida sob a invocação de N.S. do Belo Amor, era a cama da baleia (na simbologia cristã : o peixe que guia a arca nas águas do dilúvio). Os pajés Cariri profetizavam que a “Pedra da Batateiras” iria rolar, todo o vale do Cariri seria inundado e as águas, em fúria, devorariam os homens maus que tinham roubado a terra e escravizado os índios. Quando as águas baixassem, a terra voltaria a ser fértil e livre e os Cariri voltariam para repovoar o “Paraíso”.

Não se sabe em que momento surgiu a lenda da “Pedra da Batateiras”, mas é possível que tenha surgido com o aldeamento dos índios Cariri na Missão do Miranda (1740 - 1750). É certo que, por volta de 1779, na mesma época em que eram despojados mais uma vez das suas terras, por decisão de José César de Meneses, governador de Pernambuco, os caboclos-cariri atribuíam a profecia de que “o Cariri iria virar mar” ao frei Vital Frescarolo, missionário apostólico capuchinho. Em um momento de crise, de dissolução da cultura e do sentido de “comunidade”, os caboclos-cariri buscavam, assim, uma “autoridade” exterior para dar à lenda foros de verdade sagrada e manter a coesão do grupo. Irineu Pinheiro registra que, em 1803, o frei Vital aldeou, nos sertões de Pernambuco, tribos remanescentes da grande Nação Cariri.

A Terra do Encantado

Sérgio Buarque de Holanda, em “A Visão do Paraíso”, demonstrou como a terra brasileira, com a sua fertilidade e clima temperado, revelou-se aos europeus como o “Paraíso”, uma terra de prodígios e maravilhas. Os conquistadores projetavam na Nova Terra os delírios hedonistas do “Pays de Cocagne”, narrativa popular medieval que fala de uma espécie de Paraíso (do qual se originou o nosso cordel “País de São Saruê”), onde tudo existia com abundância e todos os desejos do homem podiam se realizar.

No Livro “Espelho Índio - a formação da alma brasileira”, Roberto Gambini diz: “Sendo o Paraíso o lugar das delícias, é onde o homem brinca livremente nos campos do Senhor até desobedecê-lo e onde tudo é dado de presente. É o lugar da fruição: basta estender a mão e apanhar o fruto, a mulher, o pau-brasil, o braço escravizado... Nessa nova terra ignota e ´descoberta´, que não era de ninguém e que além do mais recebe a projeção do Paraíso sobre si, constitui-se dessa forma a matriz de uma consciência para qual é possível e desejável apropriar-se da cornucópia e sugar para sempre, como eternos filhos que nunca crescem, o leite de um seio inexaurível”.

Situado em meio à seca e às agruras do semi-árido nordestino, o Cariri cearense, com seu clima temperado, suas fontes de águas cristalinas, suas terras verdes e férteis, também revelar-se-ia ao conquistador como o lugar da fruição.

Para os índios que habitavam a região, o vale do Cariri cearense já era “território sagrado”, bem antes que os primeiros colonizadores católicos chegassem para a conquista, a posse e o saque. Foi em defesa dessa terra da fertilidade e da fartura, onde se situava também o “espaço mítico”, que os índios Cariri fizeram guerras contra os invasores brancos e mestiços colonizadores e, bem antes, contra as tribos dos sertões que, empurradas pela escassez de víveres e pelas secas periódicas, tentavam se estabelecer na região. Índios, negros e mestiços do Nordeste já conheciam o Cariri cearense como “terra da fertilidade”, como “chão sagrado”, bem antes das pregações do padre Ibiapina e de Antônio Conselheiro, do milagre da beata Maria de Araújo e da fama do padre Cícero. O “caldo mítico” original foi propício à fecundação e eclosão dos futuros movimentos religiosos e crenças messiânicas populares. Os expulsos do “Paraíso” sonhavam com o retorno.

Reliogisidade e mitos

A lenda com o tempo passa por modificações ao sabor das necessidades históricas. Para os romeiros que chegavam a Juazeiro, cidade vizinha ao Crato, a profecia da grande enchente era inquietante, pois, mesmo para a lógica mais elementar, significava que se o Crato fosse inundado, o Juazeiro também o seria. Surgiu, então, a “boa nova” de que o Padre Cícero amarrara a “Pedra da Batateiras” com grossas correntes de ferro e teria pedido a proteção da Mãe do Belo Amor (a primeira imagem adorada pelos índios Cariri na Missão do Miranda). A pedra só iria rolar no final dos tempos e Juazeiro seria suspenso no céu para que as águas passassem devorando as iniqüidades do mundo. Baixas as águas, teria início a era do “Espírito Santo” e os pobres e deserdados da terra herdariam o “Paraíso”. Nas suas andanças pelo Cariri, na época em que negociava com cachaça, Antônio Conselheiro escutou de caboclos da região o lenda da “Pedra da Batateiras”, a partir da qual fundamentaria a profecia que pregava nos sertões da Bahia: “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. Esse discurso “messiânico” encontrou eco nos caboclos dos sertões baianos, fazendo com que os índios Cariri de Mirandela e Saco do Morcego, catequizados pelos frades capuchinhos, contribuíssem com a força de 300 caboclos flecheiros na defesa do Império Sagrado de Canudos, contra a fúria insana dos exércitos enviados pela jovem República brasileira.

O Caldeirão das culturas

O Cariri cearense é um dos berços do processo civilizatório sertanejo; é o grande caldeirão das culturas e etnias do Nordeste. Esse processo civilizatório, que se moveu sobre destroços e ossadas gerou uma cultura original que deita raízes nas principais vertentes das culturas ocidentais, notadamente das culturas tapuia, européias (ibéricas e mediterrâneas), norte africanas e afro-brasileiras. A grande riqueza e a grande contribuição do Cariri ao Brasil e ao mundo, não acontece através da cultura letrada e erudita, nem mesmo através do vigor da sua economia ou da sua importância política regional. O ouro dessa região é a cultura popular ou, como preferem os politicamente corretos, as culturas populares que possibilitaram um verdadeiro renascimento artístico - síntese e ensaio de uma brasilidade herdeira do mundo. A cultura cabocla-cariri, nascida da violência e do caos colonial, com seus heróis e suas artes de mil faces, com seus arquétipos e mitos, com sua orgia de forma e de cores, é uma cultura que ensaia uma nação brasileira mestiça e profunda. A cultura cabocla-cariri é, sobretudo, uma cultura generosa, pois nascida da violência e da exclusão se fez encontro e reciprocidade; crescida no múltiplo se fez síntese e, novamente, se afirmou na diversidade.

A constelação

Como expressão dessa cultura, temos as histórias escritas com sangue nas areias do deserto e adivinhadas em versos pelos cegos rabequeiros; as formas de vida modeladas no barro e revitalizadas pelo sopro da beleza; o coração dos homens que, habitando a terra bruta, se faz terno ao ser ferido pelos espinhos da poesia mais agreste; um mundo de realidades sonhadas nos contrastes das xilogravuras que ilustram os milagres e maravilhas da literatura de cordel; o dom dos mil ritmos nas canções dos cantadores ambulantes; os pastoris e caboclinhos cheios de graça e de luz; o encanto dos reisados de Congo e de bailes com suas fitas coloridas e espelhos que refletem o sol; as romarias como caminhos iniciáticos - festas de prazeres e ritos de penitências, onde o povo caboclo-cariri sabe o nome da sua Mãe: N. S. das Dores, N. S. das Candeias, N.S. do Belo Amor... todas uma mesma e Única-Mulher que gerou o mundo e o fez pulsar em um ciclo eterno de mortes e de ressureições. Para esse povo também não existe nenhuma dúvida que o “Bom Espírito” se chama Cícero, assim como poderia se chamar Ibiapina, Conselheiro, Lourenço ou Damião.

A cultura cabocla-cariri se transfigura em arte através de nomes como Patativa do Assaré, José Bernardo da Silva, Dona Ciça Fonseca, Cego Oliveira, Mestre Elói Teles de Morais, João de Cristo Rei, Mestre Aldenir Calou, Geraldo Gonçalves de Alencar, Mestre Ticola, Mestre José Ribeiro, Dona Assunção Gonçalves, Beata Rosinha, Cego Heleno de Nova Olinda, Dona Perpétua, As Três Marias (Maria de Lourdes, Maria do Socorro e Maria Cândido Monteiro), João Alexandre Sobrinho, Waldemar dos Passarinhos, Manoel Caboclo, Zé Gato, Luiz Gonzaga, Mestre Aprígio, José Ferreira, Expedito Sebastião da Silva, Mestre Dedé de Luna, Severino Batista do berimbau de lata, Pedro Bandeira, José Aves de Jesus, Francorli, Mestre Noza, Mestre Tico, Cego Aderaldo, Joaquim Mulato, Mestre Zulmira, José Lourenço, Mestre Severino do sítio Cabaceiras, Chico Mariano do Casimiro Coco, Dona Ciça do Barro Cru, Maria do Barro Cru, Nego, Madrinha Dodô, Mestre Sebastião Cosmo e Dona Fátima, Mestra Margarida, Geraldo Amâncio, Cizin, Dona Maria dos Benditos, os Irmãos Aniceto (Chico, João, Antônio, Raimundo, Benedito, Cícero e Britim), Walderedo Gonçalves, Zé de Matos, Mestre Miguel Florentino, Mestre Manuel Graciano, Mestre Nino do Crato...

Nomes, nomes, centenas de nomes que flutuam ao sabor da memória, como estrelas no céu. Se nas grandes constelações, apenas algumas estrelas são identificadas e nomeadas, milhões de outras estrelas anônimas não deixam de brilhar e de fazer mais belo o mundo. Assim também é a cultura tradicional de um povo - luz e trevas de toda a humanidade. A esses homens e mulheres eu devo a minha arte mais profunda - o sonho. Devo também o nome pelo o qual eu me anuncio ao mundo: Cariri.

Texto do Cineasta e Pesquisador Rosemberg Cariry, publicado originalmente no Jornal DIÁRIO DO NORDESTE, em 30/11/2008(Caderno 3).